O senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo no Senado, teve a venda de um terreno avaliado em R$ 15,8 milhões barrada por uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida integra uma das fases da Operação Compliance Zero, que mira suspeitas de atuação do parlamentar em favor de interesses ligados ao Banco Master. A defesa do senador nega veementemente qualquer irregularidade e argumenta que a negociação imobiliária teve início em 2024, antes do deflagrar da operação.
A informação, inicialmente divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo, foi prontamente confirmada pelo GLOBO, conferindo robustez à apuração jornalística. A investigação central foca em apurar indícios de que o senador teria utilizado sua influência para beneficiar o Banco Master, uma instituição financeira, levantando questionamentos sobre a conduta ética e legal de um agente público de alto escalão. Jaques Wagner, por sua vez, reitera a ausência de qualquer ato ilícito em suas ações.
Decisão Judicial e Restrições Abrangentes
A intervenção do ministro André Mendonça transcende o mero bloqueio da venda do terreno. Sua decisão judicial estabeleceu um conjunto de restrições a atividades econômicas do senador, um desdobramento direto da Operação Compliance Zero. Entre as medidas determinadas, encontram-se o bloqueio de contas, bens e valores pertencentes a Wagner, ampliando significativamente o alcance da investigação.
Para garantir a efetividade dessas restrições, cartórios e diversos órgãos públicos foram formalmente notificados. Essa comunicação abrangente visa impedir qualquer movimentação ou alienação de bens e valores por parte do senador, assegurando que as determinações judiciais sejam rigorosamente cumpridas e que não haja dilapidação de patrimônio que possa estar sob escrutínio. Tais bloqueios representam um impedimento direto para transações financeiras e imobiliárias, impactando diretamente a capacidade do indivíduo de gerir seus ativos enquanto as investigações prosseguem.
Entenda a Negociação do Terreno e Envolvidos
O terreno alvo do bloqueio judicial, avaliado em R$ 15,8 milhões, seria comercializado para a Lagoons Empreendimentos. Esta empresa, por sua vez, possui entre seus sócios o Grupo City, um conglomerado internacional de grande porte conhecido por comandar a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Esporte Clube Bahia. A conexão com o Grupo City eleva o perfil da transação, inserindo-a em um contexto de grandes investimentos e projetos de infraestrutura esportiva.
A aquisição do imóvel pela Lagoons Empreendimentos integra um projeto maior de desenvolvimento. Segundo a própria empresa, o terreno em questão destina-se a compor parte do espaço onde será implantado um empreendimento anexo ao Centro de Treinamento (CT) do Esporte Clube Bahia SAF. Este detalhe contextualiza a relevância estratégica da propriedade para os planos de expansão e modernização da infraestrutura do clube, que busca consolidar sua posição no cenário do futebol brasileiro com o apoio de um grupo global.
Defesa do Senador e a Linha do Tempo da Transação
Em nota oficial, a defesa do senador Jaques Wagner forneceu detalhes sobre a cronologia e a natureza da venda do imóvel. Conforme os advogados, a transação não possui qualquer vínculo com as investigações da Operação Compliance Zero, uma vez que a negociação foi iniciada em 2024 e formalizada em 2025 pelo City Football Group, um braço do Grupo City. Documentos apresentados pela defesa buscam atestar a legitimidade e a antecedência do negócio em relação à operação policial.
O acordo estabelecia uma permuta do imóvel: o senador cederia o terreno em troca de lotes no empreendimento a ser desenvolvido e receberia um pagamento antecipado de R$ 2 milhões. Este valor, segundo a defesa, foi devidamente declarado às autoridades fiscais, com o recolhimento do imposto sobre o ganho de capital (Documento de Arrecadação de Receitas Federais – DARF) efetuado em 30 de junho de 2025. A escritura pública que formalizou a permuta foi lavrada em maio de 2026, reforçando a tese de que se tratava de uma operação comercial legítima e transparente.
Posicionamento da Lagoons Empreendimentos e Due Diligence
A Lagoons Empreendimentos também se manifestou sobre a aquisição, confirmando que o processo para a compra de imóveis na região teve início em 2024. A empresa detalhou que estava adquirindo terrenos de diferentes proprietários, seguindo critérios técnicos estritos relacionados à implantação de seu empreendimento. O terreno do senador Jaques Wagner, adquirido em maio de 2025, representa apenas 4% da área total destinada ao projeto anexo ao Centro de Treinamento do Esporte Clube Bahia SAF, contextualizando sua dimensão dentro da totalidade da obra.
A empresa ressaltou que todas as suas aquisições foram realizadas com base em critérios de mercado, validadas por consultorias independentes. Além disso, a Lagoons Empreendimentos afirmou ter conduzido um rigoroso processo de due diligence, uma auditoria prévia que verifica a conformidade legal e financeira da transação. As certidões emitidas pelo Cartório de Registro de Imóveis, obtidas durante esse processo, não apontavam qualquer restrição que pudesse impedir a formalização da escritura pública de compra e venda. Desse modo, a compradora apenas seguiu os trâmites registrais necessários para a transferência do imóvel, iniciados em maio de 2025, segundo seu comunicado.