Ainda pulsava a esperança no ar da Fonte Nova. O São Paulo, que havia tomado um golpe duplo nos primeiros minutos, buscou uma virada heroica no placar. Mas, em mais uma noite de frustração longe de casa, o time sucumbiu a um gol tardio do Bahia, que decretou a derrota por 3 a 2 na 33ª rodada do Campeonato Brasileiro.
O revés, que parecia improvável após a garra tricolor para igualar o marcador, estendeu um calvário para a equipe paulista. Não apenas o jejum de vitórias como visitante no Brasileirão se mantém, mas a busca por uma virada completa no torneio continua em aberto, desde março.
A Sina Fora de Casa e a Virada Que Não Veio
A cada rodada longe do Morumbi, o São Paulo se depara com um cenário que parece se repetir. A dificuldade de somar pontos como visitante custa caro na tabela e mina a moral dos jogadores.
“Tivemos desatenção praticamente nos três gols. Conseguimos o mais difícil, que foi empatar e até dominar um pouco, mas dormimos novamente no terceiro gol”, desabafou Lucas na saída do campo, em declaração que ecoa o sentimento da torcida.
A equipe de Dorival Júnior estacionou nos 43 pontos, caindo para a décima posição. O Red Bull Bragantino, ao vencer a Chapecoense por 3 a 0, ultrapassou o Tricolor, que vê suas ambições na temporada esfriarem a cada tropeço.
Do outro lado, o Bahia celebrou a vitória que o recoloca na briga por um lugar na Copa Libertadores de 2027. Com 53 pontos, o Esquadrão de Aço ocupa a sexta colocação, colado em Cruzeiro, Athletico Paranaense e Fluminense, todos com 54 pontos.
A disputa pelo G-5, que garante vaga direta no torneio continental, esquenta, e cada ponto é vital. Para o próximo embate, o Tricolor Paulista terá um clássico contra o Corinthians na Vila Belmiro, na quarta-feira (4).
Nesta partida, o zagueiro Sabino será desfalque certo, cumprindo suspensão automática pelo terceiro cartão amarelo. Já o clube soteropolitano tem compromisso com o Cruzeiro no Mineirão na quinta-feira (5).
O Jogo: Da Tempestade ao Grito de Gol
A capital baiana recebeu a partida sob um gramado pesado pela chuva, cenário que impôs dificuldades a ambas as equipes. O São Paulo entrou em campo com seu trio de ataque completo – Lucas, Calleri e Luciano – pela primeira vez em meses, mas a conexão demorou a acontecer.
O Bahia, por sua vez, demonstrou intensidade e soube explorar as vulnerabilidades da defesa paulista, especialmente nas laterais e no meio-campo, com atenção sobre Wendell, Pablo Maia e Sabino.
Déficit Rápido e a Reação Tricolor
Os anfitriões não se abalaram com a ausência de Willian José e aproveitaram as primeiras falhas defensivas do São Paulo. Em apenas dez minutos, o Tricolor Baiano balançou as redes duas vezes.
Aos seis minutos, Jean Lucas cruzou da direita e Rodrigo Nestor cabeceou com precisão, rente à trave esquerda do goleiro Rafael. Pouco depois, aos dez, Marcos Victor avançou pela intermediária, invadiu a grande área e serviu Erick Pulga, que se antecipou e completou para o gol, abrindo 2 a 0.
Com dois gols de desvantagem, o São Paulo lutou para se encontrar no campo ofensivo. A marcação baiana dificultava a chegada da bola ao trio de frente. Somente após os 35 minutos, quando o ritmo do Bahia diminuiu, a equipe paulista começou a rondar a área adversária.
A reação veio antes do intervalo. Aos 43 minutos, Lucas arriscou um chute rasteiro e certeiro no canto direito de Ronaldo, diminuindo o placar. Já nos acréscimos, aos 50, Bobadilla aproveitou um rebote de escanteio e, com um chute potente, acertou o ângulo direito, empatando o jogo.
O São Paulo retornou para o segundo tempo com mais ímpeto ofensivo, enquanto o Bahia começou a sentir a pressão da torcida, que vaiou parte dos 20.492 espectadores presentes.
Percebendo a queda de rendimento, o técnico Rogério Ceni, do Bahia, agiu. Fez três alterações no ataque logo aos dez minutos, com as entradas de Everton Ribeiro, Erick e Ademir, que deram novo fôlego ao Esquadrão.
A equipe da casa voltou a incomodar. Em cobrança de falta, Rodrigo Nestor exigiu uma grande defesa de Rafael, que espalmou a bola contra a trave, afastando o perigo.
A melhora do Bahia se concretizou aos 36 minutos. Após cobrança de falta, Marcos Victor subiu mais que a defesa e cabeceou para o fundo das redes, marcando o terceiro gol que definia a vitória baiana.
Somente depois de ver o placar novamente desfavorável, Dorival Júnior promoveu as entradas de Victor Sá, Cauly e Danielzinho. Contudo, o Bahia soube administrar o resultado nos minutos finais, garantindo os três pontos.
Impacto na região
Para o torcedor do interior paulista, especialmente em cidades como Jundiaí e adjacências, o desempenho dos grandes da capital reverberam diretamente. Muitos jovens atletas locais sonham em vestir as camisas dos clubes mais importantes do estado.
Uma derrota como essa para o São Paulo não apenas afeta o humor nas mesas de bar e nas rodas de conversa, mas também pode influenciar a percepção sobre a trajetória do time no cenário nacional, afetando desde a venda de produtos oficiais até o ânimo para acompanhar os próximos desafios. A conexão do torcedor de Jundiaí com o Tricolor é profunda, e a montanha-russa de emoções do Brasileirão é vivida intensamente, do futebol amador ao profissional.
O Labirinto da Tabela: O Que Muda Para o São Paulo e o Campeonato
A derrota em Salvador não é apenas mais um revés para o São Paulo; ela se insere em um contexto maior de instabilidade e transição que o clube vive desde a conquista da Copa do Brasil. A dificuldade em engrenar nos pontos corridos, especialmente longe de sua casa, mostra um desafio contínuo para o Tricolor que, apesar de um elenco robusto, ainda busca a consistência de um postulante ao topo da tabela.
A evolução dessa situação é crucial para o clube, que agora precisa reavaliar suas estratégias para as rodadas finais. A pressão sobre Dorival Júnior aumenta, e a necessidade de reverter o cenário longe do Morumbi se torna um imperativo. Cada jogo restante é uma final, com o peso de definir não só a posição final no campeonato, mas também o planejamento para a próxima temporada.
Para o esporte brasileiro, esse momento reflete a imprevisibilidade do Campeonato Brasileiro, onde times com orçamentos e históricos distintos batalham por objetivos ambiciosos. A ascensão do Bahia, que se coloca de vez na briga por uma vaga na Libertadores, e a oscilação de um gigante como o São Paulo, são elementos que mantêm a competição vibrante e as emoções à flor da pele, provando que na reta final, cada detalhe, cada desatenção, pode ser decisivo.



