Todos sabemos que alguns assuntos considerados polêmicos e que podem gerar
discussões deveriam ser evitados em reuniões sociais, não para impedir que nossas
opiniões sejam colocadas e ditas, mas muito mais para não desperdiçar momentos de
encontro que podem ser leves e alegres, sem brigas ou enfrentamentos.
Temos os clássicos: futebol, política e religião. Mas a eles adiciono perguntas e
comentários que também devem ser evitados e que merecem cuidado antes de serem
feitos.
De maneira geral, devemos evitar tudo aquilo que possa gerar constrangimento, algum
tipo de julgamento em relação à vida do outro ou que possa ser considerado uma
invasão de privacidade.
Há uma regra geral que gosto de citar e que pode sempre ser lembrada em encontros
sociais: “as perguntas cuja resposta seja um número devem ser evitadas”. Neste grupo
estariam alguns clássicos como: “quanto você pagou?”, “quanto você ganha?”, “qual a
sua idade?”, “quanto você está pesando?”. São perguntas que não trazem benefícios à
conversa e que, em geral, causam constrangimento a quem é indagado e, na maioria das
vezes, nenhuma vontade de responder!
Mas podemos citar outros comentários bastante embaraçosos, que trazem julgamentos
desnecessários ou apenas uma informação que nasce da curiosidade, sem ganho algum
ou, pior, que pode ser considerada invasiva.
Ao fazer um comentário ou pergunta, é interessante pensar antes se aquilo pode ser
resolvido naquele momento ou não. Por exemplo, muitos têm dificuldade em avisar
alguém que está próximo à mesa que há algo em seus dentes, seja um pedaço de
verdura, um grão ou qualquer outra coisa. Avisar discretamente é muito melhor: a
pessoa pode ir ao banheiro, limpar e voltar para o grupo. Nesse caso, o comentário
ajudou a resolver algo que ela própria não havia percebido e que poderia chamar a
atenção dos demais.
Por outro lado, comentar que a pessoa engordou muito ou emagreceu demais é algo sem
solução naquele momento e que serviria apenas para trazer constrangimento a alguém
que também pode estar desconfortável com aquela situação.
E aqui teríamos muitos outros exemplos: perguntar a quem não tem filhos qual o
motivo, a quem está namorando quando será o casamento, a quem está fora de peso se
está grávida, e por aí vai… São perguntas que, mesmo quando feitas sem uma intenção
negativa, podem tocar em questões muito pessoais, sobre as quais não sabemos a
história ou o momento que aquela pessoa está vivendo.
É importante ter em mente que podemos conversar sobre muitos assuntos: viagens,
experiências de vida, filmes, livros, acontecimentos interessantes. Enfim, assuntos que
agreguem e façam de cada reunião um momento de alegria, troca saudável de
conhecimento e descontração em uma conversa amena e gentil. Uma boa conversa não
precisa da curiosidade sobre a vida alheia para ser interessante.
Afinal, elegância também está em saber o que dizer, mas, principalmente, em saber o
que é melhor não perguntar.
Mônica Cecilio – @magiadamesa



