Apesar da redução na previsão de produção, receita com exportações deve aumentar significativamente

A Abiove revisou para baixo a projeção da safra de soja, mas prevê aumento na receita com exportações.
A projeção da Abiove para a safra de soja do Brasil em 2026 foi reduzida para 177,7 milhões de toneladas, com uma diminuição de 800 mil toneladas em relação à estimativa anterior. Mesmo com essa queda, o país continua a ser o maior produtor e exportador mundial de soja, e a safra ainda assim deve ser recorde, superando a de 2025.
A Abiove, responsável por reunir as principais indústrias do setor, não detalhou se a diminuição na previsão está relacionada a um plantio mais lento devido a chuvas irregulares. Entretanto, a organização mencionou que a nova estimativa é baseada nos dados fornecidos pelos associados, incluindo tradings e processadoras. É plausível que as condições climáticas estejam impactando o desenvolvimento da safra, com cerca de 70% do plantio concluído até a última quinta-feira, conforme a consultoria AgRural.
Expectativas de exportação e processamento para 2026
Embora a projeção de safra tenha diminuído, a Abiove manteve suas expectativas para as exportações e o processamento de soja em 2026, que devem atingir novos recordes. A exportação de soja está projetada em 111 milhões de toneladas, um aumento em relação às 109 milhões de toneladas estimadas para 2025, que foi revisada para baixo em 500 mil toneladas. Já o processamento deve alcançar 60,5 milhões de toneladas, representando um aumento de 3,4% em comparação com 2025.
A receita proveniente das exportações de soja, farelo e óleo do Brasil, que é fundamental para a economia do país, foi estimada em US$ 60,25 bilhões para 2026, um aumento significativo em relação aos US$ 55,26 bilhões previstos anteriormente. Essa revisão se deve principalmente ao aumento nos preços do grão, que também refletiu nas expectativas para 2025, agora estimada em US$ 53,3 bilhões.
Impacto das condições climáticas
As condições climáticas têm sido uma preocupação constante no planejamento agrícola, e a Abiove não alterou suas projeções de produção de farelo e óleo de soja. Contudo, a expectativa para a exportação de óleo vegetal foi elevada em 200 mil toneladas, chegando a 1,2 milhão de toneladas, embora ainda abaixo das 1,35 milhão de toneladas estimadas para 2025.
Os preços da soja na bolsa de futuros de Chicago subiram mais de 10% desde a última previsão da Abiove, atingindo níveis máximos desde 2024, impulsionados pelas expectativas de compras do produto pelos chineses após um acordo recente. A soja em grão representa a maior parte da receita, com quase US$ 50 bilhões projetados para 2026.
Considerações finais
Em suma, a projeção da Abiove sinaliza uma safra de soja menor em 2026 em comparação com o que foi anteriormente previsto, mas ao mesmo tempo aponta para um aumento significativo na receita das exportações. As indústrias e os agricultores devem ficar atentos às condições climáticas e às flutuações de preços, que podem impactar tanto a produção quanto a rentabilidade do setor nos próximos anos.