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Presidente do Chile nomeia aliados de Pinochet para ministérios

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Kast anuncia equipe ministerial com ex-advogados de Pinochet no Chile

O presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, apresentou na terça-feira (20) os nomes que comporão seu ministério, que assumirá o governo a partir de 11 de março. A composição do gabinete e o discurso econômico adotado geraram atenção, especialmente pela inclusão de dois ex-advogados do ditador Augusto Pinochet, que liderou o regime militar no país entre 1973 e 1990, conforme informações do El País.

Gabinete técnico e experiência no setor privado

Kast confirmou 24 ministros, sendo que 16 não possuem filiação partidária. Ele justificou a escolha priorizando critérios técnicos e experiência profissional, com forte presença de nomes vindos do setor privado. O presidente eleito ressaltou que a formação do gabinete não se baseou em acordos políticos tradicionais e foi estruturada para responder rapidamente aos desafios econômicos e de segurança do país.

Nomes polêmicos na Defesa e Justiça

A nomeação de Fernando Barros para o Ministério da Defesa gerou grande repercussão. Barros atuou por décadas como consultor jurídico do ex-presidente Sebastián Piñera e integrou a equipe de defesa de Pinochet durante sua prisão em Londres, em 1998.

Outra escolha que causou controvérsia foi a de Fernando Rabat para o Ministério da Justiça e Direitos Humanos. Rabat também participou da defesa de Pinochet em casos como a Operação Colombo, que investigou o desaparecimento de opositores do regime, e o caso Riggs, sobre recursos mantidos no exterior pelo ex-ditador.

Repercussão negativa entre entidades de direitos humanos

A nomeação de Rabat gerou críticas de organizações de direitos humanos, em virtude das atribuições da pasta relacionadas à política de memória e a decisões sobre indultos. Entidades que representam familiares de vítimas da ditadura reagiram formalmente ao anúncio, alegando que a escolha dos dois ministros representa um desrespeito à memória dos mortos e desaparecidos do período militar. As críticas se concentraram na indicação para a Justiça, devido ao envolvimento direto com temas ligados a violações de direitos humanos.

“Gabinete de emergência”

Kast defendeu sua equipe, afirmando que o Chile enfrenta um momento que exige respostas rápidas e decisões firmes. Ele classificou o ministério como um “gabinete de emergência”, focado no combate ao crime e na recuperação econômica. Segundo o presidente eleito, a prioridade será criar um ambiente mais previsível para investimentos, reforçar a segurança pública e impulsionar o crescimento, após um período de desaceleração e incertezas.

Contexto

A escolha de ex-advogados de Pinochet para ministérios-chave no Chile levanta debates sobre a memória do regime militar e as políticas de direitos humanos no país, podendo impactar a relação do novo governo com organizações sociais e a comunidade internacional.

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