Ações da Natura caem mais de 30% em 2025, refletindo desafios no mercado e na empresa.

As ações da Natura (NATU3) caem mais de 30% em 2025, refletindo um cenário desafiador tanto internamente quanto externamente.
Queda nas ações da Natura (NATU3) em 2025
As ações da Natura (NATU3) enfrentaram uma significativa queda de mais de 30% em 2025, refletindo um cenário desafiador tanto no mercado quanto internamente na empresa. Com uma baixa acumulada de 36% ao longo do ano, os investidores estão se perguntando o que está acontecendo com a companhia. A queda mais acentuada ocorreu no dia 11 de novembro, quando as ações recuaram 15,65% após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre do ano.
Fatores macroeconômicos e seu impacto
A análise do BB Investimentos destaca que a crise atual é influenciada por um contexto macroeconômico restritivo. O encarecimento do crédito e a diminuição do poder de compra dos brasileiros têm levado os consumidores a reduzir gastos, especialmente em bens não essenciais, que são principais produtos da Natura. Essa mudança no comportamento do consumidor impacta diretamente as vendas e a confiança do mercado na empresa.
Questões internas da Natura
Além dos fatores externos, a Natura também enfrenta desafios internos. A definição sobre o futuro da Avon, que inclui a venda de algumas de suas operações, era uma expectativa do mercado desde o início de 2024. A venda do Avon CARD e o acordo para vender a Avon International, exceto a Rússia, são passos que devem ajudar a reduzir incertezas e permitir que a Natura foque em suas operações na américa latina.
Integração das marcas e seus desafios
A integração entre Natura e Avon, especialmente na Onda 2, ainda está em andamento e apresenta dificuldades. O processo de adaptação ao mercado argentino, que enfrenta hiperinflação e transição para um modelo digital, tem atrasado a realização de sinergias esperadas. Esse atraso gera preocupações sobre a capacidade da Natura de melhorar sua performance em regiões críticas.
Expectativas de fluxo de caixa e rendimento
Apesar das dificuldades, o JPMorgan projeta um fluxo de caixa livre estimado em 12% para 2026, o que pode ajudar a mitigar riscos. Contudo, a maturidade do canal de vendas diretas, que responde por aproximadamente 25% do mercado, está se mostrando um desafio, dado o crescimento do varejo físico e do comércio eletrônico. A Natura está tentando diversificar seus canais de venda, mas essa transição ainda é gradual.
Revisão das projeções financeiras
O Morgan Stanley também apontou que a receita da Natura caiu 13% e que o EBITDA ajustado teve uma queda de 33% no trimestre, resultando em uma revisão para baixo nas projeções de receita e EBITDA em 8% para os próximos anos. A companhia mantém uma recomendação de equalweight, com um preço-alvo de R$ 10, o que reflete cautela em relação à recuperação da Avon e à execução das metas estabelecidas.
Futuro e recomendações
A venda da Avon Internacional, prevista para o primeiro trimestre de 2026, deve permitir que a Natura se concentre em suas operações latino-americanas e retome a geração de caixa. No entanto, mesmo com os avanços estratégicos, o Morgan Stanley alerta que é necessária uma maior visibilidade sobre a recuperação operacional para se ter uma perspectiva mais otimista. O BB Investimentos mantém uma recomendação neutra, projetando um cenário desafiador para os próximos meses, com possíveis melhorias somente a partir do primeiro trimestre de 2026, quando se espera um ciclo de queda de juros no Brasil.
De modo geral, apenas 3 das 11 casas que cobrem as ações da Natura possuem recomendação de compra, enquanto 8 mantêm a recomendação neutra, evidenciando a cautela do mercado diante das incertezas que cercam a empresa.