Desempenho abaixo das expectativas gera desconfiança no mercado

A Natura viu suas ações recuarem 15% após resultados decepcionantes do 3T25.
Resultados da Natura desapontam e ações despencam
As ações da varejista Natura (NATU3) sofreram uma queda acentuada de 15% nesta terça-feira (11), após a divulgação de resultados decepcionantes referentes ao terceiro trimestre de 2025. Às 11h55, os papéis da companhia estavam cotados a R$ 7,82, evidenciando a reação negativa do mercado.
A XP avaliou os resultados como fracos, apontando que a desaceleração do crescimento foi prejudicada por um ambiente macroeconômico desafiador e pelos ventos contrários da Onda 2, que impactaram a operação. Essa situação levou a uma desalavancagem operacional significativa, refletida nos números apresentados.
Desempenho financeiro e perspectivas
O Itaú BBA também classificou o resultado da Natura como negativo, mencionando que a empresa não conseguiu atender às já baixas expectativas do mercado. A desaceleração do consumo no Brasil e os desafios na implementação da Onda 2 foram fatores que contribuíram para a contração das receitas, além de uma forte pressão sobre as margens. O Ebitda ajustado caiu 34% em relação ao ano anterior, totalizando R$ 577 milhões, o que ficou 10% abaixo das estimativas do Itaú BBA.
O resultado foi ainda mais alarmante com o registro de um prejuízo de R$ 119 milhões, enquanto as projeções indicavam um lucro de R$ 168 milhões. A geração de caixa apresentou uma queima de R$ 47 milhões, indicando uma fraqueza contínua na operação da empresa.
Análise de mercado e reações
Para o Itaú BBA, a deterioração das receitas e margens foi mais intensa do que o esperado, o que pode minar a confiança do mercado e atrasar uma possível recuperação das ações. O banco prevê revisões negativas nas estimativas de lucro, que atualmente giram em torno de R$ 1,4 bilhão. A venda da Avon International, prevista para ser concluída no primeiro trimestre de 2026, pode ajudar a reduzir riscos estruturais, mas ainda gera incerteza no curto prazo.
Impactos da Onda 2 e futuras expectativas
O JPMorgan também destacou que a Natura enfrentou um trimestre difícil, com um desempenho afetado por um cenário macroeconômico desfavorável e interrupções operacionais. A relação dívida líquida/Ebitda ultrapassou 3 vezes, limitando a capacidade da empresa de realizar distribuições de caixa adicionais.
Analistas da XP projetam que a dinâmica desafiadora deverá persistir no 4T25, embora com uma leve melhora sequencial à medida que a Onda 2 avance no México e na Argentina. O BBI e o Goldman Sachs mantiveram suas recomendações de compra, com preços-alvo de R$ 13 e R$ 17, respectivamente.
Conclusão
A Natura continua enfrentando um ambiente operacional complicado, com incertezas que pesam sobre o sentimento dos investidores. A recuperação das ações pode estar condicionada a uma melhora consistente na geração de caixa e ao avanço em marcos estratégicos, enquanto os analistas permanecem cautelosos em relação às futuras projeções.