A corrida presidencial brasileira ganha fôlego com os candidatos intensificando suas agendas pelo país, focando em temas cruciais que moldam o debate eleitoral. Nesta sexta-feira (25), a campanha foi marcada por uma série de eventos, desde caminhadas e carreatas a debates e jantares com empresários, com propostas que buscam ressoar diretamente com o eleitorado. Os principais nomes em disputa dedicaram-se a consolidar suas bases e a apresentar soluções para desafios econômicos e sociais, com a questão das apostas esportivas emergindo como um ponto de controvérsia e debate multifacetado entre os presidenciáveis.
A pauta do dia reflete as prioridades de cada campanha, abrangendo desde a valorização da educação e o apoio ao agronegócio até a segurança pública e as complexas implicações das plataformas de jogos online. A diversidade de atividades mostra o esforço para atingir diferentes públicos, seja nas ruas das grandes cidades ou em encontros setoriais estratégicos, delineando os primeiros contornos das possíveis direções políticas do país.
Apostas Esportivas: O Epicentro de Propostas Antagônicas na Campanha
Um dos temas que mais polariza os candidatos nesta fase da campanha é o futuro das apostas esportivas, as chamadas “bets”. Diferentes propostas surgem, variando entre a proibição total e a elevação substancial da carga tributária, refletindo a preocupação com o impacto social e financeiro dessas plataformas na vida dos brasileiros.
Lula Propõe Fim Total das Plataformas de Aposta
O candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou de um ato de campanha no Recife, onde defendeu o fim completo das casas de apostas esportivas. A justificativa do ex-presidente é o impacto negativo na saúde financeira e mental da população.
“Tem muita gente doente por causa de jogo, tem muita gente endividada. Eu vou dizer para vocês, eu vou acabar com as bets”, declarou Lula. A proposta de proibição total implica um controle mais rígido sobre o acesso a esses jogos, visando proteger os consumidores do endividamento excessivo e da dependência, preocupações recorrentes entre especialistas em saúde pública e finanças pessoais. A medida, se implementada, teria um impacto direto no mercado de apostas, que movimenta bilhões de reais anualmente, afetando empresas, patrocinadores e o próprio fluxo de receita para o governo, embora o foco primário seja a proteção social.
Augusto Cury Defende Taxação Elevada para o Setor
Em contraste com a posição de Lula, o candidato Augusto Cury (Avante) propõe uma taxação significativamente maior sobre as “bets”. Em Boa Viagem, Recife, onde conversou com eleitores, Cury argumentou que as apostas online são um dos principais vetores do endividamento familiar devido ao seu “efeito rápido e curto”, que também gera dependência.
“As bets, com seu efeito rápido e curto, também geram dependência. Nós precisamos ou terminar com as bets, ou taxá-las de maneira concreta, grande. Porque hoje elas estão taxadas em 12%, os alimentos, em 18%, e os remédios, em 32%, bem como a energia”, afirmou o candidato. A comparação de Cury com outros setores serve para ilustrar a percepção de uma tributação desproporcionalmente baixa sobre as apostas, sugerindo que o lucro obtido pelas plataformas deveria contribuir mais para os cofres públicos. Uma taxação elevada poderia, em tese, desestimular a proliferação dessas empresas e gerar recursos para programas sociais ou de combate ao endividamento.
Flávio Bolsonaro Promete Proibir ‘Jogo do Tigrinho’ e Cassinos Online
Outro candidato que se posicionou firmemente contra as apostas online foi Flávio Bolsonaro (PL). Durante a Formatura Geral do Curso de Formação de Praças da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, ele destacou a importância da corporação e, em seguida, direcionou suas críticas às plataformas de jogos.
Bolsonaro declarou que, caso eleito, “vai estar proibido o jogo do Tigrinho, vai estar proibido o cassino online”. Essa promessa aponta para uma medida específica, visando jogos que frequentemente se tornam virais e são associados a esquemas fraudulentos ou de rápida indução à dependência. A proibição desses jogos específicos pode ser vista como uma tentativa de combater as formas mais predatórias de apostas, diferenciando-se de uma proibição total do setor, mas ainda assim impactando significativamente a indústria de jogos digitais e a economia informal que, por vezes, opera em torno dessas plataformas.
Agronegócio e Educação: Compromissos com Setores Estratégicos
Além do debate sobre apostas, outros temas de grande relevância econômica e social ocuparam espaço nas agendas dos presidenciáveis, com destaque para propostas voltadas ao agronegócio e à educação pública.
Ronaldo Caiado Prioriza Renegociação de Dívidas e Seguro Rural
O candidato Ronaldo Caiado (PSD) concentrou sua campanha em Goiás, participando de carreatas em municípios como Quirinópolis, Itumbiara e Catalão, além de reuniões com apoiadores em Goiânia. Sua plataforma enfatiza o apoio ao agronegócio, um pilar da economia brasileira, propondo medidas para aliviar a situação dos produtores rurais.
Caiado defendeu a renegociação de dívidas e maiores subsídios para o agronegócio, incluindo a criação de um seguro rural robusto para mitigar os efeitos das mudanças climáticas. “Como presidente da República eu saberei, primeiro, propor uma renegociação capaz de resgatar o setor, depois garantir um seguro rural, para que não fique nas costas do produtor rural os riscos, principalmente em momentos como esse, com a ameaça desse El Niño, de proporções maiores ainda”, afirmou. A proposta de Caiado reconhece a vulnerabilidade do produtor rural às intempéries climáticas, como o fenômeno El Niño, que pode causar secas ou chuvas excessivas, impactando diretamente a safra e a subsistência de milhões. Um seguro rural eficaz e a renegociação de dívidas representam um alívio financeiro fundamental, buscando garantir a continuidade da produção de alimentos e a estabilidade econômica do setor.
Hertz Dias Defende Valorização da Educação Pública e Profissionais
Em Belo Horizonte, Hertz Dias (PSTU) realizou panfletagens na Santa Casa de Misericórdia, no Mercado Central e na PUC Coreu, além de visitar diversos bairros. Sua campanha é centrada na valorização da educação, com foco em maior investimento público e respeito aos profissionais da área.
“Os trabalhadores da educação precisam ser valorizados. Isso significa garantir o cumprimento da lei do piso, carreira, salários dignos e condições adequadas de trabalho. Educação de qualidade não se faz com cortes de verbas, precarização e desrespeito aos profissionais que estão todos os dias nas escolas”, disse Dias. A defesa do cumprimento da lei do piso salarial e a garantia de condições de trabalho adequadas são demandas históricas da categoria, que busca reconhecimento e investimentos para melhorar a qualidade do ensino público. A proposta implica não apenas em um aumento de gastos públicos, mas também em uma reestruturação das políticas educacionais que priorizem o bem-estar e a qualificação dos educadores, impactando diretamente a formação de futuras gerações e o desenvolvimento do país.
Outras Agendas e Posicionamentos Marcantes
A sexta-feira eleitoral também foi palco para outras manifestações e atividades, delineando um panorama amplo de propostas e focos de campanha.
Segurança Pública e Direitos Sociais em Destaque
No Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro (PL) participou da Formatura Geral do Curso de Formação de Praças da Polícia Militar do Estado, reforçando seu compromisso com a segurança pública. Ele destacou os policiais como peça fundamental “para devolver as ruas ao povo brasileiro” e reafirmou que, se eleito, declarará guerra contra o crime organizado, com a polícia desempenhando um papel essencial. Essa retórica visa atender à demanda popular por mais segurança e ordem, propondo um endurecimento no combate à criminalidade.
Já no campo dos direitos sociais, Edmilson Costa (PCB) participou de uma roda de conversa sobre os desafios da classe trabalhadora em Seropédica, no Rio de Janeiro, e de um debate promovido pelo Movimento Nacional de Luta pela Moradia, no centro da capital fluminense. Suas atividades ressaltam a importância das pautas sociais, buscando diálogo direto com movimentos populares e setores mais vulneráveis da sociedade, focando em questões como moradia digna e direitos trabalhistas.
Nas redes sociais, Edmilson Costa também divulgou um vídeo reafirmando o compromisso com a luta do povo palestino. “Condenamos, com toda firmeza, o genocídio contra a população de Gaza. Diante da destruição, da fome, do deslocamento forçado e da morte de milhares de civis, o silêncio não é opção”, afirmou. Essa declaração posiciona o candidato em um debate de política internacional, um tema que, embora distante do cotidiano imediato, reflete posições ideológicas e éticas que podem influenciar uma parcela do eleitorado.
Atividades de Campanha Variadas Pelo País
Outros candidatos também cumpriram suas agendas. Romeu Zema (Novo) dedicou o dia a cidades do interior de Minas Gerais, concedendo entrevistas a rádios locais em Extrema e Cambuí, e almoçando com apoiadores. Zema também fez campanha na cidade de Ouro Fino. Essa estratégia foca no contato direto com o eleitorado fora dos grandes centros urbanos, buscando fortalecer sua base no estado onde tem maior reconhecimento.
Renan Santos (Missão) fez campanha em Franca (SP) e em Uberaba e Uberlândia, ambas em Minas Gerais, onde conversou com seus apoiadores e realizou comícios. A presença em múltiplos estados demonstra o esforço para ampliar o alcance e a visibilidade de sua candidatura.
Por fim, alguns candidatos não divulgaram agenda pública de campanha para a sexta-feira, incluindo Leonardo Avalanche, Samara Martins (UP), Wilson Grassi (Democrata) e Clariana Barão (DC). A ausência de agendas públicas pode indicar estratégias de campanha internas, foco em redes sociais, ou menor estrutura para eventos de grande porte.
Contexto
A intensa movimentação dos presidenciáveis nesta etapa da campanha eleitoral reflete a urgência em solidificar propostas e conquistar o eleitorado. Os debates sobre apostas online, agronegócio, educação e segurança pública são indicativos das prioridades nacionais e dos desafios que o próximo governo enfrentará. A forma como os candidatos abordam e propõem soluções para essas questões é crucial para a decisão dos eleitores, que buscam respostas para os complexos problemas do país.



