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Recorde em programas de recompra de ações: sinais de otimismo para a bolsa?

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Análises indicam que o aumento nas recompras pode refletir oportunidades no mercado acionário brasileiro.

Recorde em programas de recompra de ações: sinais de otimismo para a bolsa?
Análise de programas de recompra de ações. Foto: Paulo Whitaker Reuters

Crescimento nos programas de recompra de ações na B3 sinaliza oportunidades no mercado acionário.

Recorde nos programas de recompra de ações na B3

Os programas de recompra de ações por empresas na B3 estão nos maiores níveis da história da bolsa, indicando um possível fôlego para o mercado acionário brasileiro. Este movimento sugere que as empresas acreditam que suas ações estão subavaliadas, preferindo investir nelas ao invés de aplicar capital em suas operações.

Daniel Gewehr, chefe de estratégia de ações para o Brasil e América Latina do Itaú BBA, afirma que “a recompra é um sinal indireto de que a bolsa está com ‘valuation’ atrativo”. Ele destaca que a redução no volume de recompras pode indicar que os preços das ações estão mais equilibrados.

Aumento significativo no número de programas

Atualmente, existem 128 programas de recompra em aberto, o que corresponde a mais de um terço das 360 grandes empresas listadas na bolsa. Este ano, foram anunciados 126 programas, o maior número desde 2005. A continuidade do aumento nas recompras reflete a forte geração de caixa das empresas, especialmente em setores como energia e saneamento.

Historicamente, altos números de recompra estão associados a valorização do mercado. Por exemplo, em 2008, um aumento significativo nas recompras precedeu uma alta de 82,66% no Ibovespa no ano seguinte. Em 2015, também houve um aumento nas recompras e o índice subiu 38,93% no ano seguinte.

Setores em destaque

Os programas de recompra estão, tradicionalmente, concentrados em empresas de commodities; no entanto, a atual dinâmica do mercado mostra um aumento na participação de setores mais perenes. Hoje, as empresas de serviços públicos lideram em termos de programas de recompra abertos, segundo João Daronco, analista da Suno Research.

O aumento das recompras também é aliado à percepção de que as ações estavam bem descontadas no início do ano, o que incentivou as empresas a recomprar suas ações. Daronco observa que as recompras não apenas aumentam a fatia dos acionistas na empresa, mas também elevam os lucros por ação ao reduzir o total de papéis em circulação.

O futuro das recompras

Embora a tendência atual seja de que as recompras permaneçam elevadas, Daronco alerta para a necessidade de monitorar as condições em que essas recompras ocorrem. O aumento do endividamento ou a recompra de ações a preços excessivos podem prejudicar o lucro futuro das empresas.

Um estudo do Itaú BBA indicou que, em novembro, 100 empresas tinham R$ 98,5 bilhões em recompras em aberto. Além disso, novos programas foram anunciados, reunindo um valor total significativo em compras potenciais de várias empresas, incluindo Ambev e Embraer.

No total, as recompras no mercado representam 1,23% do valor das ações do Índice Bovespa, beneficiando os investidores ao reduzir as ações em circulação e aumentar seus preços e lucros por ação. Até agora, as empresas já recompraram R$ 19,5 bilhões em ações neste ano, com a perspectiva de que mais R$ 79 bilhões ainda possam ser recomprados.

Considerações finais

Os setores com os maiores percentuais de recompras em relação ao seu valor de mercado são serviços públicos, consumo de bens não duráveis e energia. Essa dinâmica sugere que, apesar de um cenário de alta, as empresas continuam a ver valor em recompra de ações, o que pode ser um indicativo positivo para o futuro do mercado acionário brasileiro.

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