Aos 37 anos, o icônico armador Russell Westbrook anunciou, nesta quarta-feira (12), o fim de sua carreira profissional no basquete, marcando o encerramento de 18 temporadas na National Basketball Association (NBA). A notícia veio através do perfil oficial do astro nas redes sociais, pegando de surpresa fãs e especialistas. Em uma mensagem concisa e poética, Westbrook declarou: “Às vezes, você nem sabe quando já assistiu ao final. Você tinha que estar lá. E agora acabou”. A frase ressoa com a intensidade e a imprevisibilidade que marcaram sua trajetória nas quadras.
A comunicação da aposentadoria foi acompanhada por um vídeo emocionante, que revisitava os grandes momentos de Westbrook na principal liga de basquete do mundo. A narração do material ficou a cargo de Michael B. Jordan, ator vencedor do Oscar de Melhor Ator em 2026 por sua atuação no filme Pecadores. A produção visual e a voz de Jordan adicionaram um toque cinematográfico à despedida de um atleta cuja carreira foi recheada de atuações dignas de roteiro.
A Ascensão de um MVP: O Legado no Oklahoma City Thunder
Westbrook foi a quarta escolha do Draft de 2008, chegando à NBA com a promessa de um talento explosivo. Ele rapidamente se consolidou como um dos maiores nomes da liga nas últimas duas décadas. Por 11 anos ininterruptos, defendeu as cores do Oklahoma City Thunder, onde não apenas atingiu o ápice de sua carreira, mas também redefiniu o conceito de um armador completo. Foi pela franquia que ele conquistou o prêmio de Most Valuable Player (MVP) da liga em 2017, um dos feitos mais notáveis de sua jornada.
Dentro da história do Thunder, a afirmação de que Westbrook é o maior jogador de todos os tempos da franquia não é um exagero. Sua dedicação e performance o elevaram ao status de lenda em Oklahoma. A expectativa no meio do basquete é que a camisa número 0, imortalizada por ele, seja aposentada pela equipe em breve, um reconhecimento perene de sua contribuição. O gesto simboliza o impacto duradouro que ele teve na cultura e no desempenho do time.
No período em que vestiu a camisa do Thunder, Russell Westbrook disputou 821 jogos na NBA. Suas médias impressionam: 23 pontos, 8,4 assistências e sete rebotes por partida. Com um total de 18.559 pontos, ele se tornou o maior cestinha da história da franquia, um marco que sublinha seu poder ofensivo e sua longevidade em alto nível. O melhor resultado coletivo de Westbrook com o Thunder foi o vice-campeonato da liga em 2012, quando a equipe demonstrou um potencial promissor, mas acabou superada.
A Trajetória Pós-Thunder: Desafios e Recordes em Novas Equipes
Em julho de 2019, o ciclo de Westbrook em Oklahoma chegou ao fim com uma troca de impacto. Ele se mudou para o Houston Rockets, em uma negociação que enviou Chris Paul para o Thunder. Em Houston, Westbrook se reuniu com o antigo companheiro de equipe, James Harden, formando uma dupla de armadores de altíssimo nível. A expectativa era alta para que a parceria rendesse frutos significativos e talvez um título.
No entanto, a passagem pelo Texas não entregou os resultados esperados em termos de sucesso coletivo. Embora os Rockets tenham caído na semifinal da Conferência Oeste, a performance individual de Westbrook se manteve robusta. Suas médias em Houston foram de 27,2 pontos, 7,9 rebotes e sete assistências, números que comprovam sua capacidade de impactar o jogo em múltiplas frentes, mesmo em um ambiente de transição e adaptação a um novo sistema tático.
Em meio a rumores de insatisfação em Houston, Russell Westbrook foi novamente negociado em dezembro de 2020, desta vez para o Washington Wizards. Na capital dos Estados Unidos, o armador reencontrou um basquete de altíssimo nível. Foi durante sua passagem pelos Wizards que ele registrou médias de triplo-duplo na NBA, com 22,2 pontos, 11,7 assistências e 11,5 rebotes. Este feito, que se tornou uma marca registrada de sua carreira, demonstra sua excepcional versatilidade. Apesar de suas performances individuais brilhantes, o time de Washington foi eliminado na primeira rodada dos playoffs.
No ano seguinte, em 2021, uma nova troca levou Russell Westbrook ao Los Angeles Lakers. O armador teve a oportunidade de jogar ao lado do craque LeBron James, um dos maiores jogadores de todos os tempos. Contudo, essa experiência, cercada de enorme expectativa, não foi das melhores. Westbrook enfrentou dificuldades para se ajustar ao esquema tático e à dinâmica do elenco, chegando a ser relegado ao banco de reservas, o que gerou insatisfação. Consequentemente, ele foi negociado na trade deadline de 2023 para o Utah Jazz, embora não tenha chegado a entrar em quadra pelo time de Salt Lake City.
Na sequência desses eventos, Westbrook assinou com o Los Angeles Clippers. Sua permanência na equipe durou pouco mais de um ano, até ele se tornar novamente uma moeda de troca. A passagem pelos Clippers marcou, para muitos, o início de um declínio gradual em sua performance, e sua continuidade na liga começou a ser vista como uma incógnita. Sua explosividade e dominância física, características que o definiram por anos, já não eram as mesmas.
Ainda assim, o armador jogou mais duas temporadas na liga após o Clippers, defendendo as cores do Denver Nuggets e, por último, do Sacramento Kings. Na equipe da Califórnia, Westbrook disputou os seus últimos jogos oficiais na NBA. Suas médias finais pelo Kings foram de 15,2 pontos, 6,7 assistências e 5,4 rebotes, números que, embora ainda sólidos, refletiam a fase mais madura e menos dominante de sua jornada.
Os Feitos que Solidificam um Lugar Certo no Hall da Fama
Mesmo encerrando a carreira sem conquistar um título da NBA, o que muitas vezes é o principal balizador para alguns atletas, Russell Westbrook tem seu lugar garantido no Hall da Fama do basquete. Seu impacto no jogo, sua abordagem implacável e seus recordes individuais transcendem a ausência de um anel de campeão. Ele representa uma era de basquete de alta intensidade, versatilidade e pura força de vontade, redefinindo o papel do armador moderno com sua capacidade de pontuar, passar e rebote.
Sua lista de conquistas é vasta e impressionante, solidificando seu legado como um dos jogadores mais únicos e dominantes de sua geração:
- MVP da NBA em 2017: Um reconhecimento supremo de seu desempenho individual e liderança, quando registrou médias históricas de triplo-duplo por uma temporada inteira.
- Recordista da NBA em triplos-duplos (209): Este é talvez o feito mais emblemático de Westbrook, uma marca que superou o lendário Oscar Robertson e parecia inatingível. Ele demonstrou uma consistência sem precedentes em todas as facetas do jogo.
- Nove vezes All-Star: Sua seleção constante para o Jogo das Estrelas comprova sua relevância e consistência como um dos melhores jogadores da liga por quase uma década.
- Nove vezes eleito para os times ideais da NBA: Outro indicador de sua excelência e reconhecimento entre os melhores em sua posição.
- Quatro temporadas com médias de triplo-duplo (2016/17, 2017/18, 2018/19 e 2020/21): Um feito inédito na história da liga, evidenciando sua rara capacidade de dominar as três principais estatísticas do basquete em múltiplos anos.
- Três vezes líder da NBA em assistências (2018, 2019 e 2021): Demonstra sua visão de jogo e altruísmo para criar oportunidades para seus companheiros.
- Duas vezes cestinha da liga (2015 e 2017): Reflete sua capacidade explosiva de pontuar e assumir o ataque quando necessário.
- Eleito um dos 75 melhores jogadores da história da NBA: Uma honra concedida em 2021, que o coloca oficialmente entre os maiores talentos de todos os tempos da liga, um reconhecimento da magnitude de sua carreira.
- Campeão mundial em 2010 e campeão olímpico em 2012: Sucessos com a seleção dos EUA que completam um currículo recheado de glórias, mostrando sua capacidade de adaptar seu jogo para o contexto internacional.



