A mais recente rodada da pesquisa Genial/Quaest, com foco na corrida pela Presidência da República em 2026, será divulgada nesta sexta-feira (14), prometendo lançar luz sobre as dinâmicas eleitorais em formação. O levantamento, amplamente esperado pelo mercado político e pela imprensa, apresenta novos cenários para o primeiro e segundo turnos, além de investigar profundamente temas emergentes que já moldam a campanha eleitoral. Esta divulgação ocorre em um momento estratégico, apenas uma semana após a pesquisa anterior e antecedendo o primeiro debate presidencial.
O estudo, encomendado pelo Banco Genial, transcende a simples medição da intenção de voto. Ele se aprofunda na percepção do eleitorado, mensurando a rejeição a diferentes candidatos, os sentimentos que cada nome provoca, a identificação ideológica dos votantes e, de forma inovadora, a visão pública sobre o uso de inteligência artificial (IA) nas campanhas e a possibilidade de interferência de governos estrangeiros no processo eleitoral brasileiro. A inclusão desses novos temas reflete a evolução das preocupações e desafios no cenário político atual.
Metodologia Rigorosa: A Base da Análise da Quaest
A coleta de dados para esta rodada da Genial/Quaest foi conduzida entre a segunda-feira (10) e a quinta-feira (13). Durante quatro dias, 2.004 eleitores com 16 anos ou mais foram entrevistados presencialmente em diversas localidades do país. A abordagem face a face é um diferencial que busca captar um espectro mais amplo e fiel das opiniões, minimizando vieses e garantindo uma representatividade nacional robusta. Este universo amostral é desenhado para espelhar a diversidade do eleitorado brasileiro.
A pesquisa opera com uma margem de erro estimada de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, conferindo ao estudo um nível de confiança elevado, essencial para a credibilidade dos resultados. O investimento do Banco Genial na pesquisa soma R$ 314 mil, e seu registro junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06773/2026 assegura a total transparência e conformidade com as normas eleitorais vigentes. A conformidade com a legislação é um pilar fundamental para a validade dos dados apresentados.
O momento da divulgação da pesquisa é crucial. Ela surge pouco mais de uma semana após a rodada anterior, permitindo uma análise comparativa imediata das tendências e da evolução dos cenários. Mais significativamente, o levantamento antecede o primeiro debate televisionado entre os candidatos à Presidência, agendado pela Band para 23 de agosto. Os dados da Quaest fornecem um panorama valioso que pode influenciar as estratégias dos pré-candidatos e a narrativa política nas vésperas do embate direto.
Cenários Eleitorais e o Painel de Candidatos
O questionário da Quaest explora a intenção de voto de forma multifacetada. Inicialmente, os participantes respondem a uma pergunta espontânea, onde indicam o candidato de sua preferência sem o auxílio de uma lista. Na sequência, é apresentada uma relação com 13 nomes, permitindo ao eleitor escolher entre as opções formalizadas ou com potencial de disputa. Esta dualidade na abordagem busca captar tanto o reconhecimento espontâneo quanto a preferência diante de um leque completo de opções.
Entre os candidatos testados para o primeiro turno, figuram importantes nomes do cenário político nacional. A lista inclui Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo), Augusto Cury (Avante), Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU), Leonardo Avalanche (PRTB), Rui Costa Pimenta (PCO), Samara Martins (UP) e Wilson Grassi (Democrata). A inclusão de uma gama tão variada de nomes busca mapear as preferências em diferentes espectros ideológicos e regiões.
Para o segundo turno, o instituto simula confrontos diretos que podem definir o próximo ocupante do Palácio do Planalto. A Quaest testa a performance de Lula contra seus principais concorrentes diretos: Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos. Esses cenários são essenciais para entender a dinâmica de polarização, o potencial de crescimento de cada postulante em um embate final e a capacidade de formação de alianças e transferências de votos, o que impacta diretamente as estratégias das chapas.
Além da projeção de votos, a pesquisa aprofunda-se na percepção dos candidatos. O questionário inquere sobre quais nomes os eleitores de fato conhecem, avaliando o nível de reconhecimento de cada figura pública. Adicionalmente, mede-se a taxa de rejeição, perguntando em quais candidatos os eleitores “não votariam de maneira alguma”. Este dado é vital para as estratégias de campanha, pois um alto índice de rejeição pode inviabilizar um candidato, independentemente de sua intenção de voto inicial.
Para Além dos Números: Sentimentos e Temas Emergentes na Disputa de 2026
A pesquisa Genial/Quaest transcende os percentuais brutos para captar a complexidade do engajamento eleitoral. Uma seção dedicada do questionário busca identificar as reações emocionais do eleitor diante das opções postas na disputa. Os entrevistados podem associar sentimentos como entusiasmo, esperança, tranquilidade, indiferença, desânimo, preocupação ou raiva a cada um dos candidatos. Esta análise de sentimentos é crucial para compreender a qualidade do apoio ou a profundidade da aversão, revelando aspectos psicológicos que impulsionam ou freiam o voto. Para os candidatos, isso sinaliza quais narrativas e mensagens têm maior ressonância emocional com o público.
O que muda para o cidadão com esta abordagem é a forma como as campanhas se adaptam para tocar suas emoções. Não se trata apenas de propostas, mas de como o eleitor se conecta emocionalmente com a figura política, um fator que pode ser decisivo em momentos de alta polarização. Candidatos buscam despertar sentimentos positivos e mitigar associações negativas, impactando diretamente o discurso e a publicidade eleitoral.
Outra pergunta estratégica no levantamento foca na expectativa de vitória, independente da preferência pessoal do eleitor. Saber quem o eleitor acredita que vencerá a eleição, independentemente do seu próprio voto, revela percepções sobre a força dos candidatos, a eficácia de suas campanhas e o poder da narrativa em construção. Essa percepção pode, por vezes, influenciar o chamado “voto útil”, onde eleitores optam por um candidato com maior chance de vencer, mesmo que não seja sua primeira escolha.
Inteligência Artificial e Influência Externa: Novos Desafios Eleitorais
Com ineditismo em sua centralidade, a pesquisa incorpora perguntas sobre o impacto da inteligência artificial (IA) nas campanhas eleitorais. A inclusão deste tema reflete a crescente preocupação global com a disseminação de informações e desinformação, como deepfakes e conteúdos gerados automaticamente, que podem manipular o eleitorado. Para o setor político e para as instituições eleitorais, isso sinaliza a urgência de regulamentação, estratégias de comunicação transparentes e o combate à desinformação, garantindo a integridade do pleito.
De forma complementar, o levantamento aborda a sensível questão da possível interferência de governos estrangeiros no processo eleitoral brasileiro. A pergunta busca medir a percepção pública sobre a atuação de atores externos, que poderiam tentar influenciar o pleito para favorecer candidatos de diferentes campos políticos. Este tema ganhou relevância nas discussões sobre soberania e segurança nacional, especialmente após eventos eleitorais em outros países, impactando a confiança do cidadão no processo democrático.
Finalmente, a Quaest atualizará a avaliação do governo Lula. As perguntas focam na percepção dos cidadãos sobre a gestão atual, a situação da economia, o nível de emprego e, especificamente, os preços dos alimentos. Esses indicadores são cruciais, pois a performance do governo em áreas-chave como a economia e o custo de vida impacta diretamente a popularidade do atual presidente e, por extensão, a viabilidade de candidatos que representam a continuidade ou a oposição em 2026. Uma percepção negativa pode fortalecer a oposição, enquanto uma positiva pode consolidar a base governista.
Análise de Tendências: O Avanço de Flávio Bolsonaro na Rodada Anterior
A nova pesquisa da Genial/Quaest oferece a oportunidade de verificar a persistência e o aprofundamento das tendências observadas na rodada anterior, divulgada em 5 de agosto. Naquela ocasião, o presidente Lula registrou 39% das intenções de voto no primeiro turno, uma leve queda em relação aos 40% aferidos em julho. Em contrapartida, Flávio Bolsonaro demonstrou um crescimento, atingindo 30%, após marcar 28% na pesquisa anterior. Este movimento indica uma dinâmica de aproximação entre os dois principais polos da política brasileira e sugere um endurecimento da polarização que tende a caracterizar a próxima disputa presidencial.
Outros candidatos também tiveram seus percentuais avaliados na pesquisa anterior. Ronaldo Caiado e Renan Santos registraram 4% cada um, enquanto Romeu Zema aparecia com 2%. Nomes como Augusto Cury, Cabo Daciolo e Samara Martins obtiveram 1% das intenções de voto. Um dado relevante para o cenário futuro foi o montante de eleitores que se declararam brancos e nulos, somando 8%, e aqueles que ainda não haviam escolhido um candidato, totalizando 10%. Estes 18% representam um contingente considerável de eleitores a ser disputado, com potencial para alterar significativamente o resultado final da eleição.
No cenário de segundo turno, a pesquisa anterior apontou uma redução na vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro. O presidente marcava 44%, contra 39% do senador, uma diferença de cinco pontos percentuais. Essa margem representou uma queda em relação à pesquisa de julho, quando a vantagem numérica era de oito pontos. Essa diminuição da distância é um sinal de alerta para a campanha de Lula e de estímulo para Flávio Bolsonaro, indicando uma disputa mais acirrada e menos previsível do que se observava anteriormente.
Lula, contudo, mantinha a liderança nos demais cenários de segundo turno testados na rodada anterior. Ele aparecia com 45% das intenções de voto contra 37% de Ronaldo Caiado, 46% a 34% diante de Romeu Zema e 45% a 35% em um confronto com Renan Santos. A rodada anterior também ouviu 2.004 eleitores e foi registrada no TSE sob o número BR-06591/2026, garantindo a comparabilidade e a rastreabilidade dos dados que embasam estas análises de tendência.



