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ONU revela: Desigualdade de gênero agrava crise da água no Brasil

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Desigualdade de Gênero Ameaça Segurança Hídrica Global, Aponta Relatório da ONU

As desigualdades de gênero representam um obstáculo crucial para a garantia da segurança hídrica em escala global. O relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) demonstra que mulheres e meninas são afetadas de forma desproporcional pela falta de acesso à água potável e pelo saneamento inadequado. Apesar de serem as principais responsáveis pela coleta de água em muitas comunidades, elas permanecem marginalizadas nas tomadas de decisão e nos cargos de liderança dentro do setor hídrico.

O estudo, denominado Relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos, foi divulgado nesta quinta-feira (19) pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), atuando em nome da ONU-Água. Ele expõe a persistente disparidade e seus impactos devastadores.

Mulheres Carregam o Peso da Coleta de Água

O relatório da ONU revela que, em mais de 70% dos lares rurais que não dispõem de acesso direto a serviços de água, as mulheres são as principais responsáveis pela árdua tarefa de coletar a água necessária para o consumo diário. Essa realidade impõe sobre elas um fardo significativo, limitando suas oportunidades em outras áreas da vida.

Esta sobrecarga de trabalho não remunerado frequentemente impede o acesso à educação e a atividades geradoras de renda. Além disso, a busca por água, em muitos casos, expõe mulheres e meninas a riscos à saúde e à violência de gênero.

Participação Feminina na Gestão Hídrica é Crucial

Khaled El-Enany, diretor-geral da Unesco, ressalta a importância de garantir a participação ativa das mulheres na gestão e na governança hídrica. Segundo ele, essa inclusão é um fator determinante para o progresso social e para a promoção do desenvolvimento sustentável.

“Devemos intensificar os esforços para proteger o acesso de mulheres e meninas à água. Este não é apenas um direito básico, pois quando as mulheres têm acesso igual à água, todos se beneficiam”, enfatiza El-Enany. Sua declaração sublinha a necessidade urgente de ações concretas para reverter o cenário atual.

A participação feminina, portanto, não se limita a uma questão de equidade, mas representa uma estratégia fundamental para otimizar a gestão dos recursos hídricos e garantir a sustentabilidade a longo prazo. Quando as mulheres estão envolvidas nas decisões, as soluções tendem a ser mais justas, eficientes e adaptadas às necessidades das comunidades.

União de Esforços para uma Gestão Compartilhada da Água

Álvaro Lario, presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e presidente da ONU-Água, defende o reconhecimento do papel central desempenhado por mulheres e meninas na busca por soluções relacionadas à água.

“Precisamos de mulheres e homens que administrem a água lado a lado, como um bem comum que fornece benefícios a toda a sociedade”, afirma Lario. Sua visão destaca a importância da colaboração e da corresponsabilidade na gestão dos recursos hídricos.

É essencial promover a igualdade de gênero em todos os níveis da gestão hídrica, desde a formulação de políticas até a implementação de projetos. A diversidade de perspectivas e experiências enriquece o processo de tomada de decisões e contribui para a construção de soluções mais eficazes e sustentáveis.

Alerta da ONU no Dia Mundial da Água

A divulgação anual do Relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos coincide com as celebrações do Dia Mundial da Água, que ocorre no próximo domingo (22). Neste ano, o relatório lança um alerta preocupante: 2,1 bilhões de pessoas em todo o mundo ainda não têm acesso à água potável administrada de forma segura. Entre os mais afetados por essa carência, destacam-se mulheres e meninas.

A falta de acesso à água potável e ao saneamento básico não apenas compromete a saúde e o bem-estar das populações, mas também perpetua as desigualdades de gênero e limita as oportunidades de desenvolvimento social e econômico. A situação se agrava em contextos de pobreza, conflito e mudanças climáticas.

Impactos Desproporcionais sobre Mulheres e Meninas

A ONU (Organização das Nações Unidas) aponta que, em razão de serem frequentemente as responsáveis pela coleta e gestão da água em suas casas, mulheres e meninas enfrentam uma série de desafios. Elas estão mais expostas a esforço físico, à perda de oportunidades de educação e de meios de subsistência, a riscos à saúde e a uma maior vulnerabilidade à violência de gênero, principalmente em áreas onde os serviços de água são precários ou inexistentes.

Principais Destaques do Estudo da ONU

  • Globalmente, mulheres e meninas dedicam, diariamente, um total de 250 milhões de horas à coleta de água. Esse tempo precioso poderia ser utilizado para a educação, o lazer ou atividades que gerassem renda. Meninas com menos de 15 anos (7%) têm maior probabilidade de buscar água do que meninos da mesma idade (4%).
  • Instalações sanitárias inadequadas afetam mulheres e meninas de forma desproporcional, principalmente em favelas urbanas e áreas rurais. A falta de banheiros e de água para a higiene menstrual causa constrangimento e absenteísmo. Estima-se que, entre 2016 e 2022, 10 milhões de adolescentes (15–19 anos) em 41 países faltaram à escola, ao trabalho ou a atividades sociais devido a dificuldades relacionadas à higiene menstrual.
  • Apesar de seu papel fundamental no fornecimento de água para uso doméstico, na agricultura, na preservação de ecossistemas e na resiliência comunitária, as mulheres permanecem sistematicamente sub-representadas na governança, no financiamento, nos serviços e na tomada de decisões do setor hídrico.
  • As desigualdades de gênero na posse de terras e propriedades têm um impacto direto no acesso das mulheres à água. Frequentemente, os direitos à água estão vinculados aos direitos à terra, o que afeta a disponibilidade hídrica para atividades produtivas, como a agricultura. Leis e regulamentos discriminatórios em relação à propriedade de terra colocam as mulheres em uma situação de desvantagem social e econômica. Em alguns países, homens detêm o dobro de terras em comparação com as mulheres.

Recomendações para a Mudança

O relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) apresenta um conjunto de recomendações para promover avanços significativos na igualdade de gênero e na segurança hídrica:

  • Eliminar barreiras legais, institucionais e financeiras que impedem o acesso igualitário de mulheres à água, à terra e aos serviços.
  • Investir na coleta e análise de dados hídrico-ambientais desagregados por sexo, a fim de revelar as desigualdades existentes e orientar a formulação de políticas mais eficazes.
  • Valorizar o trabalho não remunerado relacionado à água nos processos de planejamento, precificação e decisões de investimento, reconhecendo a importância da contribuição feminina.
  • Fortalecer a liderança e a capacidade técnica das mulheres, especialmente em áreas científicas e técnicas da governança hídrica, incentivando sua participação em cargos de decisão.

O que está em jogo

A garantia da segurança hídrica global e a promoção da igualdade de gênero estão intrinsecamente ligadas. As recomendações do relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) destacam a necessidade urgente de ações coordenadas em diversas frentes, desde a revisão de leis e políticas até o investimento em educação e capacitação. A implementação dessas medidas é fundamental para construir um futuro mais justo, sustentável e próspero para todos.

Contexto

A questão da desigualdade de gênero no acesso à água é um problema global persistente, com raízes históricas e culturais profundas. A falta de acesso à água potável afeta desproporcionalmente mulheres e meninas em países em desenvolvimento, perpetuando ciclos de pobreza e desigualdade. O Relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos busca aumentar a conscientização sobre esse problema e promover ações concretas para sua resolução.

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