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Folha Jundiaiense

Troca de figurinhas da Copa diminui o alto custo do álbum

Torcedores brasileiros enfrentam custo recorde para completar o álbum de figurinhas da Copa do Mundo de 2026, lançado em maio pela Panini. Com a expansão do torneio para 48 seleções, a coleção atingiu mais de 980 figurinhas, a maior já produzida pela editora. O gasto para quem busca todas as unidades apenas comprando pacotes pode ultrapassar R$ 7,3 mil.

O valor assusta. Cada pacote, com sete figurinhas, custa R$ 7. A estimativa considera a aleatoriedade na distribuição das estampas, que exige a compra de múltiplos pacotes para reunir todas as peças. A matemática, feita por colecionadores experientes, aponta para a necessidade de adquirir centenas de envelopes para conseguir todas as variações sem nenhuma troca.

A edição atual da Copa, sediada nos Estados Unidos, Canadá e México, inclui 16 seleções a mais que o Mundial do Catar (2022). Esse aumento eleva significativamente o número de cromos, impactando diretamente o bolso dos colecionadores e a logística da editora.

Mesmo num cenário ideal, onde nenhuma figurinha se repetisse — situação quase impossível na prática —, o custo mínimo para preencher o álbum ainda seria expressivo. Seriam necessários 140 pacotes, somando R$ 980, mais R$ 24,90 pelo álbum brochura padrão. O total chegaria a R$ 1.004,90.

A troca de figurinhas, hábito antigo entre os fãs, desponta como a alternativa mais viável para reduzir o custo. Colecionadores e amigos se reúnem em pontos específicos, diminuindo o gasto em até 80%. Nestes casos, o investimento varia entre R$ 1.200 e R$ 1.700. A prática resgata o aspecto social do hobby, mitigando parte do peso financeiro imposto pela expansão da coleção.

Mercado das figurinhas raras movimenta cifras altas

Além das 980 figurinhas da coleção principal, a Panini incluiu 68 cromos especiais, da série Legends. Estas versões de jogadores de destaque possuem diferentes níveis de raridade: bordeaux, bronze, prata e dourada. A dourada se revela a mais difícil, aparecendo uma vez a cada 1.900 pacotes.

Figuras como Cristiano Ronaldo (Portugal), Lionel Messi (Argentina), Kylian Mbappé (França), Lamine Yamal (Espanha) e o brasileiro Vinicius Júnior estão entre as mais cobiçadas nesta categoria. A tiragem limitada e a dificuldade de encontrar essas versões aumentam seu valor no mercado secundário.

A busca por essas figurinhas raras transformou os tradicionais pontos de troca. Locais antes focados na complementação do álbum se tornaram palcos de intensa negociação e, por vezes, de especulação.

Em plataformas de compra e venda online, algumas versões douradas ultrapassam os R$ 500. Esse movimento cria um mercado paralelo aquecido, onde a paixão pelo futebol se mistura à lógica da oferta e demanda por itens colecionáveis.

O estudante de Engenharia da Universidade Federal Fluminense (UFF), Guilherme Ferreira, observou a mudança no comportamento dos colecionadores. “Só ficou o pessoal mais desesperado para conseguir trocar essas figurinhas e muita gente querendo pagar valores altos”, disse à Rádio da UFRJ. Ele acrescentou: “Tem um pessoal gastando realmente muito dinheiro, o que mostra como o caráter do hobby mudou com essas figurinhas especiais”.

Álbum: erro de escalação antecipa a Copa

Outra peculiaridade desta edição é a diferença entre os jogadores figurados no álbum e a convocação oficial das seleções. A Panini inicia a produção da coleção meses antes do anúncio das listas finais, gerando discrepâncias entre o que o álbum apresenta e a realidade dos gramados.

No Brasil, jogadores como Rodrygo, Éder Militão e Estevão aparecem no álbum, apesar de estarem lesionados e fora da lista do técnico Carlo Ancelotti para a Copa. A situação se repete em outras seleções, um retrato antecipado e desatualizado do torneio antes mesmo de a bola rolar.

A ausência de Neymar Júnior, o camisa 10 da seleção brasileira, na primeira versão da coleção chamou a atenção dos fãs. Ferreira comentou sobre as escolhas da editora: “A do Neymar eu não acho um absurdo, ninguém sabia se ele ia ou não, provavelmente, não iria”. O estudante criticou outras inclusões: “Os outros, realmente, a Panini vacilou. O Rodrygo já estava fora da Copa há seis meses e foi para o álbum”, refletindo a frustração de parte da torcida com a desinformação.

Enquanto a bola rola nos gramados dos Estados Unidos, Canadá e México, a disputa prossegue fora deles. Colecionadores como o engenheiro Lucas Antonio Pinheiro encaram o desafio de frente, com foco na experiência.

Pinheiro não economiza na paixão. “Estamos com cerca de 50% do álbum completo e, até o momento, gastamos em torno de R$ 800. É um valor considerável, mas encaramos mais como uma experiência do que apenas um gasto”, declarou. Para ele, o investimento transcende o custo monetário.

Para o engenheiro, a motivação vai além do futebol. Noivo um mês antes da abertura da Copa, ele divide a coleção com a parceira, Paula.

“A principal motivação é a oportunidade de construir uma memória junto de quem amamos. Eu e minha noiva Paula estamos colecionando juntos e temos aproveitado muito cada momento desse processo, especialmente as trocas de figurinhas”, afirmou Pinheiro, destacando o valor afetivo do passatempo.

Ele vê o álbum da Copa como um investimento emocional. “O que mais nos encanta é o ambiente que a Copa proporciona. Nas trocas, é comum ver pessoas de diferentes gerações reunidas em uma mesma mesa: crianças de 6 e 10 anos, jovens de 26 e adultos de 40 anos ou mais, todos compartilhando a mesma paixão. É uma experiência muito especial.”

“Além disso, esta será a nossa primeira Copa do Mundo colecionando juntos, algo que certamente ficará marcado na nossa memória. E, claro, seguimos na torcida e cheios de esperança pelo tão sonhado hexa”, concluiu o engenheiro, ressaltando o valor social e afetivo do hobby em meio à disputa por cada cromo.

Contexto

O costume de colecionar figurinhas de Copas do Mundo remonta a décadas, tornando-se uma tradição global associada à paixão pelo futebol. A editora Panini, com origem na Itália, popularizou o formato dos álbuns e figurinhas autoadesivas a partir da Copa de 1970, no México. Desde então, a cada quatro anos, milhões de colecionadores ao redor do mundo se dedicam a completar as coleções. A decisão da FIFA de expandir o número de seleções participantes na Copa de 2026, de 32 para 48, reflete uma busca por maior representatividade global no esporte e novas receitas, mas impacta diretamente a logística e o custo de produtos licenciados como o álbum de figurinhas, alterando a dinâmica de um passatempo que une gerações e adicionando uma camada de complexidade e investimento financeiro para os entusiastas.

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