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Folha Jundiaiense

Saúde reforça vacinação de crianças contra sarampo em SP e Guarulhos

O Ministério da Saúde recomendou, nesta sexta-feira (26), a aplicação emergencial da chamada dose zero da vacina tríplice viral. A medida mira crianças entre 6 e 11 meses e 29 dias, para reforçar a proteção contra o sarampo após a detecção de três casos na Zona Norte de São Paulo e o risco de reintrodução da doença em áreas de alta circulação, como Guarulhos.

Os diagnósticos, confirmados pelo Instituto Adolfo Lutz e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), acenderam o alerta sanitário. Duas das crianças infectadas frequentavam a mesma creche, enquanto a terceira residia na mesma localidade. Todas apresentaram quadro clínico compatível com sarampo, incluindo febre alta, exantema e sintomas respiratórios. A doença, de alta contagiosidade, impõe uma mobilização rápida para evitar o alastramento.

Embora os casos sejam classificados como prováveis “importações” – ou seja, infecções contraídas a partir de contato com pessoas vindas do exterior – o alerta se impõe. O Ministério da Saúde, contudo, frisou que o Brasil mantém o status de país livre de sarampo, um reconhecimento conquistado com grande esforço em 2016 e que exige vigilância constante para ser mantido.

A dose zero atua como um escudo protetor extra.

Ela é administrada antes da idade prevista no calendário vacinal regular, que indica a primeira dose aos 12 meses e a segunda aos 15 meses. Esta estratégia visa blindar o grupo mais vulnerável às complicações severas da doença, como pneumonia, otite, diarreia e, em situações extremas, encefalite, que pode deixar sequelas permanentes ou ser fatal.

Para viabilizar a ação, cerca de 100 mil doses da vacina tríplice viral serão enviadas para as duas cidades paulistas. A escolha de São Paulo e Guarulhos não é aleatória; reflete a densidade populacional da capital e o intenso fluxo de viajantes no Aeroporto Internacional de Guarulhos, portas de entrada e saída cruciais para o país.

A urgência da medida se justifica pela velocidade com que o sarampo se espalha. Uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para até 90% das pessoas não imunizadas com quem tiver contato próximo. O risco é real de que a doença volte a circular endemicamente no país, demandando recursos e esforços que já deveriam estar direcionados para outras prioridades de saúde pública.

Vigilância Ativa e Barreiras Sanitárias

Além da dose zero, a resposta do Ministério da Saúde envolve um conjunto robusto de medidas de vigilância. Equipes de saúde pública intensificaram a busca ativa de casos suspeitos, realizando um rastreamento minucioso em busca de pessoas com sintomas. Este trabalho de campo é fundamental para identificar rapidamente novos focos e isolar os portadores do vírus, evitando novas contaminações.

Paralelamente, ações de identificação e monitoramento de contactantes estão em curso. Pessoas que tiveram contato com os casos confirmados são acompanhadas de perto para verificar o surgimento de sintomas, que podem aparecer até 21 dias após a exposição. A investigação epidemiológica completa a análise, buscando mapear a origem e a trajetória da doença.

O bloqueio vacinal nas áreas de risco complementa a estratégia, aplicando doses adicionais em torno dos focos da doença para criar uma barreira imunológica. Esse conjunto de ações coordena esforços para interromper as cadeias de transmissão e proteger a população.

Alerta Global e a Copa do Mundo 2026

O cenário internacional adiciona uma camada de preocupação. Países como Estados Unidos, Canadá e México, que serão anfitriões da Copa do Mundo FIFA 2026, enfrentam alta circulação de sarampo. O aumento do fluxo de viajantes para esses eventos globais eleva consideravelmente o risco de importação de casos para o Brasil.

Os números ilustram a gravidade da situação: nos EUA, foram 2.288 casos em 2025, e 2.104 em 2026 (até 20 de junho). No Canadá, após 5.075 casos no ano passado, já somam 1.073 este ano. O México, por sua vez, registrou um salto preocupante: de apenas sete casos em 2024, para 6.586 em 2025 e impressionantes 11.771 em 2026.

Este aumento global de casos de sarampo, impulsionado em parte pela queda nas coberturas vacinais em diversas regiões do mundo, reforça a necessidade de que os viajantes brasileiros verifiquem e atualizem seu status vacinal antes de qualquer embarque internacional.

Para crianças de 6 a 11 meses e 29 dias que forem viajar para áreas de risco, a dose zero da vacina tríplice viral é uma proteção adicional recomendada antes do esquema de rotina. Contudo, essa dose não anula as demais previstas no Calendário Nacional de Vacinação, que estabelece duas doses para crianças, aos 12 e 15 meses de idade.

Adultos até 29 anos sem vacinação comprovada devem receber duas doses. Pessoas entre 30 e 59 anos, por sua vez, devem tomar ao menos uma dose da vacina. A proteção individual reflete na segurança coletiva, impedindo que a doença ressurja com força total.

Contexto

O sarampo, uma das doenças infecciosas mais contagiosas, já foi considerado eliminado no Brasil, com o país recebendo essa certificação da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) em 2016. Essa conquista foi resultado de décadas de campanhas massivas de vacinação e vigilância epidemiológica intensificada. No entanto, a queda nas taxas de cobertura vacinal observada nos últimos anos, aliada à circulação global do vírus, tornou o Brasil novamente vulnerável. A manutenção do status de país livre de sarampo exige coberturas vacinais elevadas, acima de 95% em todas as regiões, e um sistema de vigilância robusto capaz de detectar e responder rapidamente a qualquer caso importado, evitando a reintrodução da doença de forma endêmica.

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