Um fato curioso já movimenta o calendário educacional brasileiro de 2026: uma cidade do interior paulista será protagonista em um dos maiores debates nacionais sobre o futuro do ensino.
Paulínia, município conhecido por sua efervescência industrial, prepara-se para levar ao V Seminário Nacional de Educação Integral, que ocorrerá em Belém, uma experiência que pode redefinir o conceito de política pública em tempo integral no país.
Paulínia Lidera Debate Nacional com Experiência Pioneira em 2026
A cidade de Paulínia terá um papel de destaque no V Seminário Nacional de Educação Integral.
Programado para os dias 3 a 6 de novembro de 2026, o evento será sediado na Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém.
O município apresentará um trabalho detalhando a construção de sua política pública de ensino em tempo integral.
O estudo, intitulado “A construção coletiva da política de educação integral em tempo integral em Paulínia-SP: um relato à luz da democracia e da justiça curricular”, já foi aprovado.
Ele será apresentado na modalidade Comunicação Oral, marcando a importância da iniciativa local.
A autoria é dos supervisores educacionais Wesley Araújo e Paulo Boanerges, que conceberam e acompanharam de perto todo o processo.
As Primeiras Escolas: Como a Educação Integral Ganhou Forma na Cidade
A pesquisa detalha a jornada de elaboração da Política Municipal de Educação Integral em Tempo Integral (EITI).
Esse processo inovador teve início ainda em 2025, envolvendo diversas etapas e atores na rede municipal de educação.
O ápice dessa construção coletiva veio em janeiro de 2026, com a efetiva implantação das duas primeiras unidades escolares nesse modelo.
As escolas pioneiras foram a EM Rosa Vassalo Secomandi, localizada no bairro Santa Cecília, e a EMEFI Professora Simone de Toledo Lima Martinez, no Jardim Patropi.
O relato destaca a participação ativa dos profissionais da rede municipal na formulação dos documentos orientadores.
Etapas de formação contínua e estudos aprofundados também foram cruciais para a solidificação da política educacional.
Impacto na região
A experiência de Paulínia, ao ser reconhecida em um fórum nacional, projeta uma luz sobre o potencial transformador da educação em tempo integral para toda a Região Metropolitana de Campinas e além.
Cidades vizinhas a Jundiaí e no entorno podem encontrar neste modelo um roteiro prático e democrático para desenvolver suas próprias políticas educacionais.
A participação coletiva dos profissionais na criação da política, por exemplo, serve como um poderoso estímulo para a adoção de abordagens semelhantes em outras redes.
Isso demonstra que a inovação educacional não é um privilégio de grandes centros, mas uma possibilidade concreta para municípios com visão e organização.
Moradores da região podem se beneficiar indiretamente ao verem seus municípios inspirados por práticas que valorizam a justiça curricular e a equidade no ensino.
O Caminho da Colaboração: A Força da Rede na Construção da Educação
O trabalho de Paulínia busca compartilhar o processo desenvolvido, com um foco especial na participação dos profissionais da educação.
A formulação das diretrizes municipais considerou as particularidades de cada território, garantindo uma abordagem mais contextualizada e eficaz.
Em sua quinta edição, o seminário em Belém é um palco para a troca de experiências.
Ele reúne pesquisadores, professores, gestores públicos e representantes de movimentos sociais de todo o Brasil.
A programação é dedicada ao debate e ao intercâmbio de práticas sobre políticas de Educação Integral.
Questões fundamentais como democracia, equidade, justiça social, valorização dos territórios e práticas educativas são o cerne das discussões.
A participação de Paulínia permitirá um diálogo construtivo com outras redes de ensino.
Isso contribuirá significativamente para o debate sobre os caminhos e desafios da ampliação das políticas públicas de Educação Integral no Brasil.
O Que Paulínia Ensina Sobre o Futuro da Educação no Brasil
A educação em tempo integral não é uma ideia recente no Brasil, mas sua implementação em larga escala sempre enfrentou obstáculos complexos.
Ao longo das últimas décadas, diversos estados e municípios experimentaram modelos variados, buscando formas de ampliar a jornada escolar e o repertório pedagógico.
O que Paulínia apresenta agora é um salto qualitativo, priorizando a construção democrática e a adaptação às realidades locais.
Essa abordagem se distancia de soluções “de cima para baixo”, que muitas vezes falham por ignorar as especificidades dos territórios e a voz dos educadores.
Por isso, a experiência de Paulínia importa agora mais do que nunca.
Ela oferece uma blueprint viável para que outras cidades possam desenvolver suas próprias políticas de EITI, ancoradas na participação e na busca por uma educação mais justa e inclusiva.
É uma demonstração prática de que a transformação educacional é possível quando há engajamento coletivo e uma visão clara do que significa formar cidadãos.



