O universo do tokusatsu e do audiovisual de ação japonês perdeu um de seus maiores nomes. O ator e dublê Kenji Ohba faleceu no dia 6 de maio de 2026, aos 71 anos, após anos de tratamento médico. A confirmação veio por nota oficial da Japan Action Enterprise — antiga Japan Action Club —, empresa de formação de dublês para o gênero.
A nota oficial
Em comunicado publicado pela Japan Action Enterprise, a empresa informou o ocorrido com pesar:
Sobre o ator parceiro de negócios de nossa empresa, Kenji Ohba, que vinha realizando tratamento médico há algum tempo, informamos que ele faleceu em 6 de maio de 2026, às 14h23. Diante dessa notícia repentina, todos os funcionários, atores afiliados e membros da equipe ainda se encontram profundamente abalados e têm dificuldade em acreditar no ocorrido. Expressamos nossa sincera gratidão pelo carinho e apoio recebidos por ele em vida.
A família optou por realizar as cerimônias de velório e funeral de forma restrita, apenas entre parentes próximos.
Uma carreira construída no amor pelo tokusatsu
Nascido Kenji Takahashi, Ohba começou sua trajetória no audiovisual em 1971, quando passou na seleção da primeira turma do Japan Action Club — escola de dublês fundada pelo lendário ator e artista marcial Sonny Chiba, de quem era fã. Sem qualquer pretensão inicial de se tornar ator, sua meta era ser dublê.
Sua estreia na TV foi como operador de trampolim nas séries “Kamen Rider” e “Kikaider”. O caminho para a atuação, no entanto, acabou sendo inevitável. Em 1979, foi escalado para o papel de Battle Kenya na série “Battle Fever J”, considerada o primeiro Super Sentai antes da inclusão oficial de Gorenger dentro da franquia. No ano seguinte, sem descanso, viveu o Denzi Blue em “Denziman”, série sucessora.
O legado de Gavan
Gavan – Divulgação / Toei
O reconhecimento definitivo de Kenji Ohba veio em 1982, quando foi escalado para o papel título de “Gavan” — o policial do espaço da Toei que se tornaria um dos maiores ícones do tokusatsu. A série trouxe um frescor ao gênero e alcançou médias de audiência de 18,6% no Japão, um resultado expressivo para a época.
O sucesso de Gavan deu origem a duas sequências — “Sharivan” e “Shaider” —, formando a chamada trilogia dos policiais do espaço. Esse conjunto de produções foi o ponto de partida para o surgimento da franquia Metal Hero, que posteriormente geraria títulos como Jaspion, Jiraiya e Winspector — séries que marcaram gerações de crianças brasileiras nos anos 1980 e 1990, especialmente pela exibição na TV Manchete e em outros canais.
No Brasil, “Gavan” foi exibido como “Gyaban” simultaneamente pela Rede Globo e pela TV Gazeta em 1991, alcançando uma nova geração de fãs no país.
De Kill Bill à CCXP
Kenji Ohba na CCXP – Reprodução
A carreira de Ohba foi extensa e variada. Ao longo das décadas, atuou em dezenas de séries, filmes e espetáculos teatrais. Em 2003, ao lado do próprio Sonny Chiba, participou de “Kill Bill: Volume 1”, do diretor Quentin Tarantino, levando seu nome a uma audiência ainda mais ampla.
E sua relação com o Brasil foi além da telinha. Em 2017, Ohba marcou presença no evento CCXP, em São Paulo, onde teve a oportunidade de encontrar fãs brasileiros — muitos dos quais cresceram assistindo às séries que ele protagonizou.
Kenji Ohba esteve hospitalizado nos últimos oito anos, mas os detalhes sobre sua condição de saúde nunca foram tornados públicos. Ele deixa um legado inestimável para o tokusatsu e para gerações de fãs ao redor do mundo que cresceram sonhando com heróis metálicos e policiais do espaço.
Folha Jundiaiense
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