Tesouro Direto: Taxas Operam em Sentidos Opostos Após IPCA-15 Surpreender
As taxas do Tesouro Direto apresentaram um comportamento misto nesta sexta-feira (27), influenciadas por dois fatores principais. De um lado, a divulgação de um IPCA-15 de fevereiro acima do esperado exerceu pressão sobre parte da curva. De outro, o alívio nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) ofereceu suporte.
Prefixados Reagem à Inflação
Os títulos prefixados foram os mais impactados negativamente, reagindo à alta de 0,84% do IPCA-15 no mês de fevereiro, um valor superior à mediana das estimativas do mercado. Apesar da aceleração mensal, o acumulado em 12 meses apresentou desaceleração, atingindo 4,10%.
Marianna Costa, economista da Mirae Asset, avalia que a leitura qualitativa do IPCA-15 de fevereiro revelou pressões maiores do que o previsto, com uma aceleração relevante nos núcleos inflacionários e uma surpresa altista também nos bens industriais. A economista também destaca a disseminação da inflação de serviços.
O impacto do IPCA-15 nas projeções para o corte da Selic, esperado para março, levou a ajustes na parte nominal da curva. A taxa do Tesouro Prefixado 2029 subiu para 12,70%, ante 12,59% na véspera. O Tesouro Prefixado 2032 avançou para 13,30%, enquanto o juro do papel com juros semestrais 2037 atingiu 13,53%.
Analistas do Goldman Sachs ponderam que a dinâmica inflacionária ainda desafiadora, as expectativas de inflação de curto e médio prazo sem ancoragem, o hiato do produto positivo, o mercado de trabalho restrito e as medidas contínuas de estímulo fiscal e de crédito exigem uma postura conservadora na política monetária. Apesar desse cenário, o banco mantém a projeção de início do ciclo de queda de juros na próxima reunião do Copom.
Curva Real Longa Apresenta Fechamento
Na ponta positiva, o destaque foi o fechamento da curva real longa. O juro real do Tesouro IPCA+ 2050 recuou de 6,80% na quinta-feira para 6,77% nesta sexta, renovando a mínima do ano e aprofundando o movimento de compressão observado ao longo da semana.
Outros vértices da curva também apresentaram queda. O Tesouro IPCA+ 2040 caiu para 6,98%, o IPCA+ 2045 recuou para 6,98% e o IPCA+ 2060 atingiu 6,94%. No trecho intermediário, o IPCA+ 2032 registrou queda para 7,39%.
Esse comportamento acompanha o movimento dos Treasuries, que estenderam os ganhos. A taxa da T-note de 10 anos caminha para fechar fevereiro com queda acumulada de 26 pontos-base, a 3,98%, no melhor mês em um ano. Esse movimento reflete a demanda por ativos considerados mais seguros, em meio às incertezas da política econômica americana, e a expectativa por cortes de juros, com operadores voltando a precificar uma redução já em julho.
Taxas do Tesouro Direto (9h37)
Confira as taxas do Tesouro Direto registradas às 9h37 desta sexta-feira (27):
| Título | Rendimento Anual | Vencimento |
|---|---|---|
| Tesouro Selic 2031 | SELIC + 0,1001% | 01/03/2031 |
| Tesouro Prefixado 2029 | 12,70% | 01/01/2029 |
| Tesouro Prefixado 2032 | 13,30% | 01/01/2032 |
| Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 | 13,53% | 01/01/2037 |
| Tesouro IPCA+ 2032 | IPCA + 7,39% | 15/08/2032 |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037 | IPCA + 7,25% | 15/05/2037 |
| Tesouro IPCA+ 2040 | IPCA + 6,98% | 15/08/2040 |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045 | IPCA + 6,98% | 15/05/2045 |
| Tesouro IPCA+ 2050 | IPCA + 6,77% | 15/08/2050 |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060 | IPCA + 6,94% | 15/08/2060 |
Contexto
A variação nas taxas do Tesouro Direto reflete as expectativas do mercado em relação à inflação e à política monetária. O IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, impacta diretamente as projeções e, consequentemente, o preço dos títulos públicos. Acompanhar esses movimentos é crucial para investidores que buscam rentabilidade e segurança em seus investimentos.