Grupo é composto majoritariamente por militares conhecidos como "kids pretos"

O STF inicia o julgamento de réus que tentaram um golpe após as eleições de 2022, conhecidos como "kids pretos".
Nesta terça-feira, 6 de outubro, a Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) começa a julgar os réus do núcleo 3 no processo que apura uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. O grupo é composto por 10 integrantes, a maioria deles militares das Forças Especiais, conhecidos como os “kids pretos”.
De acordo com a PGR (Procuradoria-Geral da República), os réus são acusados de serem os responsáveis pelo planejamento operacional do golpe, incluindo o plano denominado “Punhal Verde e Amarelo”, que previa o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
Quem são os réus e quais são as acusações?
Saiba quem são os réus e as principais acusações que recaem sobre cada um deles:
- Coronel do Exército: Segundo a PGR, ele pressionou o comandante do Exército para apoiar o golpe e organizou encontros entre militares das Forças Especiais, além de incentivar a divulgação de uma carta ao Comandante do Exército para influenciar a Alta Cúpula a aceitar o decreto de ruptura democrática.
- General da reserva: A PGR afirma que ele estimulou o então presidente Jair Bolsonaro a assinar o decreto golpista e se comprometeu a coordenar a ação militar para consumar a ruptura, caso o ato fosse formalizado. Também tentou pressionar o comandante do Exército, que era visto como um obstáculo ao golpe.
- Coronel do Exército: Teria participado das reuniões dos “kids pretos” e ajudado a formular diretrizes estratégicas para a execução do golpe. Ele produziu o documento “Ideias Força”, que proponha ações para acelerar a adesão interna no Exército e disseminar operações de desinformação.
- Tenente-coronel do Exército: Ele é apontado como autor da “Operação Luneta”, que detalhava fases do golpe, incluindo a prisão de ministros do STF, a criação de um gabinete de crise, o controle das instituições e uma campanha de desinformação. Além disso, participou do monitoramento do ministro Alexandre de Moraes.
- Coronel do Exército: Cedeu seu prédio para as reuniões dos “kids pretos” e participou da articulação para influenciar seus superiores. A PGR destaca que ele aderiu ao plano golpista mesmo sabendo que não havia fraude eleitoral.
- Tenente-coronel do Exército: Segundo a PGR, ele foi coidealizador da operação “Copa 2022”, que tinha como objetivo sequestrar e assassinar Alexandre de Moraes. Ele também gerenciou recursos financeiros para executar os planos golpistas.
- Tenente-coronel do Exército: Atuou na operação “Copa 2022” e monitorou diretamente Alexandre de Moraes, utilizando técnicas de anonimização e aparelhos clandestinos.
- Tenente-coronel: Ele assinou e divulgou uma carta de pressão ao então comandante do Exército, mas não há provas de sua participação direta no núcleo golpista. A PGR reconsiderou a denúncia e pediu a condenação dele apenas por incitação à animosidade entre as Forças Armadas e as instituições.
- Tenente-coronel: Atuou na difusão pública e digital da carta de pressão e buscou enfraquecer autoridades militares que resistiam ao golpe, mesmo sabendo que as alegações de fraude eram falsas.
- Agente da Polícia Federal: Forneceu informações estratégicas sobre a segurança da posse presidencial ao grupo bolsonarista e ajudou na etapa do assassinato de autoridades para criar caos social, justificando medidas excepcionais.
O julgamento dos réus é considerado um passo significativo na luta contra tentativas de desestabilização das instituições democráticas no Brasil.