A pressão de custos e alavancagem impactam negativamente o desempenho da locadora.

As ações da Vamos (VAMO3) caem 6% após a divulgação de resultados financeiros abaixo do esperado.
Ações da Vamos enfrentam desvalorização significativa em meio a resultados fracos
As ações da locadora de veículos pesados Vamos (VAMO3) enfrentaram uma forte desvalorização nesta quarta-feira (12), com a cotação recuando 6,37%, fixando-se a R$ 3,53, após a divulgação do balanço do terceiro trimestre de 2025. O resultado financeiro da empresa levantou preocupações entre analistas e investidores, refletindo o impacto da pressão de custos e alavancagem sobre a performance da companhia.
Análise dos resultados financeiros da Vamos
O BTG Pactual classificou os Resultados da Vamos como fracos em termos absolutos, embora tenham ficado ligeiramente acima das expectativas do mercado. A receita líquida totalizou R$ 1,5 bilhão, superando em 4% as estimativas, enquanto o EBITDA atingiu R$ 895 milhões, em linha com as projeções. No entanto, o lucro líquido despencou 73% em relação ao ano anterior, totalizando R$ 50 milhões, embora tenha superado em R$ 41 milhões as previsões.
O desempenho da receita foi impulsionado por vendas robustas de veículos usados, com a inadimplência e as retomadas de ativos caindo para R$ 251 milhões. A alavancagem da empresa recuou ligeiramente, situando-se em 3,3 vezes a relação dívida líquida/Ebitda, com uma dívida líquida de R$ 12 bilhões e um caixa de R$ 4,6 bilhões.
Recomendações de analistas após os resultados
Apesar dos resultados decepcionantes, o BTG Pactual acredita que a Vamos está bem posicionada para se beneficiar da Expectativa de queda de juros, mantendo uma recomendação de compra e um preço-alvo de R$ 15. Por outro lado, a XP Investimentos também avaliou os resultados como fracos, enfatizando o desempenho positivo na receita, especialmente nas locações e vendas de seminovos, mas alertou para a compressão de margens que afeta a rentabilidade da empresa.
O Itaú BBA destacou que o cenário continua desafiador, com o programa Sempre Novo apresentando desempenho abaixo do esperado. Entretanto, a redução da dívida líquida foi um ponto positivo, sendo a primeira diminuição em oito trimestres. O banco também manteve recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 6.
Desafios e perspectivas futuras
A Genial Investimentos também classificou os números da Vamos como fracos, citando a maior alavancagem e custos financeiros elevados. Analistas observaram que os avanços nas receitas de aluguel e vendas de ativos não compensaram a pressão dos custos, resultando em margens de seminovos próximas de 0%. O Santander, por sua vez, mencionou que as margens de locação foram impactadas por despesas operacionais mais altas, principalmente devido à manutenção da frota.
Apesar dos desafios, o Santander notou sinais de melhora operacional, como a redução de 31% no volume de ativos retomados e um aumento na taxa de utilização da frota, que atingiu 85,8%, com queda no estoque de veículos ociosos. Essas melhorias podem oferecer um alívio, mas o caminho à frente continua a ser repleto de obstáculos para a Vamos.