A produção de veículos no Brasil saltou em maio, com 253,5 mil unidades fabricadas. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) reportou que as vendas também avançaram, registrando 274,7 mil emplacamentos. O resultado marca o melhor mês de maio desde 2019, impulsionado por automóveis e veículos leves, enquanto o segmento de pesados ainda busca recuperação.
O volume produtivo de maio representa uma alta de 15,2% frente ao mesmo mês do ano anterior. Nos cinco primeiros meses do ano, as fábricas brasileiras montaram 1,1 milhão de veículos, um crescimento de 7,1% na comparação anual.
Essa força vem do desempenho dos automóveis, cujas vendas subiram 21,5%. O programa “Carro Sustentável”, focado em modelos de entrada, contribuiu para o aquecimento do mercado.
Comerciais leves, como picapes e furgões, também registraram alta de 7,7% no período. Caminhões e ônibus, no entanto, seguem em baixa, com quedas de 15,1% e 16,3%, respectivamente, no mês.
Há expectativa de reversão para os pesados com os subsídios do programa Move Brasil 2.
Apesar do cenário positivo, a Anfavea manifestou preocupação com o aumento global dos preços de combustíveis. O encarecimento eleva os custos de produção e, na ponta, pressiona os consumidores. Isso impacta a inflação e a velocidade da queda de juros pelo Banco Central.
Vendas de Veículos Ganham Ritmo e Superam Marcas
As vendas de veículos atingiram um ritmo diário impressionante em maio. A média diária de 13,7 mil autoveículos (leves e pesados) foi a melhor desde dezembro de 2014.
No total, os emplacamentos de maio somaram 274,7 mil unidades. Esse número representa um aumento de 21,7% em relação a maio do ano passado.
O acumulado de vendas do ano também superou o patamar de 1 milhão de unidades em maio, um mês antes do que em 2025. São 1.148,2 mil unidades comercializadas até agora, com crescimento de 16,4% no acumulado.
A expansão dos veículos eletrificados (elétricos puros, híbridos e híbridos plug-in) tem papel relevante nesse bom resultado. A participação desse segmento saltou de 10,6% em junho do ano passado para 19,5% em maio.
Maio registrou um recorde na venda de elétricos puros, com 21 mil unidades. A soma dos modelos híbridos chegou a 30,7 mil no mesmo período.
O aumento reflete uma mudança na preferência do consumidor brasileiro, que busca por veículos mais eficientes e de menor impacto ambiental, além da maior oferta de modelos no mercado.
Exportações Recuam, China Dispara nas Importações
O cenário do comércio exterior para o setor automotivo brasileiro mostra desafios. As exportações registram queda significativa em 2026, principalmente para os parceiros da América do Sul.
A Argentina, principal destino, comprou 89,6 mil unidades, um recuo de 33,3%. O México importou 31,6 mil veículos, com leve queda de 0,5%.
A Colômbia, por outro lado, aumentou suas compras em 14,5%, somando 17,7 mil unidades. Chile (-19,6%) e Uruguai (-34,5%) também reduziram as importações de veículos brasileiros, cada um abaixo das 10 mil unidades.
A retração nas vendas externas pressiona a indústria local, que tradicionalmente utiliza as exportações como válvula de escape para o excedente de produção e fonte de divisas.
Em contrapartida, as importações disparam. A China se tornou o principal fornecedor de veículos para o Brasil em 2026.
Foram 108,4 mil unidades importadas da China entre janeiro e maio, um salto impressionante de 86,6%. Os modelos argentinos, por sua vez, recuaram 16,8%, totalizando 71,3 mil unidades.
As vendas de importados em maio totalizaram 55 mil unidades. Nos cinco primeiros meses do ano, o volume de veículos estrangeiros atingiu 223 mil unidades, uma elevação de 17,4%. Este número é mais que o dobro das vendas de veículos nacionais no mesmo período.
O crescimento robusto das importações chinesas, em particular, reconfigura o mercado doméstico. A crescente presença de modelos estrangeiros, especialmente eletrificados, aumenta a competitividade e a oferta para o consumidor brasileiro.
Contexto
O setor automotivo brasileiro opera sob a influência de programas de incentivo governamentais e da dinâmica econômica global. A recente performance positiva nas vendas e produção, impulsionada por programas como “Carro Sustentável”, alivia a pressão sobre as montadoras. Contudo, a queda das exportações para mercados tradicionais da América do Sul e a crescente entrada de veículos importados, sobretudo da China, redefinem as estratégias das fabricantes. A busca por veículos eletrificados acelera uma transição tecnológica, enquanto a volatilidade nos preços de combustíveis e as taxas de juros permanecem como fatores macroeconômicos de peso para a saúde do segmento a longo prazo.


