Um cenário inusitado e perigoso marcou a manhã de votação em Hortolândia: o chão em frente a um colégio eleitoral virou um tapete escorregadio de “santinhos”, resultando na queda de uma eleitora idosa.
O incidente, registrado nas primeiras horas do domingo (4), reacendeu o debate sobre a prática ilegal da “forração” de ruas com material de campanha, um problema recorrente que a Legislação Eleitoral tenta combater.
A Perigosa “Chuva” de Santinhos nas Eleições
A ocorrência que chamou a atenção aconteceu na Escola Estadual do Jardim Santa Clara do Lago, onde uma mulher foi ao chão após pisar na propaganda política descartada.
Com as duas mãos machucadas, a eleitora manifestou sua indignação. “Olha aí, ó: escorreguei num monte e bati com as duas mãos no chão”, reclamou, apontando o desperdício e o risco.
Ela descreveu o susto, ponderando as consequências. “É um perigo. Eu ia parar no chão, machuquei a mão, senão tinha batido a cabeça no chão”, declarou, preocupada com a própria segurança e a de outros votantes.
Apesar da proibição, a distribuição massiva de “santinhos” às vésperas e durante o dia do pleito, conhecida como “forração”, persiste como um desafio para as autoridades.
Uma equipe da Prefeitura de Hortolândia agiu rapidamente, realizando a limpeza da área afetada para evitar novos acidentes e garantir o livre acesso aos locais de votação.
Impacto na região
Embora o episódio tenha sido noticiado em Hortolândia, a questão do descarte irregular de material de campanha ecoa por toda a região, impactando diretamente o cotidiano de cidades como Jundiaí e outros municípios vizinhos.
A prática, além de ferir a Lei Eleitoral, representa um risco real de acidentes, obstruindo calçadas e entradas de seções para milhares de eleitores, especialmente idosos e pessoas com mobilidade reduzida.
Tal situação reforça a importância da fiscalização e da conscientização para que o processo democrático seja seguro e acessível a todos os cidadãos.
Urnas que Atrasam o Voto: Problemas Técnicos e Filas
Além dos percalços causados pela sujeira nas ruas, o dia da votação em Hortolândia foi marcado por desafios técnicos, especialmente relacionados às urnas eletrônicas.
Segundo Dalberson Almeida, chefe do Cartório Eleitoral, duas das 490 urnas disponibilizadas na cidade apresentaram problemas e precisaram ser substituídas no início do pleito.
As falhas provocaram lentidão, gerando filas e uma espera maior do que o habitual para os eleitores que se dirigiam às seções.
As localidades que registraram as trocas foram o CDP (Centro de Detenção Provisória), nas Chácaras Boa Vista, e a Escola Municipal Samuel da Silva Mendonça, no Jardim Nova Europa.
Apesar dos transtornos iniciais, as substituições ocorreram sem maiores intercorrências, garantindo a continuidade do exercício democrático.
O Raio-X do Eleitorado e o Chamado à Cidadania
Hortolândia mobilizou 164.236 eleitores aptos a participar do pleito neste domingo, um número ligeiramente inferior ao das Eleições Gerais de 2022.
Desse total, 13.257 cidadãos tinham o voto facultativo, grupo que inclui analfabetos, idosos com 70 anos ou mais e adolescentes de 16 e 17 anos.
O maior ponto de concentração de votantes na cidade foi a Escola Estadual Professor Euzébio Antônio Rodrigues, situada na Avenida Brasil, no Jardim Amanda II.
Historicamente, a abstenção no primeiro turno das Eleições Gerais de 2022 em Hortolândia atingiu 19,76%, um dado que reflete o engajamento da população.
O prefeito Zezé Gomes (Republicanos) compareceu à EE Pastor Roberto Rodrigues de Azevedo para votar e aproveitou a ocasião para reforçar a importância da participação cidadã.
“É muito importante que a gente vote, não deixe de votar, não fique em casa, não anule o voto”, apelou o prefeito, destacando que cada escolha na urna define os rumos da cidade.
Ele frisou que o voto não é apenas um direito, mas uma ferramenta poderosa que impacta diretamente os próximos quatro anos da administração pública, moldando o futuro de todos.
A persistência de um desafio democrático
A questão dos “santinhos” espalhados e os problemas com urnas não são incidentes isolados, mas sim reflexos de desafios persistentes que acompanham as eleições brasileiras há décadas.
Mesmo com a evolução das regulamentações e o aprimoramento contínuo da Justiça Eleitoral, a prática da “forração” ainda se manifesta, muitas vezes no calor dos momentos finais de campanha.
Este cenário demonstra a constante necessidade de fiscalização, educação cívica e adaptação da infraestrutura para garantir a lisura e a segurança do processo.
A complexidade de organizar uma votação em massa, com milhões de pessoas em diferentes realidades, impõe um aprendizado contínuo para autoridades e eleitores.
A experiência deste pleito em Hortolândia, com seus percalços e apelos, serve como um microcosmo dos desafios e da vitalidade da democracia em ação.


