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Petróleo dispara! Brent Atinge US$ 94 com Irã e WTI a US$ 92

Guarda Municipal de Jundiaí

Petróleo Dispara e Brent Alcança US$ 92 com Tensão no Oriente Médio

O preço do petróleo Brent, referência global no mercado, ultrapassa a marca de US$ 92 por barril nesta sexta-feira (6). Paralelamente, o West Texas Intermediate (WTI) atinge US$ 89. A escalada ocorre em meio à crescente instabilidade no Oriente Médio. A situação acarreta preocupações sobre o fornecimento global de energia.

Impacto da Paralisação no Estreito de Ormuz

A intensificação do conflito na região leva à quase paralisação da navegação no Estreito de Ormuz. Esta via marítima é crucial para o escoamento de petróleo. A situação desencadeia perturbações significativas nos mercados de energia. O petróleo caminha para a maior alta semanal desde 2022.

Preços em Ascensão Acelerada

Às 14h56 (horário de Brasília), o contrato Brent com maior volume de negociação apresenta uma alta de 10%, atingindo US$ 94 por barril. O preço do WTI, por sua vez, salta 14%, chegando a US$ 92 por barril. Esses aumentos refletem a preocupação crescente do mercado com a interrupção do fornecimento.

Apesar de sinalizações de “ação iminente” do então Presidente Donald Trump para aliviar a pressão sobre os preços, e do alívio nas restrições à Índia para comprar petróleo russo pelo Departamento do Tesouro dos EUA (United States Department of the Treasury), a alta persiste. O mercado permanece apreensivo com a falta de sinais de trégua.

Alertas de Especialistas e Impacto na Inflação

Diante do cenário, o Goldman Sachs emite um alerta sobre o risco do preço do petróleo ultrapassar os US$ 100 por barril caso a interrupção no Estreito de Ormuz se prolongue. Os contratos futuros de diesel na Europa apontam para uma alta semanal de aproximadamente 50%. Bancos centrais manifestam preocupação com uma possível retomada da inflação. O Ministro da Energia do Catar adverte que o petróleo pode atingir US$ 150.

A interrupção do tráfego comercial pelo Estreito de Ormuz é confirmada pelo Centro Conjunto de Informação Marítima (Joint Maritime Information Center), um grupo multinacional de assessoria naval. Segundo o centro, o colapso decorre de “ameaças à segurança, restrições de seguros, incerteza operacional e interrupções efetivas”.

Refinarias e Navios-Tanque Afetados

Os mercados de petróleo sofrem o impacto direto do conflito, que envolve cerca de uma dezena de nações desde o início da campanha liderada pelos EUA e Israel em 28 de fevereiro. A escalada das hostilidades resulta na paralisação da navegação pelo Estreito de Ormuz, interrompendo o fornecimento de petróleo para os mercados globais. Produtores reduzem a produção e refinarias e navios-tanque são afetados.

O Ministro da Energia do Catar declara ao Financial Times que o preço do petróleo bruto pode atingir US$ 150 o barril em duas ou três semanas, caso petroleiros e outros navios mercantes não consigam transitar pelo Estreito de Ormuz. A declaração intensifica o temor no mercado.

Tensões Políticas e Perspectivas de Conflito Prolongado

O Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirma à NBC News que seu país não tem intenção de negociar e está pronto para uma invasão terrestre. Trump, no entanto, comenta posteriormente à mesma emissora que não considera tal medida. O Irã lança uma série de mísseis e drones contra países do Golfo Pérsico durante a noite, enquanto Israel intensifica os ataques aéreos contra a República Islâmica.

A perspectiva de um conflito prolongado mantém o mercado em alerta máximo. Dados da Agência Internacional de Energia indicam que, no ano anterior, cerca de 20 milhões de barris de petróleo e derivados transitavam diariamente pelo Estreito de Ormuz. Dados recentes de rastreamento de navios confirmam o colapso do tráfego marítimo nessa importante via navegável.

Índia e a Compra de Petróleo Russo

Diante das dificuldades enfrentadas pelos importadores para obter petróleo bruto, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro dos EUA emite uma isenção temporária para permitir que a Índia compre petróleo bruto russo. O Secretário do Tesouro, Scott Bessent, esclarece que a medida “autoriza apenas transações envolvendo petróleo já retido no mar”.

Fontes com conhecimento direto dos negócios revelam que refinarias indianas já adquiriram mais de 10 milhões de barris de petróleo bruto russo. Acredita-se que grande parte dessa quantidade tenha sido comprada antes mesmo da isenção de um mês anunciada em Washington. A Reliance Industries Ltd., da Índia, busca ativamente a compra de petróleo russo.

Alerta do Goldman Sachs e Ações Governamentais

O Goldman Sachs reitera o alerta de que uma interrupção prolongada no Estreito de Ormuz pode elevar os preços consideravelmente. O cenário base do banco, no entanto, prevê uma recuperação gradual dos embarques e contratos futuros com média de US$ 76 por barril no segundo trimestre. Samantha Dart, co-chefe de pesquisa global de commodities do banco de Wall Street, comenta que, com mais cinco semanas de fluxo muito baixo de petróleo pelo estreito, é possível que os preços do Brent ultrapassem a marca de US$ 100 por barril.

O Secretário do Interior dos EUA, Doug Burgum, afirma que o governo avalia uma série de opções para lidar com a alta nos preços do petróleo e da gasolina. A gasolina já atinge US$ 3,32 por galão, o maior valor desde 2024. Segundo Burgum, “tudo está sendo considerado”, incluindo ações com impacto imediato e medidas mais complexas e de longo prazo.

Possíveis Medidas e Reservas Estratégicas

Entre as possíveis decisões governamentais, está a liberação de petróleo das reservas de emergência do país, possivelmente em coordenação com outras nações para maximizar o efeito. No entanto, até o momento, as autoridades governamentais não tomaram medidas para utilizar a Reserva Estratégica de Petróleo, um estoque de petróleo bruto armazenado em vastas cavernas subterrâneas. Essa reserva é vista como um instrumento crucial para mitigar choques de oferta.

Impacto na Ásia e Ações de China e Arábia Saudita

Na Ásia, os sinais de pressão sobre as principais economias se intensificam. A China ordena que as principais refinarias suspendam as exportações de diesel e gasolina, refletindo os esforços para priorizar as necessidades internas. Refinarias japonesas solicitam ao governo a liberação de petróleo de reservas estratégicas.

Com o agravamento do conflito, que restringe o fornecimento do Oriente Médio, a Arábia Saudita aumenta o preço de seu principal tipo de petróleo para compradores na Ásia em abril, registrando o maior aumento desde agosto de 2022. Riad também desvia milhões de barris para seus portos no Mar Vermelho, a fim de evitar o Estreito de Ormuz.

Disparada nos Preços de Produtos Refinados

Os preços dos produtos refinados disparam. Na Europa, os contratos futuros de gasóleo com baixo teor de enxofre sobem 50% na ICE Futures Europe até o momento nesta semana, representando a maior variação já registrada. Este aumento tem um impacto direto no custo de transporte e aquecimento para consumidores e empresas.

Em um sinal de aperto no curto prazo, o *spread* imediato do Brent — a diferença entre seus dois contratos mais próximos — aumenta para US$ 4,62 por barril em *backwardation*, um padrão de alta. Há um mês, era de 58 centavos. A situação indica uma forte demanda imediata por petróleo.

Contexto

O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo, ligando os produtores do Oriente Médio aos mercados consumidores na Ásia, Europa e América do Norte. A instabilidade política e militar na região tem um impacto direto nos preços globais do petróleo, afetando a economia mundial e o bolso dos consumidores. A possibilidade de interrupção prolongada do tráfego marítimo pelo estreito gera preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade econômica global.

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