Relatório da Organização Mundial da Saúde destaca melhorias na cobertura vacinal como fator crucial

Casos de sarampo caem 71% globalmente devido à vacinação, conforme relatório da OMS.
Casos de sarampo caem 71% em 24 anos por melhorias na vacinação
Os casos de sarampo reduziram 71% globalmente, totalizando 11 milhões de infecções, entre os anos de 2000 e 2024, como reportado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A melhoria na cobertura vacinal é apontada como a principal responsável pela diminuição significativa. A vacinação contra o sarampo impediu aproximadamente 59 milhões de mortes, resultando em uma queda de quase 88% nas fatalidades relacionadas, que caíram para 95.000 no mesmo período.
No entanto, em 2023, a OMS observou um ressurgimento do sarampo, com um aumento estimado de 8% nos casos em comparação com os níveis de 2019, antes da pandemia de Covid-19. Embora as mortes associadas ao sarampo tenham diminuído em 11%, foi constatado que o aumento das infecções ocorreu principalmente em países de renda média, onde a taxa de mortalidade é mais baixa. Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, alertou sobre a natureza contagiosa do vírus, afirmando: “O sarampo é o vírus mais contagioso do mundo e esses dados mostram mais uma vez como ele explorará qualquer lacuna em nossas defesas coletivas contra ele”.
Ressurgimento do sarampo e suas implicações
A OMS classificou o sarampo como a primeira doença a ressurgir quando há uma queda na cobertura vacinal. Os surtos crescentes expõem as fragilidades dos programas de imunização e dos sistemas de saúde. Kate O’Brien, diretora do Departamento de Imunização da OMS, comparou a situação a um alarme de incêndio que dispara diante da fumaça, destacando que até pequenas quedas na cobertura vacinal podem desencadear surtos.
Em 2024, 59 países relataram surtos de sarampo significativos, um aumento quase três vezes maior do que em 2021, e o maior desde o início da pandemia. O Canadá, por exemplo, perdeu seu status de eliminação do sarampo devido a um surto que perdurou por um ano. Os Estados Unidos e o México também enfrentaram surtos consideráveis, com milhares de casos e algumas fatalidades.
Desafios para a vacinação e a resposta da OMS
A OMS expressou preocupação com os cortes drásticos no financiamento da Rede Global de Laboratórios de Sarampo e Rubéola e nos programas de imunização, que podem ampliar as lacunas de imunidade e provocar novos surtos no próximo ano. A organização também reduziu sua equipe de gestão e atividades após a saída de seu principal doador, os Estados Unidos, em janeiro.
Em 2023, 84% das crianças globalmente receberam a primeira dose da vacina contra o sarampo, uma leve queda em relação aos níveis anteriores à pandemia. Além disso, 76% receberam a segunda dose. A OMS enfatiza que o sarampo é altamente evitável, e para isso, os países precisam atingir 95% de cobertura com duas doses, que têm uma eficácia de 97%. A situação atual reforça a necessidade urgente de reforçar as campanhas de vacinação e garantir que as crianças estejam adequadamente imunizadas contra doenças evitáveis.