Indicadores mostram que rendimento se aproxima do mínimo registrado na bolha das pontocom

O rendimento de dividendos do S&P 500 caiu para 1,15%, próximo dos níveis da bolha das pontocom.
Rendimento de dividendos do S&P 500 e sua história recente
O rendimento de dividendos do S&P 500, conhecido como dividend yield, caiu para cerca de 1,15%, um patamar que se aproxima dos níveis mínimos que foram registrados durante a bolha das pontocom, no começo dos anos 2000. Essa análise foi realizada pela Trivariate Research, que recorda que o único momento em que o retorno em dividendos foi inferior foi quando o índice atingiu 1,09% naquela época crítica.
Adam Parker, fundador da consultoria, afirma que esse enfraquecimento no rendimento de dividendos se deve à crescente predominância das grandes empresas de tecnologia no S&P 500. Atualmente, o setor tecnológico compõe 35% do índice, o que impacta de maneira significativa o rendimento total. Muitas dessas empresas, como Nvidia, Microsoft e Alphabet, estão entre as que menos remuneram seus acionistas, com yields que variam de 0,02% a 0,76%.
A dinâmica do mercado e sua influência no rendimento
Embora 56% das empresas do S&P 500 ainda distribuem dividendos, essa proporção se mantém estável ao longo das últimas duas décadas. Entretanto, a estrutura de mercado mudou drasticamente. De acordo com Parker, são as maiores companhias em termos de valor de mercado, que apresentam dividendos baixos ou inexistentes, que estão moldando o cenário atual. Essa situação indica um desafio para os investidores que buscam retornos através de dividendos.
Parker observa que o avanço das empresas de tecnologia, impulsionado pelo entusiasmo em torno da inteligência artificial, tem contribuído para as máximas históricas do S&P 500 neste ano, mesmo diante de uma volatilidade significativa nas últimas semanas. O ambiente de incerteza em relação às políticas monetárias do Federal Reserve também tem adicionado pressão sobre o mercado.
Setores defensivos e o desempenho dos dividendos
O setor de tecnologia não é o único a enfrentar desafios. Setores tradicionalmente defensivos, como bens de consumo essenciais, telecomunicações e farmacêuticas, também têm apresentado desempenhos fracos. Porém, existem sinais de resiliência entre as empresas que têm ampliado suas distribuições de dividendos. Desde a pandemia, aquelas que elevaram seus pagamentos superaram ligeiramente seus grupos setoriais, com destaque para real estate, utilities e energia.
Parker destaca que as empresas que aumentaram seus dividendos e que têm um payout inferior a 16,2% tendem a se destacar no mercado ao longo dos próximos dois anos. Com base nessa análise, ele elaborou uma lista de recomendações com empresas que ampliaram recentemente seus dividendos e ainda estão no quintil inferior de payout.
Empresas em destaque que aumentaram seus dividendos
Entre as recomendações está a Cinemark Holdings, que elevou seu dividendo trimestral em 12,5% no início do mês. A nova distribuição será efetiva em 12 de dezembro para acionistas registrados até 28 de novembro, e o dividend yield da empresa subiu para 1,24%. Apesar de reportar receita acima do esperado no terceiro trimestre, a Cinemark teve lucro abaixo das projeções e anunciou um programa de recompra de ações de US$ 300 milhões, com potencial de valorização estimado em 16%.
Outra empresa que se destaca é a Capital One Financial, que aumentou seu dividendo trimestral de US$ 0,60 para US$ 0,80, um avanço superior a 30%, com pagamento previsto para 1º de dezembro. A ação subiu 17% no ano e tem recomendação overweight, com um potencial de alta de 26%.
A Cheniere Energy também foi citada, tendo elevado seu dividendo trimestral de US$ 0,50 para US$ 0,55, resultando em um yield de 1,07%. A empresa possui uma recomendação de compra, apesar de registrar um recuo superior a 4% no acumulado do ano. As ações que pagam dividendos enfrentam um ciclo desafiador, mas as que mantêm um histórico de aumento de dividendos podem se beneficiar em um futuro próximo.