No cenário de fé e cansaço que anualmente toma conta da Rodovia Presidente Dutra, por onde milhares de peregrinos seguem em uma jornada intensa, uma figura inesperada se destacou, atraindo olhares e acendendo a esperança.
Não se tratava de uma visão celestial, mas sim de uma manifestação pura de **solidariedade**: uma voluntária de Jundiaí, vestida de Nossa Senhora Aparecida, que dedicou madrugadas frias a acolher e dar força aos romeiros a caminho do Santuário Nacional.
A ação especial foi protagonizada por Mara Gisele Pereira, presidente da Associação Beneficente Fios Encantados, de Jundiaí, interior de São Paulo.
Ela escolheu a Via Dutra, em Arujá, para oferecer abraços e palavras de incentivo durante os dias que antecederam a celebração da padroeira do Brasil.
Acostumada a percorrer o Caminho da Fé como peregrina, Mara decidiu vivenciar a devoção de uma maneira diferente, oferecendo um porto seguro aos caminhantes.
O Encontro Inesperado na Via Sacra da Dutra
A ideia de representar a padroeira do Brasil não surgiu por acaso, mas da própria história de Mara com a religião católica.
Desde a infância, ela participa de romarias, mantendo o costume de visitar Aparecida anualmente.
Em entrevista ao Tribuna de Jundiaí, a voluntária explicou o que a motivou a vestir o manto da santa para receber os peregrinos em um dos trechos mais desafiadores da viagem.
“Fui criada na igreja católica, indo para Aparecida do Norte todos os anos em romaria. Fazem três anos que meu amigo do projeto Instituto Juntos na Superação, o Darcio, monta uma tenda para acolher os romeiros. Eu senti de me vestir para dar abraços e acolher os peregrinos”, contou.
Embora já tenha realizado o Caminho da Fé diversas vezes, esta foi a primeira experiência de Mara participando da ação na Via Dutra caracterizada como Nossa Senhora Aparecida.
Para ela, a iniciativa representa uma nova maneira de expressar sua espiritualidade, compartilhando o sentimento de **acolhimento** com outras pessoas que enfrentam a mesma jornada.
Impacto na região
A atuação de Mara, uma cidadã de **Jundiaí**, e da Associação Beneficente Fios Encantados, sediada na cidade, ressalta um movimento de solidariedade que irradia do município.
Muitos peregrinos que seguem pela Rodovia Presidente Dutra têm origem em Jundiaí e cidades vizinhas ou passam pela região, tornando o apoio recebido ainda mais significativo para os moradores e viajantes locais.
Essa conexão entre o trabalho voluntário e as rotas tradicionais de fé fortalece os laços comunitários e mostra como a compaixão transcende as fronteiras geográficas.
Entre a Neblina e a Chuva: o Apoio Incansável aos Romeiros
A mobilização ocorreu durante a madrugada, quando muitos **peregrinos** ainda percorriam a rodovia sob condições climáticas adversas em direção a Aparecida.
Mesmo diante do frio intenso, da neblina e da chuva fina, os voluntários permaneceram firmes no local para distribuir água, alimentos e oferecer palavras de apoio inestimáveis aos caminhantes.
Além da assistência material, a iniciativa buscou proporcionar momentos de **conforto emocional e espiritual** àqueles que enfrentavam longas jornadas, muitas vezes em silêncio e solidão, para demonstrar sua devoção.
Segundo Mara Gisele Pereira, a experiência reforçou sua vontade de continuar participando de ações semelhantes, levando esperança a quem mais precisa.
“São momentos únicos que eu vivo e vivencio em minha vida. Servir ao Senhor me fortalece muito, e quanto mais eu faço, mais quero fazer”, afirmou, com a convicção de quem encontrou seu propósito.
A presidente da associação também revelou que pretende repetir a iniciativa em outras oportunidades, consolidando este novo braço do seu trabalho voluntário.
Do abraço aos peregrinos ao acolhimento oncológico
À frente da Associação Beneficente Fios Encantados, Mara já desenvolve trabalhos voluntários consolidados, voltados principalmente ao acolhimento de pacientes em tratamento contra o câncer.
O projeto leva sorrisos, toucas, perucas e apoio emocional a **pacientes oncológicos** de Jundiaí e de outras regiões do Brasil, ultrapassando as fronteiras do país com sua primeira ação internacional na Argentina.
Além das visitas a hospitais, a associação participa de missões noturnas e outras atividades solidárias, ampliando o atendimento a pessoas que precisam de acolhimento em diversas situações.
A participação na Via Dutra acrescentou uma nova e profunda experiência a essa trajetória de vida dedicada ao próximo, desta vez unindo o voluntariado à tradição religiosa da peregrinação.
O Legado da Fé e a Nova Face do Voluntariado
A devoção a Nossa Senhora Aparecida, para Mara, faz parte de sua vida desde a infância. Questionada sobre quando sua fé começou, respondeu de maneira simples: “Desde quando me conheço por gente”, o que demonstra a profundidade de sua conexão.
A experiência em Arujá também mostrou que o significado das romarias vai muito além do percurso físico até o Santuário Nacional, revelando uma dimensão de conexão humana e apoio mútuo.
Para quem caminha por quilômetros, muitas vezes sob sol e chuva, receber uma palavra de incentivo, um abraço caloroso ou um simples copo d’água pode representar um estímulo fundamental para continuar a jornada.
A iniciativa de Mara insere-se em um cenário maior, onde o **voluntariado** tem assumido um papel cada vez mais essencial no apoio a grandes eventos religiosos e culturais no Brasil.
Em um tempo de intensas transformações sociais, a mobilização de indivíduos e organizações para oferecer suporte aos peregrinos reflete uma evolução na forma de vivenciar a fé, combinando a espiritualidade individual com a ação comunitária.
Essas ações, como a realizada por Mara, não apenas garantem maior segurança e conforto aos devotos, mas também fortalecem os laços de solidariedade, mostrando que a jornada da fé pode ser compartilhada e enriquecida pela generosidade humana.



