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Folha Jundiaiense

Só 4 ações da B3 de fato superam o CDI todos os anos desde 2022

Apenas Quatro Ações da B3 Superam o CDI por Cinco Anos Consecutivos em Cenário de Juros Elevados

Um levantamento exclusivo da Elos Ayta revela um cenário desafiador para a renda variável brasileira: apenas quatro das 347 ações listadas na B3 (Brasil, Bolsa, Balcão) conseguiram superar o CDI (Certificado de Depósito Interbancário) em todas as janelas anuais de 12 meses, de 2022 a 2026. As empresas que atingiram este feito notável são Sabesp (SBSP3), Copel (CPLE3), Cemig (CMIG4) e TIM (TIMS3).

Este dado sublinha a complexidade de obter retornos consistentes acima do principal benchmark da renda fixa brasileira, especialmente em um período caracterizado por taxas de juros elevadas. A competição dos investimentos conservadores com a bolsa de valores se intensifica, exigindo resiliência e fundamentos robustos das companhias que desejam se destacar.

A Dificuldade de Superar o CDI em Cenário de Juros Altos

Superar o CDI já é uma meta ambiciosa para a maioria das ações da Bolsa brasileira em tempos de juros elevados. Quando a taxa básica de juros, a Selic, está em patamares altos, o CDI – que acompanha de perto a Selic – oferece retornos atrativos com um risco significativamente menor. Este ambiente eleva a barra para a renda variável, que precisa justificar seu risco adicional com uma performance superior.

A pesquisa da Elos Ayta demonstra que a consistência na superação do CDI por cinco anos consecutivos é um feito ainda mais raro, indicando a força fundamental e a gestão estratégica das empresas vencedoras. Em um contexto macroeconômico de custo de capital elevado e menor apetite por risco, a capacidade de gerar crescimento e valor torna-se um diferencial competitivo crucial para o investidor.

O Impacto dos Juros na Decisão do Investidor

Quando o CDI oferece rendimentos robustos, os investidores se deparam com uma oportunidade de aplicar recursos em ativos de baixo risco, como títulos públicos atrelados à Selic ou fundos DI, e obter retornos competitivos. Isso cria um “custo de oportunidade” para a renda variável: para atrair capital, as ações precisam oferecer um prêmio de risco maior, entregando lucros que superem o que se obteria com menos volatilidade.

Nesse cenário, apenas companhias com uma clara capacidade de gerar crescimento consistente de lucros, manter disciplina financeira, distribuir caixa de forma previsível – muitas vezes via dividendos – e navegar por diferentes ciclos macroeconômicos conseguem manter um desempenho superior ao benchmark da renda fixa ao longo do tempo. Esta exigência filtra drasticamente o universo de empresas aptas a se destacar.

As Quatro Ações Resilientes: Um Raio-X dos Campeões

No acumulado dos últimos cinco anos, a líder do ranking de valorização foi a Sabesp (SBSP3), que registrou uma impressionante valorização de 375,06%. Este desempenho robusto destaca a empresa de saneamento como um modelo de resiliência e gestão em um período desafiador para o mercado.

Na sequência, figuram a Copel (CPLE3), com uma alta de 297,23%, e a Cemig (CMIG4), que avançou 186,16%. Ambas as companhias pertencem ao setor elétrico, um segmento tradicionalmente conhecido por sua estabilidade. Completando o quarteto de vencedoras, a TIM (TIMS3), do setor de telecomunicações, apresentou um ganho de 162,86%.

Os números refletem não apenas a valorização das ações, mas também a capacidade dessas empresas de gerar retornos consistentemente superiores ao CDI em todas as janelas anuais analisadas. Para o investidor, esses dados servem como um balizador importante para a escolha de ativos que resistem às volatilidades do mercado.

Perfil dos Setores Vencedores: Utilities e Telecom em Destaque

Um dos aspectos mais notáveis do levantamento é o perfil das empresas que conseguiram superar o CDI em todas as janelas anuais. Das quatro ações, duas pertencem ao setor elétrico — Copel e Cemig —, uma ao setor de saneamento — Sabesp —, e a outra ao setor de telecomunicações — TIM. Este padrão não é uma mera coincidência.

Esses setores, frequentemente categorizados como “utilities” ou serviços públicos essenciais, são associados a características cruciais em momentos de instabilidade. Eles tipicamente possuem receitas mais previsíveis, uma geração recorrente de caixa robusta e modelos de negócios que dependem menos do ciclo econômico geral, em comparação com segmentos mais sensíveis ao consumo discricionário ou à atividade industrial.

A presença predominante de empresas de utilities e telecomunicações sugere que a consistência dos retornos esteve mais relacionada à resiliência intrínseca de seus negócios do que a movimentos pontuais ou especulativos de mercado. Essas companhias, ao longo dos últimos anos, combinaram fatores como melhoria operacional contínua, disciplina financeira rigorosa, distribuição estratégica de dividendos e maior previsibilidade de resultados, atributos altamente valorizados por investidores em ambientes de juros elevados.

O Desempenho do Ibovespa: Um Alerta para o Mercado

O estudo da Elos Ayta também lança luz sobre o desempenho do próprio Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira. Nas cinco janelas anuais analisadas, o Ibovespa conseguiu superar o CDI em apenas duas ocasiões: nas janelas encerradas em 27 de julho de 2023 e de 2026. Nos outros três períodos, o retorno da Bolsa ficou abaixo da remuneração oferecida pela renda fixa.

Este resultado do Ibovespa reforça um dos principais consensos do mercado financeiro: quanto mais elevados os juros básicos da economia, maior o desafio para a renda variável entregar retornos capazes de compensar o risco adicional assumido pelos investidores. A performance modesta do índice geral da bolsa serve como um indicativo da seletividade necessária para o sucesso em investimentos em ações.

O Que Está em Jogo para o Investidor

Para o investidor, a análise da Elos Ayta é um lembrete contundente da importância de uma estratégia de alocação de ativos bem pensada. Em ciclos de Selic elevada e CDI atraente, a escolha de empresas se torna mais crítica. Não basta investir na bolsa; é fundamental identificar companhias com fundamentos sólidos, resiliência comprovada e modelos de negócios que suportem os desafios do ambiente macroeconômico.

A capacidade de gerar valor e retornos acima do CDI em um período prolongado e adverso demonstra a qualidade intrínseca dessas empresas. Para os cidadãos que buscam proteger e aumentar seu capital, entender que nem todas as ações são iguais – e que setores específicos podem oferecer maior estabilidade – é crucial para decisões de investimento informadas e para a construção de um portfólio robusto.

Metodologia do Estudo Elos Ayta

O levantamento realizado pela Elos Ayta englobou todas as ações listadas na B3 que possuíam histórico de negociação e liquidez suficientes para uma análise precisa. Este universo inicial compreendeu um total de 347 papéis, garantindo uma base representativa do mercado de ações brasileiro.

Para cada data-base estabelecida — 27 de julho de 2022, 2023, 2024, 2025 e 2026 —, a metodologia consistiu em calcular a rentabilidade acumulada nos 12 meses anteriores. Importante ressaltar que para este cálculo, foi considerada exclusivamente a variação do preço das ações, desconsiderando dividendos ou outros proventos para focar na performance pura do ativo.

Posteriormente, o desempenho de cada empresa foi rigorosamente comparado ao retorno acumulado do CDI na respectiva janela anual. O critério de inclusão no ranking final foi extremamente seletivo: apenas as companhias que conseguiram superar o CDI em todas as cinco janelas anuais consecutivas foram consideradas, um filtro que reduziu a lista para as mencionadas quatro ações entre as centenas de empresas inicialmente analisadas.

Contexto

A persistência de juros altos no Brasil, refletida na taxa Selic e no CDI, reconfigura o panorama de investimentos ao elevar a atratividade da renda fixa. Este cenário desafia a renda variável a comprovar sua capacidade de gerar valor, empurrando investidores a buscar empresas com fundamentos sólidos e modelos de negócios resilientes. A performance destacada de setores como saneamento, elétrico e telecomunicações em momentos econômicos desafiadores reforça a busca por segurança e previsibilidade nos retornos.

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