Nove dezenas de mortos e mais de mil feridos. Este é o balanço da **Operação Corpus Christi** nas **rodovias federais**, divulgado pela **Polícia Rodoviária Federal (PRF)**.
Ao longo dos cinco dias de feriado prolongado, 98 pessoas perderam a vida e 1.057 ficaram feridas em 1.060 sinistros de trânsito registrados. Os dados, ainda preliminares, expõem a persistência da violência no trânsito brasileiro, mesmo diante da intensificação da fiscalização.
A operação, encerrada no domingo (7), mobilizou a **PRF** para uma fiscalização intensa. Duas centenas de milhares de pessoas e veículos, totalizando 210.472, foram abordados nas estradas. Ações com radares portáteis focaram em pontos de alto risco.
As infrações flagradas mostram um cenário de desrespeito generalizado às regras de segurança.
Vinte e quatro mil duzentos e doze veículos trafegavam acima do limite de velocidade permitido. Mais de 4,2 mil motoristas foram autuados por ultrapassagens proibidas, manobra que figura entre as principais causas de colisões frontais e fatais.
Outros 3.283 condutores ignoraram o uso do cinto de segurança ou a cadeirinha para crianças, colocando vidas em risco direto e imediato.
O álcool segue como um fator crítico nas tragédias rodoviárias. A PRF realizou 75.413 testes de alcoolemia.
Deste total, 879 motoristas foram autuados por embriaguez ao volante ou pela recusa em fazer o teste. Sessenta e nove pessoas acabaram detidas por dirigir sob efeito de álcool, configurando crime.
Os números reiteram um desafio crônico para as autoridades e para a sociedade: a irresponsabilidade de condutores que insistem em dirigir após consumir bebidas alcoólicas, agravando exponencialmente o risco de acidentes com desfecho fatal.
Minas Gerais liderou o triste ranking dos sinistros e mortes durante o feriado.
O estado registrou 135 acidentes, com 10 mortes e 155 feridos. O volume de ocorrências destaca a complexidade das rodovias mineiras e o intenso fluxo de veículos que as percorre.
Logo depois, Santa Catarina apresentou 130 sinistros, resultando em 6 óbitos e 143 feridos. O Paraná teve 112 acidentes, com 5 mortes e 113 feridos. Os três estados concentram um volume significativo do tráfego rodoviário do país, e as estatísticas refletem essa intensidade de movimento.
Fiscalização Ampliada no Transporte de Passageiros
A **Operação Corpus Christi** deste ano dedicou atenção especial ao transporte de passageiros. A medida veio após um período de alta letalidade em acidentes envolvendo ônibus, micro-ônibus e vans.
A PRF justificou o foco: entre janeiro e abril de 2026 (data original fornecida pela PRF), foram 690 sinistros de trânsito que envolveram veículos coletivos, com 74 pessoas mortas. A fiscalização buscou identificar irregularidades na documentação dos motoristas e dos veículos, além das condições em que os passageiros eram transportados.
Ao todo, 1.389 ônibus foram inspecionados. Essa intensificação visa reduzir o risco de tragédias coletivas, que causam comoção e impactam um grande número de famílias.
A PRF declarou que os dados apresentados são preliminares. Os números finais poderão ser ampliados à medida que as informações se consolidem nos sistemas da corporação.
Contexto
O cenário de mortes e feridos nas rodovias federais durante feriados prolongados é uma constante no Brasil. A cada ano, operações como a de Corpus Christi da PRF são montadas para tentar conter a violência no trânsito, que impõe um custo social e econômico altíssimo ao país. A combinação de imprudência dos motoristas – excesso de velocidade, ultrapassagens arriscadas e embriaguez – com a intensa movimentação nas estradas resulta em um ciclo de acidentes que se repete, desafiando as autoridades e sobrecarregando o sistema de saúde e segurança pública. A dimensão dos números anuais coloca o Brasil entre os países com maior taxa de mortalidade no trânsito, um problema de saúde pública que persiste apesar dos esforços de fiscalização e campanhas de conscientização, impactando diretamente a rotina de milhares de famílias e a infraestrutura de saúde do país.