Por Marissa Freitas, educadora física
Em diferentes fases da vida, muitas mulheres percebem mudanças no próprio corpo e passam a acreditar que fizeram algo errado. A roupa veste diferente, a composição corporal muda, a disposição já não é a mesma e, muitas vezes, surge a sensação de que é preciso recuperar a mulher que existia alguns anos atrás.
Mas será que toda mudança corporal significa um problema?
O corpo feminino passa por transformações ao longo da vida. Idade, alterações hormonais, gestação, amamentação, rotina, sono, estresse e diversos outros fatores podem influenciar a composição corporal, a energia e a maneira como nos sentimos fisicamente.
Reconhecer essas mudanças não significa deixar de cuidar da saúde ou abandonar objetivos pessoais. Significa compreender que o corpo não é estático e que nossas necessidades também podem mudar.
Em cada fase, o corpo apresenta necessidades diferentes. Pode ser preciso priorizar recuperação, fortalecer a musculatura, melhorar o condicionamento ou retomar o movimento com calma. Cuidar de si também é perceber o que o corpo pede, sem compará-lo o tempo todo com o passado.
O exercício físico continua sendo importante aliado. O treinamento de força, por exemplo, contribui para preservar a massa muscular, melhorar a capacidade funcional e manter a autonomia ao longo dos anos. Mas não precisa ser usado para punir o corpo ou obrigá-lo a permanecer igual.
A forma de enxergar os resultados também merece atenção.
Quando a única referência é o corpo do passado, corremos o risco de transformar o cuidado em uma tentativa permanente de voltar no tempo. Com isso, deixamos de reconhecer as possibilidades do corpo que temos hoje.
É possível desejar emagrecer, ganhar massa muscular ou melhorar a composição corporal sem transformar a própria aparência em motivo de insatisfação constante. Ter objetivos não é o problema. O problema está em acreditar que só merecemos nos sentir bem quando alcançarmos determinado resultado.
Como educadora física, acredito que o treinamento precisa considerar os objetivos, as condições e o momento de vida de cada mulher. Um bom planejamento não ignora as mudanças do corpo. Ele se adapta a elas.
Um treino também não precisa deixar o corpo exausto para ser válido. Existem resultados que aparecem na força, na disposição, no sono e na autonomia para realizar as tarefas da vida.
Cuidar de si também é aprender a reconhecer limites, respeitar processos e entender que evolução nem sempre significa parecer com quem fomos antes.
Podemos buscar resultados e, ao mesmo tempo, tratar nosso corpo com respeito. Podemos querer melhorar sem precisar viver em guerra com o espelho.
Afinal, saúde não se resume à aparência, e o valor de uma mulher não pode ser medido pelas medidas do seu corpo.
Cuidar do corpo não significa exigir que ele permaneça igual, mas ajudá-lo a acompanhar você em cada fase da vida.
Marissa Freitas
Educadora Física
Instagram: @marissafreitas


