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Quebra de patente pode frear inovação no Brasil.

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Quebra de Patente de Medicamentos para Emagrecer Divide Opiniões e Acende Alerta sobre Investimentos

A Câmara dos Deputados está analisando, em regime de urgência, a possibilidade de quebra de patente da tirzepatida, princípio ativo do medicamento Mounjaro, utilizado para o tratamento da obesidade. A medida, embora vise ampliar o acesso ao medicamento, levanta preocupações entre especialistas sobre a segurança jurídica e o futuro dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento de novos tratamentos no Brasil.

Entenda a Proposta de Quebra de Patente

O Projeto de Lei 68/2026 propõe a licença compulsória da tirzepatida, permitindo que outras empresas produzam o medicamento antes do término da exclusividade da Eli Lilly, detentora da patente. O autor da proposta, deputado Mário Heringer, defende que a medida é crucial para reduzir o preço do medicamento e facilitar o acesso da população ao tratamento. Contudo, a indústria farmacêutica manifesta preocupação com o impacto no retorno financeiro de investimentos significativos em pesquisa.

Especialistas Temem Impacto na Inovação Farmacêutica

O Conselho Federal de Medicina (CFM) e entidades como a Interfarma alertam para os riscos de uma tramitação acelerada, que pode impedir um debate técnico aprofundado sobre o tema. A principal preocupação é que a quebra de patente, embora possa gerar uma redução de preços no curto prazo, comprometa o desenvolvimento e a chegada de novos medicamentos inovadores ao país. Argumentam que a falta de garantia de exclusividade comercial desestimula o investimento em pesquisa e desenvolvimento.

Como Funciona o Sistema de Patentes de Medicamentos no Brasil

O sistema de patentes no Brasil é regido pela Lei de Propriedade Industrial. As empresas depositam seus pedidos de patente no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial). A proteção legal tem duração de 20 anos a partir da data do depósito. No entanto, o processo de aprovação técnica, que também envolve a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), pode levar cerca de cinco anos. Dessa forma, as empresas geralmente dispõem de aproximadamente 15 anos de exclusividade no mercado para recuperar os investimentos realizados no desenvolvimento de novas moléculas.

Alternativas à Quebra de Patente para Reduzir Custos

Analistas do setor farmacêutico sugerem que acordos comerciais diretos entre governos e empresas farmacêuticas podem ser uma alternativa mais eficaz para reduzir os preços dos medicamentos. Um exemplo recente é o caso dos Estados Unidos, onde o governo conseguiu reduzir o preço da tirzepatida em até 85% por meio de negociações, sem a necessidade de quebrar a patente. Essa abordagem preserva a segurança jurídica para investimentos e, ao mesmo tempo, amplia o acesso da população aos medicamentos.

Esforços para Incluir Medicamentos para Obesidade no SUS

O Ministério da Saúde está avaliando a possibilidade de incorporar ao Sistema Único de Saúde (SUS) versões mais antigas de medicamentos para emagrecer, como os à base de liraglutida e semaglutida (presente no Ozempic). A patente da liraglutida já expirou, o que abriu caminho para o desenvolvimento de uma versão nacional pela EMS. No entanto, uma disputa judicial em que a Novo Nordisk busca estender a validade da patente até 2033, alegando demora no INPI, impede a entrada do genérico no SUS.

Contexto

A discussão sobre a quebra de patentes de medicamentos para emagrecer ganha relevância em meio ao crescente problema de obesidade no Brasil e no mundo. O acesso a tratamentos eficazes é fundamental para a saúde pública, mas a proteção de patentes é um incentivo crucial para a inovação na indústria farmacêutica. O debate busca encontrar um equilíbrio entre esses dois aspectos.

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