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Tentativas do Comando Vermelho de influenciar policiais no Rio são reveladas

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Conversa obtida pela PF mostra contatos com autoridades do governo de Cláudio Castro

Tentativas do Comando Vermelho de influenciar policiais no Rio são reveladas
Diálogo entre TH Joias e Gabriel de Oliveira, o Índio do Lixão. Foto: Conversas interceptadas.

Diálogos da PF revelam tentativas do Comando Vermelho de influenciar policiamento no Rio de janeiro.

Diálogos interceptados revelam ações do Comando Vermelho no Rio

Na Operação Zargun, deflagrada em setembro, diálogos interceptados pela polícia federal (PF) expõem tentativas do Comando Vermelho (CV) de influenciar o policiamento no Rio de Janeiro. As conversas incluem contatos com um ex-deputado, um secretário e um ex-subsecretário do governo Cláudio Castro, revelando uma rede complexa de corrupção e articulação política.

Entre os principais atores está Gutemberg de Paula Fonseca, secretário de Defesa do Consumidor, que teria se encontrado com Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio do Lixão. A conversa, mencionada em um relatório da PF, sugere um pedido de “cobertura política” por parte do CV. Fonseca nega o encontro, mas as provas indicam uma infiltração profunda da facção criminosa no sistema político do Estado.

A infiltração do Comando Vermelho na política

A investigação apontou que a facção buscava capturar setores estratégicos da administração pública para garantir sua dominação territorial. Um dos diálogos revelados mostra Índio do Lixão relatando a Carracena, ex-secretário de Esporte e Lazer, que se encontrou com Fonseca para solicitar apoio político. A relação entre Índio e Fonseca parece ter se intensificado ao longo de 2025, após a saída de Carracena do governo.

Carracena, em seu depoimento à PF, confirmou que soube da conversa entre Índio e Fonseca, mas negou qualquer articulação política com ambos. Ele afirmou que a aproximação entre Índio e Fonseca ocorreu após sua saída do governo, desassociando-se do suposto esquema.

Tentativas de alterar o policiamento

Além do pedido de “cobertura política”, a investigação revelou outros diálogos que mostram a facção tentando influenciar mudanças no policiamento em áreas estratégicas. Em uma interceptação, Índio solicitou ajuda ao então deputado TH Joias para modificar o policiamento na Gardênia Azul, uma região dominada pelo CV. A comunicação entre Índio e o deputado destaca a busca por controle sobre as ações policiais, o que demonstra a audácia da facção em tentar alterar a segurança pública da região.

Interações e pagamentos suspeitos

A investigação também apurou que Índio mencionou pagamentos a Carracena, levantando suspeitas sobre a natureza desses valores. Em um diálogo, ele afirmou que daria R$ 90 mil a TH Joias para que este entregasse a Carracena. Carracena, por sua vez, alegou que os valores eram referentes a serviços de advocacia prestados a Índio.

Respostas oficiais e desdobramentos

Procurado, o secretário Gutemberg Fonseca negou conhecer Índio do Lixão e afirmou que não mantém qualquer relação com ele. Segundo Fonseca, qualquer contato que tenha ocorrido foi casual e sem conhecimento de envolvimento ilícito. A defesa de Carracena, igualmente, argumenta que a investigação carece de provas concretas e se baseia em conjecturas, destacando que não há evidências que liguem diretamente o ex-secretário às atividades criminosas do CV.

A continuidade da Operação Zargun e o desdobramento das investigações prometem trazer mais revelações sobre a profunda relação entre o Comando Vermelho e a política no Rio de Janeiro.

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