Entenda as implicações da compra de 40% do campo de Peregrino para a PRIO (PRIO3)

A PRIO (PRIO3) adquiriu 40% do campo de Peregrino, o que impactará positivamente sua produção e fluxo de caixa.
PRIO (PRIO3) e a aquisição do campo de Peregrino
A PRIO (PRIO3) finalizou, no dia 11 de outubro, a compra de 40% de participação nos campos de Peregrino e Pitangola. Com essa transação, a empresa agora possui 80% do consórcio, enquanto a Equinor mantém os 20% restantes até a conclusão da segunda etapa, prevista para 2026. A aquisição teve um custo de US$ 1,55 bilhão, considerando ajustes por fluxo de caixa e juros acumulados. Assim que o anúncio foi feito, as ações da PRIO subiram 0,35%, alcançando R$ 40,44 às 10h25 (horário de Brasília).
Impactos na produção e no fluxo de caixa
A XP Investimentos considera a aquisição como um marco significativo para a PRIO, uma vez que a adição de 40 mil barris de petróleo por dia (bpd) representa um aumento de quase 40% na produção total da empresa, que agora deverá chegar a aproximadamente 150 mil bpd. As análises indicam que essa produção adicional pode gerar um fluxo de caixa livre de cerca de US$ 380 milhões, equivalente a 24% do valor pago pela aquisição. Isso deve impactar positivamente o rendimento do FCFE (Fluxo de Caixa do Acionista) da PRIO, projetado em 23% e 30% para 2026 e 2027.
Expectativas de sinergias e eficiência
De acordo com o Goldman Sachs, o fechamento antecipado da primeira tranche da operação permitirá que a PRIO controle o ativo antes do esperado, acelerando sinergias e potencialmente reduzindo os custos de extração nos próximos trimestres. A previsão é que o fluxo de caixa livre sobre o valor da empresa (FCFy) aumente para cerca de 30% até 2026, o que pode ser utilizado para amortizar dívidas, embora isso possa limitar o espaço para dividendos ou novas aquisições.
Análise de especialistas sobre a transação
A Genial Investimentos também vê a aquisição como positiva, pois eleva a capacidade de geração de caixa da PRIO. A corretora estima que a empresa conseguirá reduzir os custos operacionais em até US$ 250 milhões por ano. Ademais, a Genial menciona a possibilidade de ressarcimento pela Equinor devido a uma parada técnica que o ativo enfrentou por seis semanas. Com a consolidação de 100% em Peregrino e a entrada operacional de Wahoo em 2026, a PRIO pode gerar até US$ 3 bilhões anualmente, representando aproximadamente 40% do valor de mercado atual do ativo.
Direcionamento futuro e recomendações
O JPMorgan já previa essa movimentação como um dos principais catalisadores para o curto prazo, alinhando-se à estratégia de M&A da PRIO, que foca na aquisição e reestruturação de campos maduros. Com a produção já acima de 150 mil barris por dia e a meta de alcançar 200 mil barris diários, a análise do JPMorgan é favorável, mantendo a recomendação de compra para as ações, com um preço-alvo de R$ 55.
O Bradesco BBI também comentou que o valor da transação está alinhado às expectativas, destacando que a antecipação do fechamento é benéfica, pois acelera a implementação de eficiências, reduzindo o custo operacional (opex) de até US$ 600 milhões para cerca de US$ 250 milhões até o final de 2026, com a conclusão das obras de reparo das linhas de gás. A Genial, por sua vez, manteve recomendação de compra e um preço-alvo de R$ 69,00.