PF investiga encontros entre Toffoli e banqueiro do Banco Master
Ministro do STF se reuniu com Daniel Vorcaro diversas vezes entre 2023 e 2025, aponta investigação
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), encontrou-se com Daniel Vorcaro, banqueiro do Banco Master (atualmente em liquidação), em pelo menos doze ocasiões entre 2023 e 2025. A informação foi apurada pela Polícia Federal (PF).
As interações ocorreram, em sua maioria, entre 2023 e 2024, conforme revelado inicialmente pelo UOL e confirmado pela Gazeta do Povo com fontes ligadas à investigação. Parte desses encontros se deu em jantares, eventos sociais e reuniões com vários convidados, sugerindo que nem todos os contatos foram agendados diretamente entre Toffoli e Vorcaro.
O relatório da Polícia Federal, que registra esses encontros, não especifica se houve conversas reservadas, reuniões individuais ou negociações específicas entre Vorcaro e o ministro. O documento apenas constata a presença dos dois em diferentes eventos, sem detalhar o conteúdo de eventuais diálogos ou a natureza dos contatos pessoais.
Toffoli e Vorcaro ainda não se manifestaram sobre os encontros. O espaço permanece aberto para seus pronunciamentos.
Toffoli deixou relatoria de processos envolvendo Banco Master após revelações
Na semana passada, Dias Toffoli se afastou da relatoria dos processos relacionados ao Banco Master no STF, após a pressão gerada pela divulgação de sua possível proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro. O ministro sempre negou qualquer envolvimento, até que a investigação da Polícia Federal apontou ligações e citações entre eles encontradas nos celulares de Vorcaro.
Além das citações em celulares, também veio à tona que Toffoli era sócio dos irmãos em uma empresa de participações imobiliárias que negociou cotas de um resort no interior do Paraná com fundos de investimentos ligados ao Banco Master e ao cunhado de Vorcaro, o empresário e pastor Fabiano Zettel.
Após as revelações, o presidente do STF, Edson Fachin, convocou uma reunião com todos os ministros. Segundo nota divulgada, houve apoio unânime a Toffoli. Posteriormente, o ministro deixou a relatoria dos processos, e um novo sorteio designou André Mendonça como o novo relator.
CPI do Crime Organizado pode convocar Toffoli para depor
A CPI do Crime Organizado pretende votar, na próxima semana, a convocação de Toffoli para prestar depoimento sobre seu envolvimento com Vorcaro e suas relações com a empresa de seus irmãos. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da comissão, justifica a necessidade de esclarecimentos por parte do ministro.
“Quando você olha mais de perto, você percebe que está tudo entrelaçado em duas pontas: na ponta da lavagem de dinheiro, onde você tem Master, Reag, etc, e na ponta da infiltração política e judicial do crime organizado”, afirmou o senador Vieira em entrevista à GloboNews.
Vieira também destacou que a investigação da CPI abrange quatro eixos principais com ligações diretas: emendas parlamentares, a operação “Carbono Oculto” (que investiga a atuação do PCC no mercado de combustíveis), fraudes no INSS e operações envolvendo o Banco Master.
Contexto
A investigação sobre os encontros entre o ministro Dias Toffoli e o banqueiro Daniel Vorcaro ganha relevância devido ao impacto que as decisões do STF podem ter em processos envolvendo o Banco Master. A proximidade entre um ministro da mais alta corte do país e um personagem central em investigações financeiras levanta questionamentos sobre a imparcialidade e a transparência do sistema judiciário.