Voltar para a cidade de origem pode significar mais do que uma viagem para quem vive em situação de rua. Em muitos casos, representa a chance de reencontrar familiares, recuperar vínculos e tentar recomeçar em um ambiente onde ainda exista alguma rede de apoio.
O atendimento começa nas ruas
O primeiro contato acontece durante as abordagens realizadas pelas equipes do Serviço Especializado de Abordagem Social (SEAS), que atuam diariamente e sem interrupção nas ruas da cidade.
Os atendimentos também podem começar a partir de chamados feitos pela população. O serviço funciona 24 horas por dia pelo telefone e WhatsApp (11) 98531-0146.
Quando a equipe chega ao local, o atendimento é feito de forma individualizada. A decisão de retornar para a cidade de origem precisa partir da própria pessoa atendida.
O que acontece após a decisão de voltar
Depois que a pessoa manifesta interesse em retornar, começa uma etapa mais técnica e cuidadosa do processo.
As equipes realizam escuta social, levantamento de informações e contato com familiares ou pessoas da rede de apoio para verificar as condições de acolhimento no destino. Só depois dessa confirmação é que a viagem começa a ser organizada.
O procedimento inclui definição do trajeto, emissão de passagens e acompanhamento do deslocamento, buscando garantir segurança e dignidade durante todo o processo.
Trabalho exige atuação contínua das equipes
O recâmbio social faz parte da rotina permanente das equipes de abordagem social em Jundiaí. Além das viagens organizadas, os profissionais atuam diariamente em diferentes regiões da cidade realizando busca ativa e atendimento especializado às pessoas em situação de vulnerabilidade.
Os números mostram a dimensão desse trabalho. Somente em 2025, Jundiaí registrou 1276 recâmbios sociais. Em 2026, o serviço segue em ritmo constante:
- 94 atendimentos em janeiro;
- 92 em fevereiro;
- 85 em março;
- 104 até 13 de abril.
Serviço tenta reconstruir vínculos
Embora o recâmbio social não represente uma solução definitiva para a situação de rua, o serviço busca oferecer uma alternativa para pessoas que desejam retomar contato com familiares ou retornar a locais onde possuem alguma referência de apoio.
Na prática, cada atendimento envolve não apenas logística, mas também escuta, mediação e acompanhamento social. Para muitos, a viagem representa a tentativa de reconstruir uma trajetória interrompida pela vulnerabilidade, pela perda de vínculos ou pela falta de suporte familiar.
*Imagem ilustrativa: Tribuna de Jundiaí, com auxílio de IA e direção criativa humana | Reprodução proibida sem autorização.