PT Adota Estratégia de Enfrentamento às Big Techs Visando Eleições de 2026

O Partido dos Trabalhadores (PT) tem intensificado nas últimas semanas uma estratégia focada no enfrentamento às grandes empresas de tecnologia, posicionando o tema como um eixo central para a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026.
Discursos de Lula Miram Críticas às Redes Sociais
Em eventos recentes, Lula direcionou críticas ao que descreveu como a “podridão” das redes sociais. As declarações, amplamente divulgadas, refletem uma estratégia mais abrangente, detalhada em resolução partidária aprovada em dezembro de 2025, que mira as eleições de 2026.
Em um discurso, Lula mencionou sua relação com celulares, afirmando que os utiliza apenas para questões de serviço e que prefere “coçar outras coisas” a carregar o aparelho. Em outras ocasiões, o presidente comentou sobre a inteligência artificial e os hábitos da cultura digital, associando-os a riscos políticos e sociais.
Conceito de “Colonialismo Digital” Ganha Força
A linha discursiva que associa tecnologias a riscos políticos e sociais tem sido reforçada por membros do governo e do partido. O secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, tem utilizado o conceito de “colonialismo digital” para descrever a atuação das grandes plataformas globais no Brasil.
O próprio Lula já havia mencionado a expressão, como em novembro de 2025, durante reunião do G20, quando afirmou que a inteligência artificial aprofunda desigualdades globais e alertou sobre uma nova forma de colonialismo: o digital. Em março de 2025, em cerimônia da OAB, o presidente mencionou o “poder absolutista” das “oligarquias digitais” e a necessidade de um “arcabouço jurídico robusto”.
Resolução do PT Detalha Plano Contra Big Techs para 2026
A resolução política aprovada pelo PT em dezembro de 2025 detalha a estratégia para as eleições de 2026. O documento considera a atuação das grandes plataformas digitais como um dos principais fatores de risco ao processo eleitoral e à soberania nacional.
A resolução defende a regulação das Big Techs, o fortalecimento da comunicação pública e a construção de uma presença coordenada nas plataformas digitais como condições decisivas para o debate político e a proteção do processo eleitoral. O documento também destaca a importância da soberania digital e a necessidade de o Brasil não permanecer subordinado ao oligopólio global das Big Techs.
Judicialização é Parte da Estratégia
O PT tem recorrido ao Judiciário em questões envolvendo plataformas digitais e adversários políticos. Em dezembro de 2025, o partido informou que acionaria o STF e o TSE após o desaparecimento de perfis de esquerda no Instagram e no Facebook durante a votação do PL da Dosimetria.
Em janeiro, o partido protocolou representações contra o assistente de inteligência artificial Grok, solicitando investigação e medidas que poderiam levar ao bloqueio ou banimento do serviço no Brasil. Outro caso recente envolveu ação contra o deputado Nikolas Ferreira por um vídeo publicado nas redes sociais.
Contexto
A estratégia do PT de confrontar as grandes empresas de tecnologia visa influenciar o debate público sobre a regulação das plataformas digitais e o controle da desinformação, temas que ganharam relevância crescente na política brasileira e podem impactar as eleições de 2026.