Lideranças Tradicionais do Paraná Declaram Apoio a Lula em Mobilização da Campanha Petista
Curitiba, PR – Uma série de manifestações de apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição de 2022 agitou o cenário político paranaense. Lideranças históricas, como o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB), o senador Flávio Arns (PSB), o ex-prefeito Gustavo Fruet (PDT) e o ex-ministro da Saúde Alceni Guerra (PSB), tornaram públicos seus posicionamentos, ganhando destaque durante a passagem do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) pela capital paranaense, nesta terça-feira (20). A articulação reforça a estratégia de ampliação de alianças da campanha petista no Estado.
Os anúncios dessas figuras políticas contrastam diretamente com o alinhamento de importantes nomes locais. O governador Ratinho Junior (PSD) e o governador eleito Sergio Moro (PL), por exemplo, declararam apoio ao então candidato à presidência Jair Bolsonaro (PL), adversário de Lula. A adesão de Greca, em particular, gera um movimento de contradição com seus aliados políticos no Paraná e com a orientação do próprio partido em nível estadual, evidenciando a complexidade das articulações no segundo turno.
A Ruptura de Rafael Greca e o Discurso pela Cultura e Saúde
O ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, uma figura com três mandatos à frente da capital paranaense, surpreendeu ao manifestar publicamente seu apoio a Lula. O posicionamento ocorreu durante um sarau cultural realizado na segunda-feira, 19, na capital paranaense. Em seu discurso, Greca abordou temas sensíveis, criticando a influência dos Estados Unidos sobre o Brasil e defendendo vigorosamente a importância das políticas públicas nas áreas de saúde, educação e cultura.
Com uma analogia que ressoou entre os presentes, Greca declarou: “Não tem música de direita nem de esquerda, porque o gaiteiro, para tocar, precisa das duas mãos, a direita e a esquerda”. A fala simboliza uma busca por união em um momento de profunda polarização política. Essa manifestação é notável porque contraria a orientação oficial do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) no Paraná, que havia declarado apoio a Jair Bolsonaro.
A situação de Greca reflete um cenário de descolamento partidário. Em março deste ano, ele havia deixado o Partido Social Democrático (PSD) e se filiado ao MDB com o objetivo de disputar as eleições estaduais. Naquele pleito, Greca concorreu como candidato a vice-governador na chapa de Sandro Alex (PSD), um bloco político apoiado pelo governador Ratinho Junior. Contudo, a chapa foi derrotada por Sergio Moro no primeiro turno, o que, de certa forma, abre espaço para novas articulações políticas.
A presença de Geraldo Alckmin em Curitiba foi crucial para o endosso dessas adesões. O vice-presidente comemorou o apoio do ex-prefeito, destacando a importância de ampliar as alianças em torno da candidatura petista. A estratégia da campanha era justamente demonstrar força e capacidade de diálogo com diferentes espectros políticos, inclusive aqueles que, em outros momentos, não se alinhavam ao Partido dos Trabalhadores (PT).
Flávio Arns e a Defesa da Capacidade de Diálogo de Alckmin
Outro nome de peso que se posicionou favoravelmente à chapa Lula-Alckmin foi o senador Flávio Arns (PSB). Ele participou ativamente do evento “Paraná pela Virada”, realizado na terça-feira, 20, que contou com a presença de Alckmin. Arns enfatizou a capacidade do vice-presidente de estabelecer diálogo com diversos setores da economia, um fator considerado essencial para a governabilidade e para a superação de desafios econômicos. O senador mencionou explicitamente o agronegócio e o empresariado.
Em sua declaração, Arns expressou votos de sucesso para a chapa: “A gente deseja que o presidente Lula faça um mandato extraordinário com o apoio de Geraldo Alckmin. O Geraldo Alckmin é respeitado no agro, é muito respeitado no comércio, na indústria, nos empresários, nos bancos, e isso a gente viu no tarifaço”. A menção ao “tarifaço” pode ser interpretada como uma referência à habilidade de Alckmin em lidar com questões econômicas complexas ou em tomar decisões impopulares, mas necessárias, com apoio setorial.
A trajetória política de Flávio Arns é marcada por sua habilidade de transitar por diferentes campos partidários. Ele já atuou como deputado federal pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), foi senador pelo PT entre 2003 e 2011, e exerceu o cargo de vice-governador do Paraná na gestão de Beto Richa (PSDB) no período de 2011 a 2014. Além disso, ocupou a Secretaria de Estado da Educação e, atualmente, integra o Partido Socialista Brasileiro (PSB), o mesmo partido de Geraldo Alckmin, o que fortalece a conexão entre os dois.
Gustavo Fruet e Alceni Guerra: Apoios com História e Relevância
O ex-prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT), também se uniu à mobilização e declarou apoio à reeleição do presidente. Fruet, que governou a capital paranaense entre 2013 e 2016, possui uma vasta experiência legislativa, tendo exercido diversos mandatos como deputado federal. Sua trajetória partidária incluiu passagens pelo MDB e pelo PSDB antes de ingressar no Partido Democrático Trabalhista (PDT). O posicionamento de Fruet ganha relevância por sua história de participação na oposição aos governos petistas durante parte de sua atuação no Congresso Nacional, sinalizando uma importante mudança de alinhamento político.
Entre os participantes da mobilização, destacou-se ainda a presença de Alceni Guerra (PSB), uma figura histórica da política nacional. Ele comandou o Ministério da Saúde durante o governo de Fernando Collor de Mello, entre 1990 e 1992, período crucial para a consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS). Guerra também acumula experiência como ex-prefeito de Pato Branco e ex-deputado federal. Sua relação política com Geraldo Alckmin é antiga e profunda, remontando à atuação conjunta na Assembleia Nacional Constituinte, responsável pela elaboração da Constituição de 1988.
Durante o encontro em Curitiba, Alceni Guerra fez questão de relembrar a colaboração dos dois na formulação das bases constitucionais do SUS. “Eu tive a honra de redigir, e ele de relatar. E assim nós temos o melhor sistema público de saúde do mundo”, declarou Guerra, enfatizando o legado comum na área da saúde. Diferentemente dos demais apoios anunciados na semana, a posição de Alceni em relação a Lula não representa uma novidade. O ex-ministro já havia declarado voto no petista no segundo turno das eleições presidenciais de 2022, destacando, na ocasião, sua defesa do SUS e a relação política consolidada com Alckmin.
O Que Está em Jogo: Alianças e o Cenário Político do Paraná
As declarações de apoio de figuras com grande peso político e histórico no Paraná, como Greca, Arns, Fruet e Guerra, sinalizam um movimento estratégico da campanha de Lula para o segundo turno da eleição. Em um estado onde o governador e o governador eleito apoiam o adversário, esses endossos representam um esforço para quebrar a hegemonia da oposição e capturar votos que, de outra forma, poderiam se inclinar para o outro lado.
Para o eleitor paranaense, esses realinhamentos podem ser interpretados de diferentes maneiras. Para alguns, representa a busca por um projeto político mais amplo, capaz de transcender divergências ideológicas pontuais em prol de uma maior governabilidade. Para outros, a mudança de posicionamento de figuras como Greca e Fruet, que já foram adversários do PT, destaca a pragmática do cenário eleitoral e a necessidade de formar frentes amplas para decidir a eleição.
A presença e a capacidade de articulação de Geraldo Alckmin mostram-se um ativo fundamental para a campanha. Sua reputação de político moderado e sua habilidade de construir pontes com diferentes setores, inclusive o agronegócio e o empresariado, são cruciais para atrair apoios de lideranças que não se alinham tradicionalmente com o PT. Isso sugere uma tentativa de amenizar resistências e consolidar uma base mais diversificada para a chapa presidencial.
Contexto
O apoio de lideranças políticas paranaenses a Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições de 2022 ocorre em um momento de intensa polarização no Brasil. As declarações de figuras como Rafael Greca, Flávio Arns, Gustavo Fruet e Alceni Guerra, durante a visita de Geraldo Alckmin a Curitiba, buscam consolidar uma frente ampla. Essas adesões são particularmente relevantes em um estado onde os principais líderes eleitos manifestam apoio ao adversário de Lula, sublinhando a estratégia da campanha petista de expandir alianças em diferentes espectros políticos e regionais.



