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Folha Jundiaiense

STF mantém condenações dos cinco réus pela morte de Marielle

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para manter as condenações dos cinco acusados pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorrido em março de 2018, no Rio de Janeiro. A decisão reforça a linha adotada pela Justiça na busca por responsabilidade no crime que chocou o país e teve repercussão internacional.

A votação virtual, iniciada na quinta-feira (18), registrava placar de 3 a 0 contra os recursos de defesa até o fim do dia. A sessão se encerra nesta sexta-feira (19), com a expectativa do voto da ministra Cármen Lúcia.

A manutenção das penas significa que as sentenças proferidas em fevereiro permanecem inalteradas, um passo decisivo para o encerramento da fase recursal no Supremo.

Entre os réus que viram suas condenações ratificadas estão figuras com forte ligação política e com as forças de segurança do Rio. O conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, Domingos Brazão, e seu irmão, o ex-deputado federal Chiquinho Brazão, figuram como mandantes.

Também têm as penas mantidas o ex-chefe da Polícia Civil do Rio, Rivaldo Barbosa, o major da Polícia Militar Ronald de Paula e o ex-policial militar Robson Calixto.

Em fevereiro, a mesma Primeira Turma do STF havia condenado unanimemente os cinco, após complexa investigação. As sentenças variam conforme a participação individual no crime. Domingos Brazão e Chiquinho Brazão receberam as maiores penas, de 76 anos de prisão cada.

O ex-chefe da Polícia Civil, Rivaldo Barbosa, foi condenado a 18 anos. O major Ronald de Paula teve pena de 56 anos, enquanto Robson Calixto cumprirá 9 anos de prisão.

Todos os condenados já estão presos. Chiquinho Brazão, no entanto, cumpre prisão domiciliar por questões de saúde, uma exceção que não altera o mérito da condenação.

O Longo Caminho da Investigação

O assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, na noite de 14 de março de 2018, na região central do Rio, provocou imediata comoção e clamor por justiça. Vereadora atuante, Marielle era conhecida pela defesa dos direitos humanos e pela crítica à violência policial, o que conferiu ao caso uma forte dimensão política e social desde o primeiro momento. Anderson, seu motorista, foi vítima incidental na emboscada.

A complexidade do crime e o perfil dos envolvidos – incluindo figuras da política e da segurança pública – transformaram a investigação em um dos maiores desafios do sistema judiciário brasileiro recente. Anos de apuração revelaram uma trama intrincada de interesses, desdobrando-se em diversas fases e trocas de comando na Polícia Civil do Rio de Janeiro.

A elucidação dos mandantes demorou seis anos. Ex-policiais militares foram inicialmente presos e condenados pela execução. Mas a identificação de Domingos e Chiquinho Brazão como os arquitetos do crime só ocorreu após a delação premiada do ex-PM Ronnie Lessa, um dos executores, em janeiro deste ano. A colaboração de Lessa foi decisiva para conectar os nomes à cúpula política.

Implicações e Repercussão do Julgamento

A ratificação das condenações pelo STF marca uma etapa importante na busca por justiça e combate à impunidade em casos de violência política. A atuação de figuras públicas de alto escalão na trama do assassinato gera preocupação sobre a infiltração do crime organizado em estruturas do Estado.

A decisão da Primeira Turma, se confirmada com o voto de Cármen Lúcia, praticamente esgota as possibilidades de recursos no âmbito do Supremo. Isso aproxima o caso de uma resolução jurídica definitiva para os condenados, enviando um sinal claro de que crimes com motivação política e o envolvimento de agentes públicos terão punição.

Familiares das vítimas e ativistas de direitos humanos acompanham o processo com atenção desde o início. A lentidão da investigação e a série de reviravoltas geraram ceticismo, mas a condenação no STF representa uma vitória simbólica para aqueles que clamam por justiça para Marielle e Anderson.

Contexto

O assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes expôs as fragilidades da segurança pública e a complexa relação entre política, milícias e crime organizado no Rio de Janeiro. O caso se tornou um símbolo da violência política no Brasil e da luta por justiça e transparência, repercutindo internacionalmente como um exemplo da persistência de estruturas criminosas que desafiam o Estado. Sua resolução, mesmo após anos, representa um avanço significativo na tentativa de desarticular essas redes e reafirmar a força da lei frente à impunidade, especialmente quando altos funcionários públicos são implicados.

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