Requião Filho Defende Aliança com PT no Paraná e Nega Loteamento de Cargos em Eventual Governo
O deputado estadual Requião Filho (PDT), candidato ao governo do Paraná, defendeu nesta quarta-feira (16) a estratégica aliança com o Partido dos Trabalhadores (PT) para as eleições de 2022. Durante sabatina no programa Meio-Dia Paraná, da RPC, afiliada da Rede Globo no estado, o pedetista foi enfático ao negar qualquer intenção de “lotear” cargos em um possível futuro governo, prometendo uma gestão baseada em critérios técnicos e de capacidade.
Apesar do apoio do PT, Requião Filho mantém as críticas previamente formuladas à legenda. Ele reiterou os pontos de discordância que o levaram a deixar o PT há pouco mais de um ano, quando declarou que o partido não possuía um projeto claro para o Paraná e que não desejava estar atrelado aos “desmandos e devaneios” da cúpula nacional do PT. Contudo, agora, o candidato enfatiza a convergência programática entre os dois partidos em diversas propostas essenciais para o estado.
A aproximação e o apoio formal do PT se materializaram publicamente no último sábado (12), quando Requião Filho esteve ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um evento na capital Curitiba. Esse gesto reforça a consolidação da chapa, visando ampliar o eleitorado e a base de sustentação política para a disputa eleitoral no estado.
“Hoje eu apresento esse programa para o Paraná, um programa do PDT montado, construído e debatido com diversas pessoas. O PT viu este programa e decidiu que este era o melhor caminho aqui no estado e nos traz esse apoio. Mantenho as críticas que fiz e tenho certeza de que o PT também tem críticas ao Requião Filho, mas nós convergimos muito mais no que diz respeito a cuidar de pessoas, a ter vacina, saúde pública, educação pública. Então, as críticas são mantidas e isso chama-se democracia”, declarou o candidato, ressaltando a maturidade política da aliança.
Capacidade Técnica e Gestão Acima de Interesses Partidários
Questionado sobre o espaço do Partido dos Trabalhadores em seu eventual governo, Requião Filho assegura que a escolha de secretários e demais gestores públicos não será balizada por acordos de troca de cargos ou “fatiamento” de secretarias. A prioridade, segundo ele, reside na qualificação dos profissionais que comporão sua equipe, visando eficiência e transparência na administração pública.
“No meu governo terá espaço para quem tiver capacidade técnica e capacidade de gestão. Será com Requião Filho à frente do governo e secretarias com pessoas capacitadas dentro da sua qualificação”, afirmou o pedetista. Essa postura busca sinalizar um compromisso com a boa governança e afastar percepções de aparelhamento político, um tema sensível para o eleitorado.
A promessa de uma gestão técnica é crucial para mitigar as desconfianças que podem surgir de alianças políticas amplas, especialmente aquelas que envolvem partidos com históricos recentes de divergências. Ao focar na capacidade técnica, Requião Filho tenta projetar uma imagem de pragmatismo e eficiência, buscando o apoio de eleitores que valorizam a gestão profissionalizada.
Críticas Diretas aos Adversários e Estratégias de Campanha
Na sabatina, Requião Filho não poupou críticas aos seus principais adversários na corrida pelo Palácio Iguaçu. Ele se referiu a Sergio Moro (PL) e Sandro Alex (PSD) de maneira contundente, descrevendo-os como “um que não conhece o Paraná e outro que o Paraná não conhece”. Essa tática visa descredenciar a experiência e o enraizamento dos oponentes com a realidade paranaense.
A crítica a Sergio Moro, ex-ministro e ex-juiz federal, aponta para a percepção de que sua trajetória é majoritariamente ligada ao cenário nacional e judicial, com menor vivência das especificidades e demandas locais do Paraná. “O que não conhece o Paraná só vem com o discurso de ódio”, declarou Requião Filho, sugerindo que Moro baseia sua campanha em retórica polarizadora, em vez de propostas concretas para o estado.
Já em relação a Sandro Alex, deputado federal e ex-secretário de Infraestrutura e Logística do Paraná, a observação “o que o Paraná não conhece” pode indicar uma tentativa de minimizar sua relevância ou reconhecimento junto ao eleitorado. A frase “é o deixa como está para ver como é que fica” sugere uma crítica à continuidade de políticas atuais ou à falta de um projeto de mudança substancial, buscando explorar o desejo por renovação e propostas inovadoras.
Defesa do Controle Estatal da Copel e Redução de Tarifas
Um dos pontos mais importantes da plataforma de Requião Filho é a proposta de retomar o controle estatal da Companhia Paranaense de Energia (Copel). O candidato argumenta que a medida é essencial para garantir que a empresa priorize os interesses dos paranaenses em detrimento do lucro dos acionistas, impactando diretamente o custo da energia no estado.
Mecanismos para Reestatização da Copel
Para viabilizar a retomada do controle, Requião Filho planeja buscar articulação com o governo federal, especialmente através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O BNDES é um dos maiores acionistas da Copel, o que confere ao governo federal uma posição estratégica em qualquer processo de redefinição acionária ou de controle da companhia. Essa abordagem sugere um caminho de negociação e reengenharia financeira, em vez de uma expropriação.
O candidato critica duramente a gestão atual do governo do estado, que, segundo ele, “errou ao abrir mão do poder de veto e de assentos decisórios no conselho da companhia”. Essa decisão teria entregue o rumo da empresa a acionistas minoritários, distanciando a Copel de sua função social e estratégica para o desenvolvimento do Paraná.
“A Copel hoje toma decisões que dão preferência para o lucro dos acionistas. Ela diminuiu o investimento no estado do Paraná, ela diminuiu a capacidade do nosso estado de ser competitivo, aumentando a tarifa de energia tanto do agro quanto das empresas, das indústrias e da família paranaense”, pontuou Requião Filho. A perda do controle estratégico significa menos investimento em infraestrutura, redes de distribuição e pesquisa, afetando a qualidade do serviço e a capacidade do estado de atrair e reter indústrias.
Como caminhos concretos para reduzir a tarifa de energia, o candidato propõe uma revisão aprofundada dos custos de operação da empresa. Ele também citou programas de desconto para uso noturno de energia por produtores do agronegócio, utilizando a capacidade ociosa durante a madrugada, “enquanto a cidade dorme”. A meta é otimizar a distribuição e o consumo, beneficiando um setor vital para a economia paranaense.
“A tarifa é construída em cima de custos de operação, investimentos, ativos. Nós queremos auditar tudo isso, porque hoje a Copel, além de aumentar muito as tarifas, eu acredito que esses números estejam inflados para ficar uma tarifa tão alta”, afirmou, indicando a necessidade de uma auditoria minuciosa para identificar possíveis ineficiências ou sobrepreços que impactam o consumidor final. Até que uma redução efetiva seja possível, ele defende o reforço da fiscalização do serviço de fornecimento, garantindo a qualidade e o cumprimento das normas.
Propostas para Meio Ambiente e Prevenção de Desastres
Na área da prevenção de desastres naturais, Requião Filho apresenta um plano que integra sustentabilidade e desenvolvimento. Ele destaca a importância de programas de proteção de mata ciliar para salvaguardar rios e nascentes, cruciais para a segurança hídrica do estado. A ampliação de um corredor biológico também faz parte de suas propostas, visando a conservação da biodiversidade e a conectividade entre ecossistemas.
Além disso, o candidato propõe uma parceria estratégica com o setor agropecuário para a preservação das reservas legais. Essas reservas correspondem ao percentual da área de cada propriedade rural mantido com vegetação nativa, desempenhando um papel fundamental na manutenção dos serviços ecossistêmicos e na resiliência ambiental do Paraná.
Críticas às Escolas Cívico-Militares e Participação em Debates
O candidato do PDT também abordou a questão das escolas cívico-militares, um modelo implementado no Paraná e em outros estados. Requião Filho manifesta sua discordância com o modelo, afirmando que não o considera uma proposta pedagógica efetiva.
Ele ressalta, no entanto, que sua posição não significa o fechamento sumário dessas unidades. “É tirar esse modelo da escola e manter aquela escola funcionando. O modelo cívico-militar é uma propaganda”, disse o candidato, indicando que a estrutura física e os profissionais da educação seriam mantidos, mas com uma reversão para um modelo de gestão escolar tradicional, focado em metodologias pedagógicas reconhecidas.
No cenário dos debates eleitorais, Requião Filho confirmou sua presença no debate da RPC entre os candidatos ao governo do Paraná, previsto para o dia 29 de setembro. A participação em debates é vista como uma oportunidade crucial para os candidatos apresentarem suas propostas e confrontarem ideias com os adversários, alcançando um grande número de eleitores.
Em outra frente, o candidato acionou a Justiça Eleitoral contra a Rede Independência de Comunicação (RIC) pelo cancelamento do debate que estava inicialmente marcado para o dia 21 de setembro. Requião Filho havia confirmado sua presença, e a ação judicial busca garantir equidade no acesso aos veículos de comunicação e transparência no processo eleitoral, assegurando que todos os candidatos tenham oportunidades iguais de exposição pública.
Contexto
As eleições de 2022 no Paraná prometem uma disputa acirrada pelo governo, com candidatos que apresentam visões distintas sobre os rumos do estado. Temas como a gestão da Copel, a política de educação e o alinhamento partidário nacional são centrais na campanha de Requião Filho e dos demais concorrentes, impactando diretamente o futuro da economia, dos serviços públicos e do desenvolvimento social paranaense. A definição dessas questões pelos próximos anos moldará a vida de milhões de cidadãos, tornando o debate eleitoral fundamental.



