Dados apontam uma retração no setor, com seis dos oito segmentos monitorados apresentando resultado negativo

Em setembro, o comércio registrou uma queda de 0,3%, refletindo um cenário de crédito caro e menor emprego.
Queda nas vendas do comércio em setembro e suas causas
As vendas no comércio brasileiro sofreram uma queda de 0,3% em setembro, em comparação ao mês anterior, refletindo um cenário econômico desafiador. Os dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgados pelo IBGE, mostram que seis dos oito setores monitorados apresentaram resultados negativos. Especialistas indicam que essa retração está ligada a um crédito oneroso e à diminuição na geração de empregos.
Análise dos dados econômicos
A expectativa do mercado era um crescimento de 0,3% nas vendas, mas o resultado negativo indica uma tendência de estabilidade para o varejo nos próximos meses. Segundo Rafael Perez, economista do Suno Research, essa é a quinta queda consecutiva do setor em um período de seis meses. No acumulado do ano, o recuo foi de 1,5%, o que contrasta com o crescimento de 4,2% observado no mesmo período do ano passado.
Setores afetados e resistência em algumas áreas
Seis das oito atividades do comércio mostraram queda, com destaque para segmentos mais sensíveis à renda e ao crédito, como móveis, eletrodomésticos, vestuário e combustíveis. Por outro lado, o setor de artigos farmacêuticos registrou crescimento de 1,3%, indicando uma demanda maior por medicamentos. Essa resiliência em itens de consumo menos cíclico sugere que, enquanto algumas áreas enfrentam dificuldades, outras mantêm um desempenho positivo.
Impactos regionais e no mercado de trabalho
Regionalmente, 15 das 27 unidades federativas experimentaram queda nas vendas. Os estados de são paulo e do Sul apresentaram os piores resultados, enquanto o Norte e Nordeste mostraram um desempenho mais heterogêneo. Essa fraqueza no varejo não é localizada, conforme observa Leonardo Costa, economista do ASA. Ele destaca que a pressão sobre o consumo é resultado do endividamento crescente das famílias e do crédito restrito.
Expectativas futuras para o setor
Apesar do panorama atual, alguns economistas acreditam que a resiliência do mercado de trabalho e a expansão da renda, especialmente com as festas de fim de ano, podem trazer um alívio ao varejo. No entanto, a previsão é de que o crescimento do PIB em 2025 seja inferior ao de 2024, devido ao impacto das taxas de juros elevadas sobre o consumo e os investimentos. Para os próximos meses, as vendas no varejo devem ser moderadas, sustentadas por setores essenciais, mas limitadas pela fraqueza do consumo das famílias e pela desaceleração nas vendas de bens duráveis.
Considerações finais sobre a economia
A análise do C6 Bank sugere que o PIB poderá ter recuado 0,1% no terceiro trimestre, enquanto outras instituições financeiras mantêm previsões de crescimento moderado. Os dados recentes indicam que, apesar das dificuldades, o setor de varejo ainda possui potencial para contribuir positivamente para a economia, mesmo que de forma contida. A expectativa é que as reformas fiscais e a melhora na renda disponível possam impulsionar uma recuperação mais robusta no futuro.