Senado analisa projeto que proíbe alterações no texto da Bíblia; Malafaia lidera ato pró-Bolsonaro em São Paulo
A Comissão de Educação e Cultura do Senado se reúne nesta terça-feira (3), às 10h, para deliberar sobre 14 itens, com destaque para o projeto de lei que visa impedir qualquer modificação no texto da Bíblia. A proposta (PL 4.606/2019) busca proibir adaptações, supressões ou acréscimos aos capítulos e versículos do livro sagrado. A votação ocorrerá no Senado, em Brasília.
Projeto de Lei visa proteger texto bíblico
De autoria do deputado Pastor Sargento Isidório (Avante-BA), o projeto tem como objetivo “manter a inviolabilidade de seus capítulos e versículos e garantir a pregação do seu conteúdo em todo o território nacional”. A senadora Dra. Eudócia (PL-AL), relatora da matéria, apresentou parecer favorável.
Em seu relatório, a senadora Eudócia defende que a proposta demonstra um compromisso com a proteção da Bíblia, considerada fundamental para a fé cristã por milhões de brasileiros. Ela rejeitou uma emenda do senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR) que previa o reconhecimento de versões canônicas adotadas por diferentes confissões religiosas, argumentando que tal sugestão poderia tornar o texto bíblico “suscetível a concepções ideológicas e doutrinárias de tradições religiosas não dedicadas à interpretação dos referenciais simbólicos cristãos”.
A relatora apresentou uma emenda de redação para assegurar a liberdade de tradução a partir de manuscritos reconhecidos pelas igrejas cristãs, garantindo também a liberdade de interpretação e a produção de versões comentadas, infantis, acadêmicas ou artísticas. O tema gerou debates no meio religioso ao longo de 2025, em audiências públicas promovidas pela comissão.
Em outubro, teólogos alertaram para os possíveis impactos acadêmicos e legais da proposta, ressaltando que a interpretação dos textos bíblicos evoluiu ao longo da história. Em dezembro, pastores defenderam o projeto como uma forma de proteger o texto sagrado, argumentando que cristãos, tanto católicos quanto evangélicos, representam a maioria da população brasileira.
Ato na Paulista pede liberdade para Bolsonaro e critica ministros do STF
No domingo (1º), o pastor Silas Malafaia organizou um ato na Avenida Paulista, em São Paulo, com o objetivo de pedir a liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro e o impeachment dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). A manifestação também incluiu críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
De acordo com o Monitor do Debate Político da Universidade de São Paulo (USP) e a ONG More in Common, a estimativa de público foi de 20,4 mil pessoas. A organização do evento, no entanto, contesta os números, alegando que a USP costuma divulgar estimativas abaixo do total real presente nas manifestações.
Presenças notórias na manifestação
O evento ocorreu na altura do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) e contou com a presença de lideranças políticas como o senador Flávio Bolsonaro, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, e o deputado Nikolas Ferreira.
Contexto
A análise do projeto que proíbe alterações na Bíblia ocorre em um momento de crescente debate sobre a laicidade do Estado e o papel da religião na política brasileira. Já o ato em defesa de Bolsonaro demonstra a polarização política persistente no país e a mobilização de seus apoiadores. Ambos os eventos refletem tensões relevantes no cenário político e social atual.