Incidente na conferência gera debates sobre responsabilidade da Segurança

Invasão na COP30 provoca disputa de responsabilidades entre poderes e a ONU.
Invasão na COP30: um episódio que gerou controvérsias
A invasão, na noite de terça-feira (11), de um grupo de manifestantes na blue zone – espaço de negociações oficiais da COP30 – gerou uma troca de acusações entre os poderes e a ONU (Organização das Nações Unidas). A situação evidenciou a fragilidade das medidas de segurança em eventos de tal magnitude.
O principal motivo da controvérsia é que a manifestação teve início em uma área sob responsabilidade do governo do estado do Pará, mas atravessou uma área sob gestão federal até finalmente entrar na blue zone, espaço gerenciado exclusivamente pela ONU. Isso levantou questões sobre a responsabilidade de cada ente na segurança do evento.
Divergências sobre a segurança do evento
Agentes de segurança relataram à CNN haver parcela de responsabilidade do Palácio do Planalto e da presidência da COP, que sempre deixaram claro que os protestos não apenas seriam tolerados durante a conferência, como também incentivados, como forma de pressionar os negociadores climáticos. Essa política de abertura, embora bem-intencionada, parece ter contribuído para a insegurança.
Um exemplo que ilustra essa política é o fato de não ser necessária credencial para ingressar na green zone, área ao lado da blue zone, administrada pelo governo federal e destinada à sociedade civil. Para essas fontes, a liberação – atípica em COPs – acaba atraindo e facilitando protestos como os que ocorreram na noite de terça-feira.
Resposta do governo federal e da ONU
O governo federal, por sua vez, afirmou não ter qualquer responsabilidade sobre o incidente, justificando que o confronto físico ocorreu já na entrada da blue zone, onde apenas a ONU tem controle. “A questão da segurança da COP30 é de responsabilidade da UNFCCC (órgão da ONU que organiza a COP). Qualquer dúvida, solicitação ou detalhe relacionado a esse tema deve ser direcionado diretamente à equipe da UNFCCC”, divulgaram.
Um dos porta-vozes do órgão internacional informou, no final da noite, que foi aberta uma investigação para apurar o ocorrido, que causou ferimentos leves em dois seguranças e pequenos danos ao local. Também comunicou que agentes de segurança brasileiros e da própria ONU tomaram medidas de proteção para garantir a segurança do espaço, seguindo todos os protocolos estabelecidos, e que o local está “totalmente seguro”.
Consequências e manifestações futuras
Horas depois, foi anunciada uma mudança temporária: a entrada pelo local da invasão – que estava servindo de acesso oficial desde a semana passada – só seria reaberta às 19h desta quarta-feira (12), obrigando os participantes da blue zone a fazer outro trajeto. Até agora, essa alteração foi a única consequência do episódio, além de expor as divergências entre as forças responsáveis pelo evento.
A preocupação cresce porque estão previstas mais manifestações durante o fim de semana, especialmente no domingo (16), data marcada para a Marcha Mundial pelo Clima, que deve reunir pelo menos 20 mil pessoas. As forças de segurança estão em contato com os organizadores há semanas, e o relacionamento é considerado positivo. Porém, a atenção deverá ser redobrada após o episódio.
Os organizadores, por sua vez, divulgaram uma nota após o episódio, afirmando que a marcha foi “um sucesso de público, reunindo milhares de pessoas em Belém (PA); teve concentração na Embaixada dos Povos e contou com a participação de instituições como a Fiocruz, Médicos pelo Clima, Instituto Ar, SUS e diversas entidades da área da saúde e da sociedade civil”. A nota ressaltou, no entanto, que “os atos que ocorreram após a marcha não fazem parte da organização do evento, que tratou de saúde e clima”.