Lincoln Gakiya classifica o PCC como máfia e critica a falta de integração entre forças de segurança

O promotor Lincoln Gakiya afirma que a polarização política dificulta o combate ao PCC, que já opera de forma mafiosa.
Polarização política e o combate ao crime
O promotor de Justiça do Ministério Público de são paulo, Lincoln Gakiya, declarou que a “polarização política” é um fator que prejudica a cooperação no combate à criminalidade, especialmente em relação ao PCC (Primeiro Comando da Capital). Ele afirmou, em audiência realizada nesta terça-feira (25), que o PCC já atingiu um nível considerado “mafioso” em suas operações.
Gakiya enfatizou que, enquanto alterações legislativas podem fornecer ferramentas para o enfrentamento do crime, a verdadeira ação depende da colaboração efetiva entre as diferentes forças de segurança. “A polarização política que tomou conta deste país, infelizmente, acaba prejudicando ainda mais essa integração”, afirmou.
Exemplo da Operação Carbono Oculto
O promotor citou a Operação Carbono Oculto como um exemplo de um esquema bilionário do PCC no setor de combustíveis. Ele destacou que ações desse tipo “dificilmente” ocorreriam atualmente devido a impasses na colaboração entre as esferas federal e estadual.
Organizações criminosas e suas evoluções
Além disso, Gakiya mencionou a criação de fintechs e a atuação de empresas de apostas como novos exemplos do alcance das organizações criminosas. Ele defendeu uma classificação diferenciada para grupos como o PCC e o Comando Vermelho, vistos como tendo atuação internacional e complexidade maior na lavagem de dinheiro.
Necessidade de mais efetivo policial
O promotor também criticou a quantidade insuficiente de policiais federais no Brasil, afirmando que não é aceitável que um país continental tenha apenas 13 mil policiais. Ele comparou essa cifra ao efetivo de outras polícias estaduais, como a Polícia Militar de são paulo, que possui cerca de 90 mil policiais. “A Polícia Federal precisa ser melhor aparelhada e fortalecida”, argumentou.
O PL Antifacção e suas implicações
Sobre o PL Antifacção, que foi enviado pelo governo e teve mudanças aprovadas na Câmara, Gakiya expressou preocupação de que a versão atual do texto pode engessar a atuação de forças-tarefas. Ele também comentou sobre a nova tipificação de “organizações criminosas ultraviolentas”, que pode dificultar o enquadramento de seus integrantes. “Nenhum integrante do PCC que eu atendi até hoje diz que é integrante do PCC”, afirmou.
Propostas de criação de autoridade nacional
Gakiya, que fez parte do grupo que elaborou o texto inicial do projeto do Ministro da Justiça, sugeriu a criação de uma autoridade nacional antimáfia, com autonomia e independência, que seria ligada ao Ministério da Justiça. Essa nova entidade seria responsável por coordenar as ações no combate ao crime organizado de forma mais eficaz.
O projeto atualmente aprovado na Câmara está em análise no Senado, sob a relatoria do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que também é relator da CPI do Crime.