Ações da Raízen Sofrem Queda Após Resultados e Preocupações com Endividamento
As ações da Raízen (RAIZ4), uma das maiores produtoras de açúcar e etanol do mundo, registraram forte queda nesta segunda-feira, aprofundando o movimento de correção após atingirem uma máxima em quatro meses na semana anterior, superando R$ 1,00.
Desempenho das Ações
Por volta das 15h, as ações preferenciais da empresa eram negociadas a R$ 0,93, representando uma queda de 9,71%, o pior desempenho do Ibovespa (BVSP), que apresentava alta de 0,47%. A mínima da sessão até o momento foi de R$ 0,92.
Após uma queda de 62,5% em 2025, a ação teve um desempenho positivo em janeiro de 2026, com alta de 27%. No entanto, o otimismo não se sustentou, e a ação voltou a apresentar queda.
Resultados Trimestrais e Endividamento
A Raízen, joint venture da Cosan (CSAN3) e da Shell, divulgou na última quarta-feira uma moagem de 10,6 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no terceiro trimestre do ano safra 2025/2026, uma queda de 23% em relação ao mesmo período do ano anterior. A produção de açúcar equivalente também caiu quase 17% no período.
A empresa tem enfrentado um alto nível de endividamento, o que gera expectativas de uma possível injeção de capital.
Análise de Especialistas
Analistas do UBS BB reiteraram a recomendação de venda para as ações da Raízen, com preço-alvo de R$ 0,80. Segundo Matheus Enfeldt e equipe, o principal debate em torno da Raízen continua sendo sua estrutura de capital e a possível necessidade de uma injeção de capital, tema em discussão entre os acionistas controladores.
O UBS BB ressaltou que, embora não veja um problema imediato de liquidez para a Raízen, o “overhang” dessas discussões pode persistir por mais de um ano.
Apesar da mudança estratégica da Raízen, os analistas do UBS BB aguardam uma solução concreta antes de se tornarem mais otimistas com a ação, especialmente diante da fragilidade do ciclo de açúcar e etanol.
Contexto
A queda nas ações da Raízen e as preocupações com seu endividamento podem impactar investidores e o mercado de energia, considerando a relevância da empresa na produção de açúcar, etanol e na distribuição de combustíveis no Brasil e no mundo.