

Mais de 74 milhões de reais em um engenhoso esquema de lavagem de dinheiro. Esta era a cifra ligada a Gralber Compri, conhecido pelo vulgo “Da Princesa”, cuja jornada como foragido da Justiça chegou a um fim surpreendente na última quarta-feira (7).
A cena da prisão foi em Guarujá, no litoral paulista, onde o homem de 47 anos foi abordado ao deixar uma academia de ginástica, no bairro Enseada. A captura de um nome apontado como liderança do Primeiro Comando da Capital (PCC) em um momento tão corriqueiro expõe a complexidade e a ousadia do crime organizado.
A Captura Estratégica em Meio à Rotina
Gralber Compri foi condenado a 17 anos e 13 dias de prisão em regime fechado, além de 46 dias-multa, por seu papel central na movimentação de milhões para a facção. Seu mandado de prisão era um dos mais aguardados no âmbito da Operação Hauler.
A ação conjunta que culminou em sua prisão foi orquestrada pela Polícia Militar e pela Polícia Federal. Um trabalho minucioso de inteligência policial permitiu localizar o paradeiro do criminoso, monitorando seus passos até o momento exato da abordagem.
Na saída do estabelecimento de ginástica, Compri foi interceptado pelas equipes do 21º Batalhão de Polícia Militar do Interior (21º BPM/I). A identidade do foragido foi rapidamente confirmada pelas autoridades.
Durante a operação, os policiais apreenderam uma série de documentos e cartões falsos, todos emitidos em nome de terceiros. Dois aparelhos celulares também foram confiscados, itens cruciais que podem fornecer novas pistas para as investigações.
Após a prisão, Compri foi imediatamente encaminhado à sede da Polícia Federal em Santos. Lá, foram tomadas as providências para o cumprimento formal do mandado de prisão pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Impacto na região
A prisão de um articulador financeiro como Gralber Compri tem reflexos diretos que se estendem para além do litoral, alcançando cidades como Jundiaí e seus arredores. O dinheiro lavado, que sustentava o crime organizado, é o combustível para atividades ilícitas diversas.
Em Jundiaí, a fragilização de uma liderança como “Da Princesa” pode impactar a rede de financiamento que alimenta o tráfico de drogas, roubos e outras formas de extorsão. Embora as operações maiores se concentrem em polos como o litoral, suas ramificações chegam às comunidades locais.
A interrupção desse fluxo financeiro ilegal representa uma descapitalização para a facção. Isso, por sua vez, pode gerar instabilidade e dificultar a expansão de crimes que afetam diretamente a segurança e o cotidiano dos moradores da região.
A Rede Sofisticada e o Passado de “Bonitinho”
A Operação Hauler, deflagrada em setembro de 2025 pela Polícia Federal em Araraquara em parceria com o Gaeco – Núcleo Ribeirão Preto, revelou a complexidade da lavagem de dinheiro. O esquema desarticulado movimentou a vultosa quantia de R$ 74 milhões, destinados a financiar organizações criminosas em São Paulo.
A base avançada da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO) em Santos foi responsável por esta etapa da operação. Ela é composta por um time multidisciplinar, incluindo Polícia Federal, Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), Secretaria da Administração Penitenciária do Estado de São Paulo (SAP/SP) e Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP/SP).
As Conexões Históricas no Sistema Prisional
Os registros policiais contextualizam a trajetória de Compri no crime organizado. Na década passada, ele esteve custodiado na Penitenciária de Presidente Venceslau, uma das unidades de segurança máxima mais conhecidas do estado.
Nesse período, o criminoso utilizava outro codinome: “Bonitinho”. Durante sua passagem pela penitenciária, Compri manteve contato direto com Marcos Willians Herbas Camacho, o “Marcola”, figura apontada pelas autoridades como uma das principais lideranças do PCC.
Essa conexão reforça a tese das autoridades sobre o papel de liderança de Compri dentro da estrutura financeira da facção. A proximidade com Marcola em um presídio de alta segurança demonstra o nível de influência e a posição estratégica que o “Da Princesa” ocupava.
O Jogo Contínuo Contra a Infiltração Financeira
A prisão de Gralber Compri não é um fato isolado, mas uma peça em um tabuleiro muito maior na luta contra o crime organizado. O cenário de lavagem de dinheiro evoluiu drasticamente, migrando de métodos mais rudimentares para esquemas altamente sofisticados, utilizando laranjas, empresas de fachada e uma intrincada rede bancária.
Este nível de engenharia financeira tem sido a espinha dorsal de facções como o PCC, permitindo a retroalimentação de suas atividades ilícitas. A capacidade de movimentar milhões sem levantar suspeitas é fundamental para a longevidade e expansão de grupos criminosos.
É por isso que ações como a Operação Hauler e a prisão de figuras como “Da Princesa” importam. Elas miram no coração financeiro dessas organizações, buscando desmantelar a infraestrutura que as sustenta e as capacita a exercer influência e violência em diversas camadas da sociedade.
A persistência da inteligência policial e a coordenação entre diferentes forças de segurança são a resposta a essa sofisticação. Cada captura, especialmente de elos financeiros, é um golpe na capacidade do crime de se capitalizar, impactando diretamente a segurança pública e a economia legal do país.
O Santa Portal não conseguiu contato com a defesa de Gralber Compri. O espaço segue aberto para manifestações.



