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Selic: Copom age e FIIs de papel sofrem forte revés AGORA

Queda da Selic Promete Volatilidade e Oportunidades em Fundos Imobiliários

A esperada queda da taxa Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, deve ocorrer de forma mais gradual do que o inicialmente previsto pelo mercado. Essa mudança de perspectiva, segundo especialistas, impacta diretamente os fundos imobiliários (FIIs), gerando volatilidade no curto prazo, mas ainda abrindo novas oportunidades para investidores atentos. A avaliação foi feita durante o FII Experience, evento realizado no Cubo Itaú, em São Paulo.

Economistas e gestores de investimentos enfatizam que o cenário global, marcado por tensões geopolíticas e pressões inflacionárias sobre as commodities, especialmente o petróleo, adiciona complexidade à política monetária brasileira. Essa conjuntura exige cautela e recalibração das expectativas em relação ao ritmo de redução da Selic.

Impacto da Revisão das Expectativas de Juros nos FIIs

Brunno Bagnariolli, CIO (Chief Investment Officer) da estratégia imobiliária da JiveMauá, ressalta que o mercado, em um primeiro momento, superestimou a velocidade da queda dos juros. Essa antecipação levou a uma valorização dos fundos imobiliários, que agora passam por um período de correção de preços.

Essa correção, no entanto, não é vista como um sinal de alerta, mas sim como uma oportunidade estratégica. Bagnariolli compara a situação a um “paredão falso”, indicando que o ajuste de preços cria um novo ponto de entrada para investidores, especialmente porque os fundamentos do mercado imobiliário se mantêm sólidos.

O Cenário Externo e as Dúvidas sobre a Política Monetária

Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Asset, concorda que o cenário externo é o principal fator de incerteza. “O que gerou dúvidas é realmente o cenário externo. A gente não sabe ainda a magnitude dos efeitos desse choque”, afirma.

Apesar das incertezas globais, Sung acredita que o Brasil ainda possui condições internas para realizar cortes adicionais na Selic. O economista pondera, entretanto, que esse processo deverá ser mais lento e gradual do que o anteriormente projetado.

Apesar das incertezas globais, o cenário interno brasileiro ainda permite vislumbrar cortes adicionais na taxa básica de juros. A questão central reside no ritmo em que esses cortes serão implementados, influenciados diretamente pela evolução do quadro internacional.

Sung projeta que o Banco Central (BC) promoverá um corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em abril. Posteriormente, o ritmo de cortes deverá retornar a 0,5 ponto percentual, encerrando o ano com a Selic em 12,5% ao ano. “A gente segue um corte de 0,25 na próxima reunião em abril. Depois, volta a cortar 0,5 e encerra o ano em 12,5. A gente não muda a nossa taxa terminal”, detalha Sung.

Resiliência do Crédito Imobiliário Diante do Cenário Macroeconômico

Apesar do cenário macroeconômico desafiador, o crédito imobiliário se destaca pela sua resiliência. Bagnariolli, da JiveMauá, enfatiza que essa classe de ativos possui boas garantias e uma estrutura robusta, capaz de suportar períodos de turbulência sem grandes perdas.

Mesmo em situações de inadimplência por parte de inquilinos, a possibilidade de substituição reduz significativamente o risco estrutural da operação. A solidez do mercado imobiliário se assemelha à de um “transatlântico”, capaz de absorver oscilações de curto prazo, ao contrário de ativos mais sensíveis.

A capacidade de adaptação do mercado imobiliário foi testada em crises recentes, como a pandemia de Covid-19. O setor demonstrou flexibilidade e conseguiu se ajustar às novas demandas e desafios impostos pelo contexto sanitário e econômico.

“Mesmo que um inquilino enfrente dificuldades, há a possibilidade de substituição, o que reduz o risco estrutural da operação”, reforça Bagnariolli.

O Impacto de Juros Elevados nos Inquilinos e Empresas

Bagnariolli observa que o atual choque não afeta diretamente os imóveis, mas sim os inquilinos e as empresas, devido aos juros mais altos, especialmente aqueles atrelados ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário). “Esse mercado já atravessou crises até mais severas, como a própria Covid, que impactou diretamente os imóveis. A diferença agora é que o choque não atinge os ativos em si, mas os inquilinos e as empresas. É um cenário muito mais ligado a juros mais altos, especialmente atrelados ao CDI”, explica.

Apesar do cenário desafiador, a solidez do mercado imobiliário, a estrutura de garantias e a capacidade de adaptação demonstram a resiliência do setor. Investidores devem acompanhar de perto a evolução do cenário macroeconômico e as decisões do Banco Central, buscando oportunidades estratégicas em meio à volatilidade.

Por que isso importa?

A política monetária, definida pelo Banco Central, afeta diretamente o custo do crédito e, consequentemente, o mercado imobiliário. Entender as nuances das decisões do Copom e as perspectivas para a Selic é fundamental para investidores e para o setor da construção civil, que dependem de taxas de juros competitivas para impulsionar o crescimento.

Contexto

A taxa Selic é o principal instrumento de política monetária utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. A decisão sobre a Selic é tomada a cada 45 dias pelo Copom. O mercado financeiro acompanha de perto essas decisões, pois elas influenciam diretamente os investimentos e a economia brasileira. A queda da Selic, mesmo que gradual, é vista como um estímulo para o crescimento econômico, especialmente para setores como o imobiliário.

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