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Folha Jundiaiense

Micro e pequenas empresas e negócios maduros lideram endividamento no país

O endividamento empresarial no Brasil concentra-se de forma expressiva em micro e pequenas empresas, mas também atinge um número significativo de negócios já consolidados. Um levantamento recente revela um cenário desafiador para a economia nacional. O Mapa Assertiva de Cobrança e Endividamento (MACE) identifica 1.638.645 Cadastros Nacionais da Pessoa Jurídica (CNPJs) distintos com dívidas em 2025, gerando mais de 3 milhões de consultas por empresas do setor de cobrança. Este panorama sublinha a fragilidade financeira de grande parte do tecido empresarial brasileiro, alertando para impactos em todo o ecossistema de crédito e emprego.

A realidade do endividamento reflete a própria estrutura do mercado nacional. Conforme dados da Receita Federal, as microempresas representam cerca de 92% das empresas ativas no País, enquanto as pequenas empresas correspondem a aproximadamente 5%. Médias empresas somam 2% e as grandes ficam em torno de 1%. Esta distribuição torna o problema do endividamento micro e pequeno empresariais um ponto crítico para a saúde econômica brasileira.

Vulnerabilidade das Pequenas Empresas Impulsiona Dívida

Nos principais estados analisados pela Assertiva, as microempresas dominam a base de CNPJs endividados. No Rio de Janeiro, 63,31% dos CNPJs consultados são microempresas. Santa Catarina registra 59,81%, São Paulo 59,49%, Paraná 59,41% e Minas Gerais 58,68%. Estes percentuais demonstram uma vulnerabilidade acentuada das companhias de menor porte, que operam com margens mais apertadas e menor capacidade de absorção de choques econômicos.

Na sequência das microempresas, as pequenas empresas também apresentam participação relevante no quadro de endividamento, variando entre 17,08% e 19,66%, a depender do estado. Este perfil reforça a constatação de que negócios de menor porte enfrentam obstáculos sistêmicos para manter a saúde financeira em um ambiente volátil.

A datatech Assertiva, responsável pelo estudo, aponta que este cenário amplifica a vulnerabilidade das empresas menores diante de oscilações de custos, quedas na demanda por produtos e serviços e atrasos significativos nos recebíveis. A companhia, que oferece soluções integradas para análise de crédito, ressalta que muitas dessas empresas operam com fôlego de caixa limitado e encontram acesso mais restrito a financiamentos com condições favoráveis. A dificuldade em obter capital de giro ou investimento com taxas competitivas agrava a situação, impedindo que muitas delas consigam se reestruturar ou atravessar períodos de crise.

Empresas Consolidadas Também Acumulam Dívidas

Contrariando a percepção comum de que o endividamento é um problema exclusivo de negócios em início de operação, o estudo da Assertiva revela que o tempo de mercado não elimina o risco financeiro. Empresas com mais de 15 anos de atividade lideram a base de endividados em diversos estados. Em São Paulo, elas representam 35,63% dos CNPJs consultados. No Rio de Janeiro, o percentual alcança 31,95%. Minas Gerais registra 31,86%, Paraná 30,92% e Santa Catarina 28,90%. Este dado desafia a ideia de que a maturidade no mercado garante estabilidade e imunidade a problemas financeiros.

Em seguida, aparecem empresas com 5 a 10 anos de atividade, cuja participação está próxima de 22% a 24% nos estados avaliados. A presença significativa de negócios estabelecidos entre os endividados indica que fatores macroeconômicos e setoriais afetam empresas de todos os portes e idades, especialmente em um ambiente de crédito mais restritivo e margens operacionais reduzidas.

Hederson Albertini, CEO da Assertiva, enfatiza que este dado “quebra a percepção de que o endividamento empresarial está concentrado apenas em negócios jovens”. Ele explica que empresas maduras também podem acumular obrigações, especialmente quando operam em ambientes de margem reduzida e enfrentam um cenário de crédito mais seletivo. Albertini também aponta que negócios mais jovens, por sua vez, tendem a ter maior dificuldade de acesso ao crédito, fator que, ironicamente, pode limitar sua própria capacidade de se endividar significativamente, restringindo seu crescimento e expansão.

O Cenário da Dívida por Região e o Impacto Financeiro

A análise do valor médio das dívidas empresariais revela disparidades regionais importantes. O estado de Santa Catarina aparece na liderança com uma média de R$ 117.473,88 em dívidas por CNPJ. São Paulo segue de perto, registrando uma média de R$ 110.335,26. A magnitude destes valores reflete o peso financeiro das obrigações acumuladas pelas empresas nestas regiões, que possuem economias robustas e um custo de fazer negócios potencialmente mais elevado.

O Paraná apresenta uma média de R$ 47.094,49, enquanto Minas Gerais e Rio de Janeiro registram valores médios abaixo de R$ 20 mil. Essa variação pode indicar diferentes perfis de endividamento, com empresas de menor porte ou dívidas de menor valor nos estados com médias mais baixas, ou ainda uma maior eficiência nos processos de recuperação de crédito.

Setores Mais Afetados Pelo Endividamento

O estudo da Assertiva detalha os segmentos econômicos com maior presença na base de CNPJs endividados consultados. O comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios lidera a lista, respondendo por 3,19% do total. Este setor é caracterizado por alta competitividade, dependência do consumo sazonal e da moda, além de desafios na gestão de estoques e capital de giro.

Em seguida, vêm a construção de edifícios (2,24%), um setor intensivo em capital, com longos ciclos de projeto e alta suscetibilidade a flutuações econômicas. O transporte rodoviário de carga (2,23%) também figura entre os mais endividados, impactado pelos custos de combustível, manutenção de frota e a intensa concorrência.

O varejo de mercadorias em geral com predominância de alimentos, incluindo minimercados, mercearias e armazéns, representa 2,11% dos CNPJs endividados. Este segmento opera com margens tipicamente baixas e alta dependência do fluxo de caixa diário. Completando o top 5, estão os restaurantes e similares (1,98%), que enfrentam desafios como altos custos operacionais, mão de obra e a volatilidade do consumo fora do lar.

Segundo a Assertiva, estes setores compartilham características cruciais que os tornam mais vulneráveis ao endividamento: alta dependência do consumo final, custos operacionais relevantes e uma necessidade constante e elevada de capital de giro. Qualquer interrupção no fluxo de caixa ou aumento inesperado de custos pode rapidamente levar a atrasos em pagamentos e, consequentemente, ao endividamento.

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