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Operação Carbono Oculto mira compra gigante de R$ 100 mi em Paulínia

A Operação Crédito Oculto é um desdobramento da Carbono Oculto, que apura fraudes no setor de combustíveis. Foto: Divulgação

Uma teia de lavagem de dinheiro e fraudes no setor de combustíveis que teria movimentado **R$ 11,6 bilhões** entre 2021 e 2025 é o novo foco da Receita Federal e do Ministério Público de São Paulo.

A Operação Crédito Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (24), mira a aquisição da distribuidora Terrana, que mantém uma unidade estratégica no bairro Cascata, em Paulínia, e expõe um esquema financeiro complexo que se estende por sete estados.

Bilhões em Movimento: Os Alvos da Operação Crédito Oculto

Os agentes cumprem mandados de busca e apreensão em 13 endereços ligados a pessoas físicas e outras 19 empresas, em uma força-tarefa que busca desmantelar a estrutura de ocultação de bens.

Em São Paulo, a ação se concentra em 26 alvos, abrangendo a capital e cidades como Barueri, Cotia, Guarulhos, São José dos Campos e, naturalmente, Paulínia, onde a presença da Terrana se destaca.

Um dos nomes mais visados pela investigação é **Antonio Carlos Freixo Junior**, associado à Entre Investimentos. A empresa, segundo apurações, teria ligação com o Banco Master, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Também entre os investigados está Humberto Arthur Tupinambá Neto, que já atuou como diretor do Banco Genial, ampliando o alcance das suspeitas para figuras de destaque no mercado financeiro.

Fraude no Combustível: A Ligação com a Carbono Oculto

A Operação Crédito Oculto é um desdobramento direto da já conhecida Carbono Oculto, que investiga um vasto esquema de fraudes no setor de combustíveis brasileiro.

As autoridades apontam que os suspeitos teriam montado **estruturas financeiras sofisticadas** com o objetivo de disfarçar a origem do dinheiro e assim concretizar a compra da distribuidora de combustíveis.

O fluxo dos recursos ilícitos, conforme a investigação, envolveria até mesmo uma usina sucroalcooleira, que teria recebido cerca de **R$ 100 milhões** para financiar a aquisição da Terrana.

Esses valores, antes de chegar à usina, teriam transitado por uma série de contas e empresas, configurando um complexo sistema de lavagem de capitais. O roteiro inclui fundos de investimento, holdings e diversas empresas de fachada.

Impacto na região

Embora a ação tenha ramificações nacionais, a presença da unidade da Terrana em Paulínia coloca a região metropolitana de Campinas no centro das atenções da investigação.

Esquemas de fraude no setor de combustíveis afetam diretamente os consumidores e empresas de Jundiaí e cidades vizinhas, por exemplo, por meio da distorção de preços e da concorrência desleal.

A lavagem de dinheiro, por sua vez, pode desestabilizar o ambiente de negócios local, prejudicando investimentos legítimos e a **integridade econômica** de toda a região do interior paulista.

Moradores e empresários locais sentem os reflexos indiretos quando a evasão fiscal impacta a capacidade do estado em fornecer serviços públicos essenciais, diminuindo a qualidade de vida da comunidade.

O Silêncio da Terrana e os Próximos Passos da Investigação

A Receita Federal revelou que uma das empresas financeiras utilizadas na aquisição simulada da usina processou impressionantes **R$ 11,6 bilhões** entre 2021 e 2025.

Este montante, cruzado com outras provas, fortalece as suspeitas de uso sistemático de artifícios financeiros para ocultação de patrimônio e a prática de lavagem de dinheiro em larga escala.

A reportagem da TV TODODIA tentou contato com a Terrana para obter um posicionamento da empresa, buscando esclarecimentos sobre a investigação e a eventualidade de mandados em sua unidade de Paulínia.

No entanto, até o momento da publicação desta matéria, a distribuidora de combustíveis não havia se manifestado. A investigação prossegue, com novas revelações podendo surgir a qualquer momento.

O Cenário por Trás da Fraude Bilionária

A Operação Crédito Oculto não surge isoladamente, mas se insere em um contexto mais amplo de combate a crimes financeiros que corroem a economia brasileira há décadas.

A sofisticação das organizações criminosas tem imposto um desafio constante às autoridades, que precisam de ferramentas cada vez mais robustas para rastrear o fluxo de dinheiro ilícito.

A evolução dessas fraudes, desde esquemas mais simples de sonegação fiscal até as complexas redes de lavagem de dinheiro, reflete a busca por mecanismos que dificultem a identificação de seus beneficiários.

Ações como esta são cruciais não apenas para punir os envolvidos, mas para enviar um sinal claro de que o sistema financeiro e o mercado de combustíveis não podem ser usados para atividades ilegais.

A **integridade do mercado** e a confiança dos investidores e consumidores dependem diretamente da eficácia no combate a essas práticas, que afetam a competitividade e o desenvolvimento do país.

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