A mãe do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Rogéria Bolsonaro, manifesta publicamente sua tristeza e indignação com a partida do filho do Brasil. Em uma postagem nas redes sociais, na tarde desta quarta-feira (28), Rogéria declara que Flávio foi “obrigado a deixar sua Pátria amada” devido a “perseguições injustas, descabidas e arbitrárias”, um desdobramento que se conecta a uma investigação judicial em curso.
A manifestação de Rogéria acontece em um cenário de alta tensão política e legal envolvendo a família Bolsonaro. A saída de Flávio, ocorrida dias após o encerramento do segundo turno das eleições de 2026, culmina após uma ordem judicial que exigia a entrega de seus passaportes.
A Dor da Mãe e o Cenário Familiar
Em sua declaração emocionada, Rogéria Bolsonaro descreve a situação com a expressão “Meu coração sangra”, embora ressalte a própria força. Ela lamenta a separação familiar, enfatizando que a decisão de Flávio a priva de acompanhar o crescimento de quatro netos de perto.
O texto destaca a profundidade do impacto pessoal: “Não poderei estar perto quando tiverem febre, pra colocar a mão em suas testas e verificar se está forte ou não”. A fala sublinha a dimensão humana e familiar por trás dos eventos políticos e judiciais que envolvem seus filhos.
Rogéria ainda menciona que, com a partida de Flávio, ele e seu irmão Eduardo Bolsonaro (PL) estão fora do país. Apenas Carlos Bolsonaro (PL), eleito senador por Santa Catarina, permanece em território brasileiro. A mensagem encerra com um “até breve”, sugerindo uma possível reunião futura da família.
Mandado de Apreensão de Passaportes e o Risco de Fuga
A partida de Flávio Bolsonaro ocorre após uma decisão significativa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Pouco depois do segundo turno das eleições de 2026, Moraes determinou que o senador entregasse seus passaportes, no âmbito de uma investigação que apura as relações de Flávio com o advogado Willer Thomaz.
O pedido de apreensão, feito pela Polícia Federal (PF), fundamentou-se na alegação de risco de fuga. A PF citou uma declaração pública anterior de Eduardo Bolsonaro, que defendia a saída do país em caso de derrota nas urnas, cenário que se concretizou nas eleições de 2026.
Apesar da ordem judicial, os documentos emitidos pelo Brasil não foram entregues e acabaram cancelados. Contudo, Flávio Bolsonaro possui um passaporte italiano, que permitiu sua viagem. Este documento estrangeiro foi registrado no manifesto do voo com destino a Miami, conforme apurado pelas autoridades.
A não entrega dos passaportes brasileiros e a utilização de um documento de outra nacionalidade levantam questões sobre o cumprimento das determinações judiciais e as implicações legais para o senador. A investigação com Willer Thomaz, que levou à medida cautelar, foca em supostas irregularidades e envolve o senador diretamente.
O Envolvimento de Eduardo Bolsonaro e as Eleições de 2026
A menção à fala de Eduardo Bolsonaro pela Polícia Federal não é casual. A declaração, proferida em um contexto pré-eleitoral, sugeria uma estratégia de deixar o país em caso de um resultado desfavorável nas urnas, adicionando um elemento de planejamento à percepção de “risco de fuga”.
O resultado do segundo turno das eleições de 2026, com a derrota do então presidente, intensificou o escrutínio sobre membros da família Bolsonaro e impulsionou as ações judiciais que já estavam em andamento. Este ambiente político pós-eleitoral serve como pano de fundo para a decisão judicial de Moraes e a subsequente partida de Flávio.
A Rota de Fuga: De Brasília a Miami com Escala na Fronteira
Os detalhes do trajeto de Flávio Bolsonaro para fora do Brasil revelam uma jornada complexa e monitorada. O senador desembarcou no aeroporto executivo Opa-Locka, em Miami, por volta das 10h30 (horário de Brasília) desta quarta-feira (28), confirmando a chegada da família aos Estados Unidos.
Informações preliminares indicam que o deslocamento começou na capital federal, Brasília, com uma parada estratégica em uma fazenda localizada em Foz do Iguaçu, na fronteira do Brasil. Deste ponto, o senador teria cruzado a Ponte Tancredo Neves em direção a Puerto Iguazu, na Argentina.
O trecho terrestre foi realizado em uma van de placa brasileira, pertencente à empresa Dallas Turismo. A escolha dessa rota, envolvendo uma passagem por um país vizinho, sugere uma tentativa de driblar possíveis restrições de voo ou vigilância direta a partir de aeroportos brasileiros.
No aeroporto Major Carlos Eduardo Krauser, em Puerto Iguazu, na Argentina, a aeronave aguardava o senador há quase um dia. Veículos da imprensa argentina, como TN e C5N, registraram movimentação incomum no local por volta da meia-noite, observando a chegada da van, que estava escoltada por uma viatura da Polícia de Segurança Aeroportuária (PSA).
Poucos minutos após a meia-noite, a aeronave decolou, inicialmente com destino a Guayaquil, no Equador. Após uma escala de aproximadamente 36 minutos em solo equatoriano, o voo seguiu para a região de Miami em um trajeto de cerca de quatro horas.
Na manhã desta quarta-feira (28), o voo que transportava Flávio Bolsonaro e sua família se tornou o mais acompanhado do mundo no Flightradar24, uma plataforma global de rastreamento de voos. Este dado ressalta o intenso interesse público e midiático sobre os movimentos do senador e o desdobramento da investigação.
Em Miami, a imprensa já aguardava a aeronave para confirmar a presença de Flávio. O senador, sua esposa e suas duas filhas desceram do avião e foram direcionados a uma unidade da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP), procedimento padrão para entrada no país. A presença de toda a família reforça o caráter de uma mudança ou afastamento prolongado.
Após os trâmites alfandegários, um veículo Ford Expedition cinza-escuro deixou o local. Agentes uniformizados utilizaram guarda-chuvas para obscurecer a visão de quem entrava no carro, uma prática comum em situações que envolvem figuras públicas ou necessidade de discrição. O veículo exibia uma placa estadual comum, aparentemente da Virgínia, e não uma identificação federal ostensiva, embora normas americanas permitam que veículos de segurança operem sem placas federais identificáveis.



