Primeira-Dama da Nigéria Nega Genocídio de Cristãos em Entrevista nos EUA
Em entrevista à CBN News em Washington, no início de fevereiro, a primeira-dama da Nigéria, Oluremi Tinubu, negou veementemente a ocorrência de genocídio contra cristãos no país. Questionada sobre os ataques e a violência religiosa, ela atribuiu os crimes a atos de terrorismo e à instabilidade política interna.
Conflitos Ligados a Terrorismo e Instabilidade, Afirma Tinubu
“Não creio”, respondeu repetidamente Oluremi Tinubu ao ser indagada sobre a existência de um genocídio. Segundo ela, os conflitos em curso estão intrinsecamente ligados a antigas disputas regionais, pobreza generalizada e ações perpetradas por grupos armados, em um contexto de aproximação das eleições de 2027.
“Quando há terroristas e sequestros para resgate, e quando o mundo lança uma narrativa de genocídio cristão, os terroristas percebem isso e começam a atacar igrejas”, declarou a primeira-dama.
Nigéria é Considerada um dos Países Mais Perigosos para Cristãos
A Nigéria figura entre os países mais perigosos do mundo para a população cristã. De acordo com a Lista Mundial de Vigilância da organização Portas Abertas, mais de 70% dos cristãos mortos em todo o mundo nos últimos anos ocorreram em território nigeriano.
Críticos apontam que, embora muçulmanos também sejam vítimas da violência, os cristãos são alvos frequentes de ataques. Muitos são mortos, sequestrados, perdem suas casas, plantações e igrejas. Há relatos de mulheres e meninas forçadas a se casar com seus sequestradores.
Tinubu Relata Ameaças Devido ao Seu Casamento Inter-religioso
Oluremi Tinubu também relatou ter sido alvo de ameaças por ser cristã e casada com o presidente Bola Tinubu, que é muçulmano. “Havia um clérigo muçulmano que disse que eu era pagã”, explicou. “A maioria dos que me defenderam são do norte”, acrescentou, ao comentar sobre as divisões religiosas no país.
Agradecimento a Donald Trump por Ataques a Grupos Terroristas
Apesar de rejeitar o termo genocídio, a primeira-dama agradeceu ao ex-presidente dos EUA, Donald Trump, pelos ataques com mísseis contra grupos terroristas no dia de Natal. “Agradecemos ao Presidente Trump pelo que ele fez por nós”, disse. “Este foi o primeiro Natal em que ninguém foi atacado”, complementou.
Após as ações, o governo do presidente Bola Tinubu ampliou as operações militares, intensificou a troca de informações com os Estados Unidos e anunciou a contratação de 20 mil agentes de segurança para combater o terrorismo.
Primeira-Dama Busca Fortalecer Relações com os EUA
Durante a visita aos EUA, Tinubu participou do Café da Manhã de Oração Nacional, onde foi citada publicamente por Trump. A viagem teve como objetivo fortalecer as relações comerciais e diplomáticas entre os dois países.
Em meio às críticas, ela citou o próprio casamento inter-religioso como um exemplo de convivência. “Se eu quiser desfrutar do meu casamento, Jesus precisa vir e me dar essa paz”, disse. “Meu marido é um bom homem.”
Contexto
A declaração da primeira-dama da Nigéria ocorre em um momento de crescente preocupação internacional com a violência religiosa no país, que tem sido palco de conflitos frequentes entre diferentes grupos étnicos e religiosos. A negação de um possível genocídio levanta questionamentos sobre a percepção do governo nigeriano em relação à gravidade da situação e as medidas que estão sendo tomadas para proteger a população.