

Mais de meio milhão de refeições servidas e um teto seguro para quem não tem mais nada. Essa é a realidade da Casa Apoio ao HES, uma instituição que, há 25 anos, se tornou o lar de centenas de famílias em um dos momentos mais vulneráveis de suas vidas.
Na última terça-feira (15), a dedicação ininterrupta desses voluntários, que operam sem um centavo de verbas governamentais, foi oficialmente reconhecida pela Câmara Municipal de Sumaré, em um gesto que celebra um quarto de século de solidariedade.
O Gesto Que Mudou Tudo: 25 Anos de Acolhimento
A Câmara Municipal de Sumaré aprovou, por unanimidade, uma moção de congratulação ao Grupo de Voluntários Viva Feliz – Instituição Sr. Antônio Garcia, mais conhecido como Casa Apoio ao Hospital Estadual de Sumaré (HES).
A iniciativa, proposta pelo vereador Tião Correa (PSDB) e endossada por 18 votos favoráveis em plenário, marca os 25 anos de fundação da entidade, celebrados em 13 de setembro.
A história da Casa Apoio começou em 2001, por iniciativa de Maria Irene Garcia De Nadai. Ela presenciou de perto as dificuldades enfrentadas pelos acompanhantes de pacientes no recém-inaugurado HES.
Diante daquela cena de vulnerabilidade, Maria Irene decidiu agir, fundando uma instituição que pudesse oferecer um porto seguro a essas famílias, muitas vezes desamparadas e longe de casa.
Um Refúgio para Quem Mais Precisa
Desde então, a Casa Apoio se consolidou como um bastião de acolhimento humanizado. Seus serviços incluem refeições gratuitas, alojamento, kits de higiene pessoal e suporte ortopédico para os familiares.
Os beneficiados não são apenas moradores de Sumaré, mas também de diversas cidades do Brasil e até mesmo de outros países, como Haiti e Angola, evidenciando o alcance universal da solidariedade.
Além do abrigo essencial, a entidade mantém uma série de projetos sociais de grande impacto. Entre eles, a doação de enxovais para recém-nascidos e a confecção de polvos terapêuticos de crochê para bebês prematuros.
Outra iniciativa notável é a produção de próteses mamárias externas, também em crochê, destinadas a mulheres que passaram por mastectomia, oferecendo conforto e resgate da autoestima.
Números Que Falam Por Si: O Alcance da Solidariedade
Desde sua fundação, a Casa Apoio já superou a marca de 50 mil atendimentos diretos. Mais impressionante ainda é o número de refeições fornecidas: mais de 650 mil, um testemunho da sua atuação contínua.
O espaço físico da Casa dispõe de 24 leitos, incluindo berços para crianças pequenas, garantindo que acompanhantes de todas as idades encontrem um lugar para descansar com dignidade.
Os familiares atendidos vêm majoritariamente de Sumaré, Hortolândia, Monte Mor, Nova Odessa, Americana e Santa Bárbara d’Oeste. Contudo, pessoas de outros estados e imigrantes também encontram amparo ali.
O projeto “Nana Nenê” já distribuiu mais de 51.500 kits de roupas para recém-nascidos de famílias carentes que dão à luz no HES, aliviando o fardo inicial de muitas mães.
O “Mamas Com Carinho” leva esperança e apoio a mulheres mastectomizadas por todo o país, enquanto o “Projeto Octos” oferece conforto tátil a bebês prematuros na UTI Neonatal do HES, contribuindo para seu desenvolvimento.
Impacto na região
A atuação da Casa Apoio, embora sediada em Sumaré, tem um impacto significativo que se estende por toda a Região Metropolitana de Campinas e seu entorno.
Pacientes e familiares de diversas localidades, incluindo a área de influência de Jundiaí, frequentemente buscam atendimento especializado no Hospital Estadual de Sumaré, uma referência regional.
Para esses familiares que se deslocam de suas cidades, a Casa Apoio representa a diferença entre a permanência digna e a angústia de não ter onde ficar, permitindo que acompanhem seus entes queridos sem preocupações adicionais de moradia ou alimentação.
A existência dessa instituição não só alivia o sofrimento direto das famílias, mas também indiretamente contribui para a estabilidade social e o bem-estar comunitário em um vasto raio geográfico, oferecendo um modelo de serviço fundamental.
A Luta Diária Sem Apoio Oficial: Um Modelo de Voluntariado
O vereador Tião Correa fez questão de frisar um aspecto crucial: a Casa Apoio funciona de forma autônoma, sem receber qualquer tipo de subvenção financeira dos governos municipal, estadual ou federal.
As atividades da instituição são mantidas exclusivamente por meio de eventos beneficentes, como bazares e barracas de alimentos, além do apoio contínuo da sociedade civil e de entidades parceiras.
O documento da moção aprovada destaca que o grupo de voluntários teve um “peso moral e estrutural decisivo” para que o HES atingisse um patamar de excelência e humanização no atendimento.
“A humanização do atendimento médico só é plena quando o familiar do paciente também é acolhido com dignidade”, afirmou o vereador, ressaltando o valor inestimável do trabalho da Casa Apoio.
Tião Correa aproveitou a ocasião para reiterar a relevância da instituição. Ele convidou os presentes a conhecerem o trabalho, destacando o alívio que a Casa Apoio oferece a quem enfrenta a hospitalização de um familiar sem ter onde se hospedar.
A importância da entidade, conforme suas palavras, reside na capacidade de suprir uma necessidade fundamental, atuando como um porto seguro para acompanhantes de pacientes do Hospital Estadual de Sumaré.
Correa sublinhou a natureza autônoma do Grupo Viva Feliz. “A casa depende da colaboração, não tem nenhum tipo de recebimento do governo estadual, municipal ou federal. Então é só força de vontade desses voluntários”, ressaltou o parlamentar.
Finalizando sua fala, o vereador celebrou a marca dos 25 anos: “25 anos não são 25 meses. Então que venham mais de 25 anos para frente”, desejou ele, prometendo o apoio contínuo de seu mandato.


A Voz da Fundadora: Gratidão e Resiliência
Maria Irene Garcia De Nadai, fundadora e dirigente da Casa Apoio, esteve presente na Câmara de Sumaré, acompanhada pelos voluntários Vagner e Neusa Rikato, para receber a emocionante homenagem.
Em seu discurso na tribuna, Maria Irene refletiu sobre a trajetória da instituição. “Chegar a duas décadas e meia de portas abertas é uma tarefa não fácil, e não simples. É o resultado diário de um ato de amor ao próximo”, declarou, emocionada.
Ela enfatizou que o reconhecimento do Poder Legislativo “avaliza a luta diária dos voluntários” que, apesar das dificuldades, mantêm a Casa Apoio em pleno funcionamento.
A fundadora expressou sua profunda gratidão aos parlamentares, colaboradores, parceiros, e, principalmente, aos usuários do HES e seus familiares, que são a razão de ser da instituição.
“Esse reconhecimento oficial por parte do Poder Legislativo Municipal avaliza a nossa luta. Ela mostra que nosso trabalho faz a diferença na vida de pessoas e na nossa comunidade”, afirmou, com voz embargada pela emoção.
Maria Irene dedicou o momento a todos que sustentam a Casa: “Aos nossos voluntários e colaboradores, que dão o seu tempo e seu suor com generosidade. Aos parceiros, que nunca nos deixaram faltar o essencial, que é o amor.”
Ela finalizou com um desejo de continuidade: “Que esta Casa de Leis continue sendo a caixa de ressonância do povo e continuaremos firmes em nossa missão por muitos e muitos anos. A todos, a nossa gratidão.”
O Legado Silencioso Que Transforma Vidas
A história da Casa Apoio ao HES é um espelho de um desafio persistente na saúde pública brasileira: o suporte aos familiares de pacientes, especialmente aqueles que se deslocam para centros médicos especializados e se veem longe de casa.
Quando o Hospital Estadual de Sumaré foi inaugurado, a lacuna de um local para acolher os acompanhantes tornou-se evidente. A fundação da Casa Apoio, nascida da sensibilidade de Maria Irene, preencheu esse vazio de forma essencial, evoluindo de um simples abrigo para um complexo sistema de suporte.
Ao longo de 25 anos, a instituição demonstrou como a iniciativa civil e o voluntariado podem não apenas complementar, mas também elevar o padrão de humanização no atendimento à saúde, algo que o poder público muitas vezes não consegue suprir.
A celebração desta moção de congratulação hoje não é apenas um reconhecimento formal; ela ressalta a importância contínua da solidariedade organizada. Em um cenário de constantes demandas na saúde, a Casa Apoio serve como um farol, mostrando o impacto prático do amor ao próximo.
A Casa Apoio não atende com acesso livre, mas sim por meio de encaminhamento da assistência social do Hospital Estadual. A instituição fica localizada na Avenida da Amizade, nº 2.660, ao lado do HES, e continua aberta para receber doações e voluntários.



