Mudança ocorre após um ano e meio de migração anterior, em meio a dívidas e problemas com atendimentos

Clientes da Unimed Ferj serão transferidos para a Unimed do brasil após problemas com atendimentos e dívidas acumuladas.
Transferência de clientes da Unimed Ferj para a Unimed do Brasil
Um ano e meio após a migração dos beneficiários da Unimed Rio para a Unimed Ferj, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) decidiu que a carteira de cerca de 370 mil usuários será novamente transferida, desta vez para a Unimed do Brasil. A decisão foi anunciada na tarde desta segunda-feira, dia 10. A nova transferência foi proposta em uma reunião tensa que durou quase quatro horas e contou com a presença de representantes das duas Unimeds, além do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), do Ministério Público Federal (MPF) e da Defensoria Pública Estadual do Rio de Janeiro.
A mudança de carteira ocorre após a primeira migração dos usuários em 2024, que foi acordada pela ANS e outras autoridades, e que se deu em meio a uma crise financeira que a Unimed-Rio enfrentava há mais de uma década. Apesar da expectativa de que a situação melhorasse, os problemas se acumularam desde então. Médicos cooperados começaram a relatar atrasos nos pagamentos e, consequentemente, passaram a recusar atendimento a usuários, uma situação preocupante que reflete a instabilidade financeira das operadoras.
Desafios enfrentados pelos usuários
Atualmente, a Unimed do Brasil atua apenas como representante institucional das cooperativas que compõem o Sistema Unimed. A dúvida que permanece é se a Unimed do Brasil assumirá a operação da carteira da Ferj ou se entregará a administração a outra Unimed do sistema. O diretor-presidente da ANS, Wadih Damous, afirmou que a Unimed do Brasil terá um prazo de 20 dias para viabilizar a transição, independentemente da opção escolhida.
O total de dívidas acumuladas pela Unimed é alarmante. A Associação de Hospitais do Estado do Rio (Aherj) estima que os débitos da Unimed com unidades de saúde ultrapassem os R$ 2 bilhões. No entanto, essas dívidas não foram incluídas no acordo de transferência para a Unimed do Brasil, conforme esclareceu Wadih Damous. “A dívida é um problema do Sistema Unimed, e não da ANS. A gente não vai entrar em problema interno, a gente quer assegurar o atendimento”, afirmou Damous.
Acordos e garantias
Em um acordo recente, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) firmou um pacto com a Unimed-Rio para o pagamento de cerca de R$ 2,1 bilhões em dívidas tributárias. Esse acordo também incluiu a Unimed Ferj e garantiu um desconto de 45% sobre o total em débito. Além disso, outros R$ 95 milhões em dívidas previdenciárias foram parcelados em 60 meses e as não previdenciárias, que somam R$ 355 milhões, em 145 meses.
Os cerca de 370 mil usuários da Unimed Ferj estão enfrentando uma rede credenciada cada vez mais restrita, que já perdeu 20% de sua carteira desde a migração. Em fevereiro, a Rede D’Or deixou de aceitar pacientes da operadora, e em setembro, diversos prontos-socorros de hospitais da Rede Américas suspenderam a cobertura. A situação se agravou ainda mais com a saída da Oncoclínicas, que atendia cerca de 12 mil pacientes oncológicos da Unimed Ferj. Os usuários foram redirecionados a uma unidade própria da operadora em Botafogo, mas têm relatado um alto volume de reclamações sobre o atendimento.
Diante desse cenário, os beneficiários da Unimed Ferj aguardam ansiosamente por informações sobre a nova fase de atendimento e a efetivação da transferência para a Unimed do Brasil, na esperança de que a mudança traga melhorias para a sua saúde e bem-estar.